Agrobrasília

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Recordes na feira INTERNACIONAL dos cerrados

A Agrobrasília movimentou R$ 700 milhões em negócios e atraiu quase 100 mil visitantes. A feira foi oportunidade para agricultores, independente do tamanho, terem contato com inovações

Aprimeira edição de caráter internacional da Agrobrasília teve o seu maior público e mais alto valor em negócios em sete realizações: 95 mil pessoas e estimados R$ 700 milhões – em 2013 foram 79 mil e R$ 590 milhões. A feira foi realizada no Distrito Federal, em maio, no coração de uma região de agricultura de alto nível tecnológico, inclusive de amplas áreas de cultivos irrigados. A edição deste ano inclusive ganhou novo slogan: “A feira internacional dos cerrados”. O presidente da Cooperativa Agropecuária da Região do Distrito Federal (Coopa-DF), instituição que promove o evento, Leomar Cenci, disse estar surpreso positivamente com os números. “A Agrobrasília 2014 foi um sucesso. Mas já vamos determinar a nova data, pois a feira de 2015 já começa amanhã para nós. A maioria dos expositores já confirmou presença e, para o ano que vem, teremos talvez um problema de falta de espaço para mais empresas que querem participar do nosso evento”, avaliou.

O levantamento junto às instituições financeiras que participaram da feira – Banco do Brasil, Banco Regional de Brasília e Caixa, além das cooperativas de crédito Sicredi e Sicoob – apontou para a efetivação de negócios em R$ 620 milhões. Mas, nos dias seguintes, tal volume deveria aumentar, visto a concretização de vendas e negociações iniciadas. Mais do que estes negócios, muitas empresas de máquinas possuem bancos próprios e alguns produtores negociam a compra de insumos, principalmente de forma diferenciada. “A noção real do que foi movimentado em negócios teremos apenas nos próximos dias. Nessa conta inicial, que emplaca os R$ 620 milhões, não estão incluídas as comercializações de insumos, por exemplo, que não são feitas via instituições financeiras. Por isso, o valor final deve ficar entre R$ 650 milhões e R$ 700 milhões”, afirmou Ronaldo Triacca, coordenador- geral do evento.

Além dos negócios, a feira brasiliense propagou tecnologias para as mais diversas áreas da agropecuária, independente do tamanho dos empreendimentos. Os pequenos produtores, que chegaram muitos em caravanas (foram mais de 180 ônibus), tiveram atenção especial no Espaço Valorização da Agricultura Familiar. No local puderam ter contato ou mesmo aprender sobre diversas tecnologias para a dimensão deles, como sobre gado leiteiro, artesanato, fruticultura, floricultura, maquinário agrícola e assim por diante. Técnicos da Emater/DF puderam atender a todos. E, mais do que isso, os agricultores conseguiram se inteirar ou esclarecer dúvidas sobre políticas governamentais disponibilizadas aos pequenos.

A Embrapa disponibilizou suas tecnologias aos visitantes da Agrobrasília, como o Sistema Filho, apresentado pelo pesquisador Sérgio Abud, da Embrapa Cerrados

“Proporcionar o contato destes agricultores com as políticas públicas”, resumiu Roberto Carneiro, coordenador de operações da Emater/DF, uma das propostas da instituição de assistência técnica. Temas como crédito agrícola, Política de Aquisição de Alimentos (PAA), Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e outros programas locais de incentivo aos agricultores familiares foram apresentados aos interessados. “É trazer este arcabouço de políticas públicas”, argumentou. Mais de 8 mil agricultores estavam inscritos para o Espaço. Inclusive dos estados vizinhos de Goiás e Minas Gerais. Entre estes, até assentados da reforma agrária, muitos procedentes de assentamentos precários que passaram a ser atendidos pela Emater/DF. “É uma maneira de aproximar os produtores das tecnologias”, descreveu Carneiro a visita dos agricultores.

Pela primeira vez visitando a Agrobrasília, Iolanda Alves Lopes não escondeu sua satisfação com tudo o que viu e ouviu no Espaço de Valorização da Agricultura Familiar. “A feira é maravilhosa, excelente, é mesmo para pessoas rurais que têm poucos recursos e estão lutando para conseguir alguma coisa na vida”, descreveu. “Gostei muito das explicações, da atenção de todos. Estamos olhando o crédito rural, queremos implantar apicultura, frutas e ampliar a criação de galinhas caipiras na chácara. Se encontrarmos você aqui no ano que vem, vamos falar assim: deu certo!”, declarou a pequena produtora. No Circuito da Apicultura, ela e a família assistiram às demonstrações de como montar um apiário, além de conhecer todo o material apícola e os acessórios necessários para o manejo da apicultura.

Pequenos agricultores puderam aprender sobre as políticas públicas ofertadas pelos governos no Espaço Valorização da Agricultura Familiar, segundo Roberto Carneiro, da Emater/DF

Sistema Filho — Assim como nas demais feiras agrícolas pelo País, a Embrapa utilizou-se de um amplo estande para divulgar ou mesmo lançar novas tecnologias. E foram muitas na Agrobrasília, tanto para agricultura como para pecuária. Sérgio Abud, da unidade Embrapa Cerrados, descreveu o Sistema Filho – Fruteiras Integradas com Lavouras e Hortaliças, pelo qual são efetuados cultivos comerciais anuais (feijão, quinoa, arroz, etc.) e hortaliças em meio ao plantio de frutíferas irrigadas. Ou seja, todo o espaço e a estrutura para as frutíferas podem ser aproveitados para outras explorações agrícolas até por volta do terceiro ano de vida das culturas perenes. Além disso, possibilita ao pequeno agricultor a comercialização de excedentes. E a integração ainda melhora as condições gerais do solo. “O resíduo das culturas anuais e hortaliças aumenta a produtividade e qualidade e das fruteiras”, ressaltou Abud. “Há oportunidade de cultivos de todas as espécies recomendadas para a região”.

Entre as outras tecnologias apresentadas pela instituição, duas linhagens de trigo para os solos dos cerrados, que deverão chegar ao mercado como cultivares em 2015. A BRS CPAC 0544, desenvolvida pela Embrapa Cerrados junto com a Embrapa Trigo após três anos de testes em lavouras irrigadas do Cerrado, pode render até 7,5 toneladas/ hectare. Já a trigo PF 100660, também desenvolvida pelas duas unidades, é precoce e propícia para áreas de sequeiro do Cerrado. Conforme o pesquisador, ambas as linhagens são próprias para locais com noites mais frias, o caso da região do Distrito Federal. “No Cerrado a oferta de água para irrigação é muito grande”, explicou. “O trigo irrigado rende mais que o dobro que o trigo de sequeiro”. Em média, 7 mil quilos/hectare. O plantio ocorre em maio e a colheita em 120 dias. E o trigo, por ser uma gramínea, é fundamental para rotacionar com a leguminosa soja e assim quebrar o ciclo de doenças e pragas.