Linha de Frente

AGRIMEC comemora 40 anos

Com sede em Santa Maria/RS, a empresa tem em seu DNA uma aptidão que somente a experiência pode lhe proporcionar: saber a hora de diversificar para sair do lugar-comum e evoluir. E em junho são quatro décadas de história

Quando partiu de Sobradinho/RS, na década de 1960, para servir ao Exército Brasileiro em Santa Maria, no centro do Rio Grande do Sul, Odilo Pedro Marion não imaginava que um futuro próspero lhe aguardava. Não que já tivesse algo prometido na cidade, mas, em algum parágrafo de sua história, a insistência tiraria do papel mais do que o seu imaginário poderia supor. De mecânico a soldado, e de soldado a taxista, para depois tornar-se contabilista, professor e empresário/empreendedor. Sob as profissões vivenciadas, uma força impulsionava a vontade de crescer mais: o espírito intrépido de um inventor insaciável. Poderíamos criar um texto falando somente sobre sucesso, porém as bonitezas de he- Fotos: Divulgação roísmo existentes nos contos sobre alguns grandes conquistadores da História mundial não se encaixariam na trajetória desse homem. Porque aqui falamos de alguém vindo de uma família simples, sem grandes recursos, mas dotado de uma característica admirável: a persistência. E a persistência tomou corpo em um longínquo maio de 1974 pelo nome de Agrimec Agro Industrial e Mecânica Ltda.

Quatro décadas depois, Seu Marion, como é chamado pelos colaboradores, continua, mais do que nunca, ativo e pensante na condução de seus negócios, sendo a Agrimec, hoje, a maior fabricante de implementos para a lavoura orizícola da América Latina, com mais de 60 produtos já desenvolvidos. Cada fase e cada máquina tem uma história, cada história registrada, que pode ser conferida detalhadamente em sua autobiografia, chamada “Empreender: ousadia ou loucura”.

O início — Voltemos aos anos 1970. Nessa época, Marion era professor universitário nas cidades de Santa Maria e Três de Maio/RS, além de diretor administrativo da Cientec – Fundação de Ciência e Tecnologia do Estado do Rio Grande do Sul. Então surgiu a oportunidade de abrir um empreendimento industrial na cidade com outros três sócios. Parte do seu salário ia para o novo negócio, que lançou, como primeiro produto, a Rotacarp, um equipamento desenvolvido para a capina mecânica de soja ou qualquer outro cultivo plantado em linha. No início, foi um sucesso, não fosse a chegada do herbicida para substituir a principal função do implemento: exterminar os inços no campo. Foi necessário criar mais, reinventar. Surgiu a roçadeira de três lâminas e o para-choque tanque, que na época foram fundamentais para garantir o futuro da empresa. No caminho, uma nova mudança de rumo: a dissolução da sociedade. Sob seis meses de sacrifícios e incertezas veio o recomeço. Em setembro de 1977, a Agrimec tornou-se a primeira empresa a operar no Distrito Industrial de Santa Maria, onde permanece até hoje.

Na década de 1980, Marion viu a necessidade de poder cuidar mais de perto do desenvolvimento de suas máquinas, sem depender de terceiros para os tão necessários testes de campo. Foi então que começou a plantar na região de São Gabriel/RS, em meados de 1985. Foi um dos primeiros a utilizar a técnica do plantio direto naquela região, vindo, posteriormente, a plantar também em outras localidades. A lavoura virou o laboratório de testes da fábrica, o que lhe proporcionava o conhecimento e a experiência necessários para testar e aperfeiçoar seus implementos, agregando ainda mais credibilidade às suas criações.

A volta por cima — Nos anos 1990, a linha de produtos ficou maior e diversificada, mas as crises econômicas da época afetaram o agronegócio de forma geral. Fábricas fecharam, produtores pararam de investir. Após 25 anos de atividade, a falência bateu à porta da empresa. Por insistência, um último respiro foi possível graças a um empréstimo feito de última hora. Logo, a inflação chegou ao fim, a economia foi estabilizada e o agricultor voltou a investir. A empresa começou a participar de grandes feiras pelo País e, o mais importante, não deixou de criar e aprimorar suas máquinas, sempre oferecendo para seu cliente possibilidades de ganhos em produtividade. O crescimento foi explosivo: 6.900% em dez anos.

Surpresas boas também cruzaram a trajetória da Agrimec. O que parecia improvável aconteceu. 36 anos depois de ter saído de linha, a Rotacarp, o primeiro implemento desenvolvido, voltou a ser fabricado, despertando o interesse de muitos produtores. Hoje, ele retorna como uma alternativa para os que estão optando pela agricultura orgânica, pois oferece uma nova dimensão na tarefa de capina mecânica, já que utiliza os recursos da própria terra para o cultivo, sem o uso de agentes químicos, possibilitando um manejo sustentável dos recursos do meio ambiente. Um grupo de coreanos que investe no plantio de soja no município de Formosa do Rio Preto/BA, foram os primeiros clientes desta nova edição.

A persistência de Marion o levou a fundar em junho de 1974 a Agrimec, hoje a maior fabricante de implementos para a lavoura orizícola da América Latina

O carro-chefe — Desde os anos 1980, a Agrimec fabricou plainas niveladoras de solo iguais a outras que já existiam no mercado. Para Marion, o desempenho dessas máquinas nunca foi suficiente. Foi em uma viagem, ao ver uma patrola em uma estrada, que surgiu a ideia de desenvolver uma plaina com lâminas que trabalhassem em diferentes ângulos. As lâminas de três bicos, que ficam na dianteira e trabalham em determinado ângulo, têm a função de cortar as irregularidades do terreno. A lâmina traseira é responsável por fazer o acabamento espalhando a terra e corrigindo as irregularidades do solo. Se outrora o crescimento foi utopia, agora é realidade. O sucesso do produto veio logo, após dois anos de testes e ajustes. Hoje, são oito modelos de plainas niveladoras multilâminas fabricadas conforme a potência de cada trator, além de um modelo com recolhimento hidráulico das lâminas criado para circular pelas estradas estreitas dos canaviais. O último modelo, lançado na Agrishow deste ano, foi a Robust 800, desenvolvida para tratores com potência a partir de 350cv.

Novos mercados — Além dos implementos desenvolvidos para arroz, soja, milho, feijão, trigo, entre outras culturas, recentemente entrou no mercado de cana. Alguns exemplares de plainas niveladoras já tinham sido vendidos para usinas canavieiras, mas a oportunidade de conhecer mais de perto o assunto surgiu após contato feito por técnicos de uma usina, que precisavam de um equipamento que resolvesse alguns problemas relacionados à palha dos canaviais. Da visita surgiram dois produtos inovadores: o Cultivador Quebra-Lombo Rotativo e o Multicultivador e Pulverizador Canavieiro Sob Palha (MP4).

O mercado externo também é uma conquista. Quando começou a exportar, em 1992, o único país de destino era o Uruguai; hoje, seus produtos seguem para toda a América Latina e alguns países do Continente Africano. O reconhecimento veio também em forma de prêmios para a Agrimec, entre eles, o Prêmio Distinção Indústria, da Federação das Indústrias do RS (Fiergs), concedido, em 2010, pelo produto MP4. E o Prêmio Gerdau Melhores da Terra, em 2012, pelo produto Fecha Taipa Arrozeiro.

Por diversas vezes, fatores incontroláveis e imprevisíveis influenciaram sua trajetória, porém, criatividade e agilidade ofereceram refúgios contra as crises. Diversificação sempre foi palavra de ordem no ambiente interno da empresa. Acreditar no potencial dos seus colaboradores tornou-se a força motriz da Agrimec e tão importante quanto o relacionamento comprometido que estabelece com seus clientes. Ao longo desses 40 anos, a Agrimec consolidou-se como uma empresa inovadora, cuja marca está associada à qualidade, versatilidade e robustez de seus produtos.