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SOJA: POUCO PARA O PRODUTOR

Um trabalho desenvolvido por representantes rurais argentinos revela o destino da maior parte dos dólares originados pela soja. A produção, segundo o estudo, fica com apenas US$ 1 bilhão dos quase US$ 28,4 bilhões que serão gerados pelo cultivo. Uma conta que derruba por terra qualquer argumentação de rentabilidade extraordinária ou coisa parecida. À alta carga tributária – e com pouco retorno – se soma o constante aumento dos custos de produção, o que transforma o cultivo da soja na Argentina em um negócio de alto risco. Néstor Roulet, autor do trabalho, conclui que a soja da campanha 2013/2014 será responsável por uma receita total de US$ 28,444 bilhões. Em torno de US$ 25 bilhões serão gerados pela exportação do complexo soja. O Estado será o maior beneficiado, com uma arrecadação de US$ 12,866 bilhões. Ao produtor, restam 3,86% do total.


QUEDA NOS EMBARQUES

O trabalho do intervencionismo estatal tem sido especialmente nocivo sobre as exportações de carne bovina. De acordo com um informe elaborado pela Área de Estatística e Economia do Instituto de Promoção da Carne Bovina Argentina, as exportações durante o mês de março de 2014 ficaram em volumes moderadamente inferiores aos já magros registros de fevereiro e em níveis significativamente inferiores aos observados em março de 2013. Os embarques de cortes resfriados, congelados e processados totalizaram 7.768 toneladas. O preço FOB médio por tonelada foi de US$ 11.494 para os cortes resfriados sem osso, de US$ 5.286 para os cortes congelados sem osso e de US$ 4.800 para a carne processada. O setor agora aguarda esperançoso a possibilidade de aumento na Cota 481 da União Europeia. Os trâmites para a negociação estão na etapa final.


ALTOS CUSTOS

A Câmara Argentina de Feedlot adverte que, entre o último trimestre de 2013 e o presente, houve um significativo aumento do custo de produção do quilo da carne bovina em pé, tanto pelo impacto da elevada inflação como pelo efeito da desvalorização cambial. Os insumos dos currais, em especial o alimento do gado (70% do custo), o combustível e as reposições das máquinas e equipamentos, são cotados em dólar. Ao mesmo tempo, os serviços de manutenção e a mão de obra estão escassos. Por isso, hoje se fala em um gasto de 14 pesos por quilo produzido, contra 10 pesos para o último trimestre de 2013. Por outro lado, houve um aumento nominal interessante no valor do gado gordo, que é vendido em torno de 17 pesos o quilo, enquanto que a invernada em plena safra é negociada entre 15 e 16,50 o quilo. “É um cenário menos negativo do que tivemos nos últimos anos. Nada a festejar, mas pelo menos a cadeia está funcionando”, dizem os dirigentes da Câmara.


TRIGO

As estimativas indicam que a área plantada possa ficar entre 10% e 15% acima do que foi cultivado no ciclo anterior. De qualquer forma, o número ainda estará muito distante da realidade de anos atrás.


SOJA

Até o início de maio, a colheita havia atingido 60% da área, com uma média de produtividade de 3.130 quilos por hectare. A Bolsa de Cereais de Buenos Aires projeta a colheita em 54,5 milhões de toneladas.


LEITE

Com valores do litro ao produtor em torno de US$ 0,337 (dólar oficial) ou US$ 0,245 (dólar paralelo), o dinheiro recebido não é suficiente para recuperar o capital perdido nos últimos anos. E muitos produtores ainda lutam contra as perdas deixadas por excessivas chuvas em fevereiro e março.


CARNE

Na última semana de abril os preços médios do novilho jovem caíram para 16 pesos por quilo vivo. O valor equivale a US$ 2 (cotação oficial) ou US$ 1,45 (paralelo). O preço tem estreitado momentaneamente a margem para os terneiros de invernada.