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MÁQUINAS em marcha mais lenta

A demora em autorizar a liberação de financiamentos para a aquisição de máquinas via Finame no início do ano causou desconforto ao setor e ao produtor. Agora, o Moderfrota volta a ser esperança

Thais D’Avila

Atroca da tabela de taxas de juros do Finame provocou um alvoroço no setor de máquinas na virada de 2013 para 2014. Os trâmites para ativar os novos percentuais causaram, conforme o vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Milton Rego, a interrupção na liberação de novos financiamentos de 13 de dezembro até 26 de janeiro. E não foi só isso. “Toda a vez que ocorre um reajuste, precisa de 30 dias para transformar o reajuste no operacional. Precisa de reunião do Conselho Monetário Nacional, Circular do Banco Central, regulamentação do BNDES e só depois vai para o agente financeiro”. Isso, segundo ele, teria provocado um acúmulo de pedidos em diversos bancos. “Além disso, se o produtor não consegue o recurso, ele apresenta em vários bancos. E isso aumenta o trabalho dos bancos, aumenta os prazos e para o mercado. Qual é a percepção? Está demorando pra sair. Mas no final de abril a situação já estava normalizada.”

Rego afirma também que, ao mesmo tempo, os bancos passaram a ser mais criteriosos na concessão de crédito, por conta de um cenário mais modesto para 2014. “Tivemos um recorde de venda de máquinas em 2013, com mais de 83 mil unidades”, lembra. Quando a Anfavea realizou a projeção de mercado para 2014, previa um ano estável, sem crescimento. “Mas o levantamento foi feito antes do problema da virada do ano. Agora, em junho, vamos fazer uma nova projeção, e o viés é de baixa.”

Rego reconhece que o maior impacto foi no mercado de colheitadeiras. “Quem não conseguiu comprar a máquina no verão, não vai comprar agora. Mas isso é normal porque o mercado cresce em ondas”, esclarece. A assessoria do BNDES informa que a queda nos financiamentos em janeiro de 2014 em relação ao mesmo mês de 2013 foi de apenas 14%. “O Finame, quando chega no BNDES, é liberado em cinco dias, se houve atraso, foi no agente financeiro”, informa a instituição. O Banco do Brasil, maior agente de repasse dos recursos do BNDES, não quis se manifestar sobre o assunto.

“Situação séria” — O presidente do Sindicato da Indústria de Máquinas Agrícolas do Rio Grande do Sul (Simers), Cláudio Bier, diz que a situação da liberação dos recursos do BNDES melhorou um pouco. “Voltou um pouco, mas ainda não normalizou”, reclama. Os associados do sindicato reclamam que o Finame ainda está demorando pra sair. Estão com pedidos estocados, matéria-prima pronta, situação muito séria no Rio Grande do Sul. “As indústrias todas estão se queixando muito de que o Finame não está saindo. Chega a acontecer demora de 120 dias”, revela. O Rio Grande do Sul produz mais da metade das máquinas e equipamentos agrícolas.

Os associados do Sindicato da Indústria de Máquinas do Rio Grande do Sul reclamam que o Finame ainda está demorando pra sair e estão com pedidos estocados

A esperança do setor é com a retomada do Moderfrota, revelada no anúncio do Plano Agrícola e Pecuário 2014/ 2015. O Programa havia caído em desuso quando o Finame passou a apresentar taxas de juros mais atrativas. “Agora ocorre o caminho inverso”, observa Bier. “Nós esperamos que ele (Moderfrota) venha a funcionar e que tenha dinheiro. Os juros são muito bons (4,5%/ano)”, avalia. Além dos juros mais baixos, o vice-presidente da Anfavea, Milton Rego, destaca a vantagem do Moderfrota acompanhar o ano agrícola e não o ano civil. “Em vez de ser janeiro a dezembro é de julho a junho. O que é adequado à atividade agrícola”, interpreta. “Agora queremos saber se quem já havia encaminhado pedidos de financiamento pelo Finame poderá fazer nova proposta com os juros mais baixos do Moderfrota”, questiona Bier.