Florestas

O efeito das florestas para a agricultura de BAIXO CARBONO

João Fernando Borges,
presidente da Associação Gaúcha de Empresas Florestais (Ageflor)

No futuro, a humanidade provavelmente utilizará mais madeira e, graças ao avanço da tecnologia, novos usos desta matéria-prima e seus componentes químicos essenciais (como biomateriais de base madeira) significarão um aumento do volume de madeira que necessitará ser extraído das florestas naturais e das plantações Ageflor florestais. Para que o Rio Grande do Sul esteja inserido neste contexto, o estado necessita de simplificação do processo de licenciamento ambiental para florestas plantadas. Ao atender a esta demanda, não só se proporcionará maior oferta de madeira para fins industriais, energéticos e outros usos, bem como um ganho de renda de longo prazo para os produtores: tal iniciativa colabora na redução na pressão sobre as florestas nativas e nos efeitos do aquecimento global.

As mudanças climáticas globais têm sido uma constante preocupação internacional e motivo de acordos entre países para reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEEs) responsáveis pelo aquecimento da Terra. O Brasil assumiu compromisso internacional para desenvolver ações voluntárias de redução de emissões comprometendo-se com uma baixa entre 36,1% a 38,9% em relação às suas emissões projetadas até 2020. Dentre essas ações, implementou o Programa ABC – Agricultura de Baixo Carbono, como forma de contrabalançar as emissões de gases no setor agropecuário, por meio da adoção de tecnologias para mitigar os GEEs. Ao mesmo tempo, promover a fixação de carbono a partir do aumento das áreas de florestas plantadas e da ampliação do uso de sistemas de produção com distúrbio mínimo do solo.

Os sistemas, métodos e tecnologias de produção selecionados para a Agricultura de Baixa Emissão de Carbono são os seguintes: sistema de plantio direto, integração lavoura-pecuáriafloresta, recuperação de áreas e pastagens degradadas, florestas plantadas, fixação biológica de nitrogênio e tratamento de dejetos animais. Para as florestas plantadas, a meta proposta é aumentar a área plantada em 3 milhões de hectares, pelo plantio de espécies florestais de rápido crescimento como eucalipto, pinus e acácia-negra, entre outras.

No Rio Grande do Sul, o Programa ABC/RS estabeleceu entre seus objetivos estratégicos para as florestas plantadas a ampliação da área ocupada em 500 mil hectares até 2020, mediante a diversificação, ou seja, a utilização de diferentes espécies florestais em plantios puros, mistos ou integrados com diferentes atividades produtivas na mesma área. Atualmente, as florestas do estado ocupam 6,4 milhões de hectares, aproximadamente 22,7% do território gaúcho. As nativas totalizam 5,67 milhões de hectares (20,1%) e as plantadas, 704 mil hectares (2,5%). As espécies florestais mais cultivadas são o eucalipto, com 301 mil hectares, o pinus, com 263 mil, e a acácia-negra, com 140 mil, além do plátano, com 250 hectares, e do pinheiro-brasileiro e da ervamate, nativas plantadas em menor área.

Absorção de carbono — Todas as árvores (regeneradas naturalmente ou plantadas) possuem um papel fundamental na absorção de carbono e na produção de oxigênio pela fotossíntese. Assim, as florestas armazenam uma grande quantidade de carbono. O conceito “sequestro de carbono” foi consagrado pela Conferência de Quioto, em 1997, com a finalidade de conter e reverter o acúmulo de CO2 na atmosfera, visando à diminuição do efeito estufa ou aquecimento global.

A forma mais comum de sequestro de carbono é a naturalmente realizada pelas florestas. Na fase de crescimento, as árvores demandam uma quantidade muito grande de carbono para se desenvolver e acabam tirando esse elemento do ar ajudando a diminuir, consideravelmente, a quantidade de CO2 na atmosfera. Como estão em permanente crescimento, as árvores jovens consomem mais carbono que as florestas que chegaram ao seu clímax, quando há um equilíbrio entre a quantidade de CO2 consumido durante a fotossíntese. Além do carbono usado para se alimentar, elas fixam a substância na forma de matéria seca (madeira). A madeira é produzida pela natureza, é um material renovável, reciclável e biodegradável.

Cada hectare de floresta em desenvolvimento é capaz de absorver de 150 a 200 toneladas de carbono. Considerando que o solo é o grande depositário de carbono na natureza e que a biomassa das raízes de uma floresta representa 20% a 30% da biomassa total, cerca de 30 a 60 toneladas por hectare de CO2 absorvido pelas florestas são incorporados diretamente no solo. Por isso, as florestas plantadas funcionam como agentes diferenciados e eficientes de absorção e fixação do carbono extraído da atmosfera e de fundamental importância para o equilíbrio do clima. Florestas de eucalipto e pinus fixam em cinco anos entre 500 e 1.000 toneladas de carbono/hectare, enquanto campos fixam sete a 11 toneladas de carbono/ha.

Em média, para cada quilo de biomassa de madeira produzida são armazenados 500 gramas de carbono. Levando- se em conta o ciclo global do carbono e a política da redução deste na atmosfera, a biomassa produzida pelas florestas, principalmente o componente madeira, deve ser empregada na fabricação de bens duráveis, como móveis, molduras, interiores e outros produtos, que venham a fixar o carbono a longo prazo. Plantações florestais representam uma grande alternativa de preservação dos recursos naturais existentes. As áreas ocupadas pelas plantações, em sua maioria, são inferiores a 50% da área total. Isto se deve ao fato de que é fundamental a preservação de áreas de reserva legal e preservação permanente. São elementos que fundamentam a conclusão de que este setor deve sim ser incentivado. Para que, além de ganhos econômicos e sociais, cumpram-se os compromissos com o ambiente.