Agribussiness

TRIGO

SAFRA MUNDIAL ESTIMADA EM 697,04 MILHÕES DE TONELADAS

Fábio Rübenich - [email protected]

O relatório de oferta e demanda mundial de maio do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) trouxe os primeiros números para a safra 2014/15 de trigo. A safra mundial está estimada em 697,04 milhões de toneladas, abaixo de 714 milhões de toneladas estimadas anteriormente. Os estoques finais mundiais em 2014/15 estão estimados em 187,42 milhões de toneladas, contra 175,33 milhões de toneladas da safra passada. O consumo global está estimado em 696,15 milhões de toneladas, ante 679,23 milhões de toneladas. Para 2014/15, a produção de trigo no Brasil está projetada em 6 milhões de toneladas, mais que 5,3 milhões de toneladas anteriores. As importações estão apontadas em 6,5 milhões de toneladas e os estoques finais, em 2,5 milhões de toneladas. A safra 2014/15 do cereal na Argentina foi projetada em 12,5 milhões de toneladas. A estimativa das exportações daquele país é de 6,5 milhões de toneladas.

No Canadá, a projeção da safra 2014/15 é de 28,5 milhões de toneladas, e a da safra australiana, de 25,5 milhões de toneladas. Na União Europeia, a safra 2014/15 está prevista em 144,88 milhões de toneladas. A China tem projeção de safra 2014/15 de 123 milhões de toneladas. Os estoques finais do país asiático foram estimados em 62,18 milhões de toneladas. A produção total do bloco de países anteriormente pertencentes à União Soviética (entre eles Rússia, Cazaquistão e Ucrânia) deve ficar em 101,2 milhões de toneladas. Os Estados Unidos deverão colher 53,43 milhões de toneladas em 2014/15, enquanto suas exportações estão estimadas em 25,86 milhões de toneladas.


ARROZ


BALANÇA COMERCIAL APRESENTA SUPERÁVIT

Rodrigo Ramos - [email protected]

Em abril, o segundo mês do ano comercial referente ao setor rizicultor, que se estende de março de 2014 até fevereiro de 2015, o saldo da balança comercial continuou com um superávit, agora de 45.637 toneladas, menor que no mês de março. Mesmo assim, comparando com abril de 2013, há um acréscimo de quase 23%. Ao todo, houve importação de 83.846 toneladas e exportação de 129.483 toneladas. Este superávit corresponde a uma pressão altista nos preços médios, pois a oferta interna irá diminuir, fazendo com que o valor do arroz suba. Estar no período de colheita ou no final da mesma, normalmente, significa uma baixa nos preços. Isso não aconteceu este ano devido ao preparo dos produtores, com armazenamento e a produção de outras culturas (com que eles poderiam fazer outra receita além do arroz). Uma situação que poderá fazer com que os preços internos caiam é a necessidade de que os agricultores vendam bastante o seu produto, aumentando a oferta dentro do mercado local.

Em relação ao arroz em casca, foram importadas 2.218 toneladas, o que corresponde a mais que 100% em relação ao mês anterior, quando adquiridas do exterior somente 1.041 toneladas. Já o arroz beneficiado teve um aumento significativo na importação, passando de 25.628 em março para 52.153 toneladas (base casca) em abril. Já as exportações do arroz em casca em abril aumentaram significativamente ante março: de 140 mil para 33.030 toneladas. O total do cereal descascado vendido atingiu somente 195 toneladas. O total comercializado do beneficiado em abril se manteve quase inalterado, atingindo 60.578 toneladas, sendo que em março havia sido registrado um total de 61.304.


SOJA


BRASIL CONFIRMA PRODUÇÃO RECORDE EM 2013/14

Dylan Della Pasqua - [email protected]

A mais recente estimativa de Safras & Mercado aponta para 86,62 milhões de toneladas de soja no Brasil em 2013/ 14, representando aumento de 5% sobre 82,57 milhões da safra passada e - 0,35% sobre 86,92 milhões da estimativa passada. A base da correção esteve ligada aos ajustes finos na produtividade, que foram possíveis em função do encerramento dos trabalhos de colheita. Na média, o rendimento foi revisado para 2.898 kg/ha, 2,2% abaixo dos 2.962 kg da safra passada e 1% inferior aos 2.927 kg do relatório anterior.

Esse corte anulou a melhora observada nos números de área plantada e colhida, que voltaram a subir, ratificando o novo recorde histórico. Agora, a área plantada é de 29,92 milhões de hectares, 7% superior aos 27,93 milhões da revisada safra anterior. E uma área a colher de 29,89 milhões de hectares, contra 27,87 milhões do ano passado. Para a safra velha, o quadro de oferta & demanda sofreu diversos ajustes, incluindo aumento da produção e do consumo, resultando em estoques finais mais baixos, caindo de 1,415 milhão para 1,117 milhão de toneladas. Para a safra nova, apesar da retração na produção, a diminuição do estoque de ingresso e o recuo na projeção de exportações acabaram resultando em estoques finais maiores, passando de 3,389 milhões para 3,79 milhões de toneladas.

Para a área colhida está se considerando a perda total de 30 mil hectares, para atingir 29,887 milhões de hectares, também 7% superior a 27,85 milhões do ano passado. Desse total, 20 mil hectares foram perdidos no Mato Grosso, pelo excesso de umidade no período de colheita, e 10 mil, em Minas Gerais, em função da falta de chuvas. No balanço regional desde o ano anterior, houve o aumento da área em 22% na Região Norte, 11% na região Sudeste, 7% na Sudeste e 6% nas regiões Centro- Oeste e Sul. Sem retrações, os destaques de aumentos foram observados no Pará, Tocantins, Piauí e São Paulo. Também a exemplo do relatório anterior, este trouxe nova retração na estimativa de rendimento médio, a ponto de inibir o ajuste para cima na área e trazer o volume produzido na safra mais para baixo. Neste levantamento, a média de produtividade é de 2.898 kg/ha, 1% inferior aos 2.927 kg da projeção anterior e agora 2,2% menor que os 2.962 kg/ ha da safra passada. Esse fica sendo o terceiro melhor resultado da história, atrás do desempenho de 2013 e do recorde de 3.077 kg/ha em 2011.


ALGODÃO


PREÇOS RECUAM NO MERCADO INTERNACIONAL

Rodrigo Ramos - [email protected]

Durante maio, o mercado internacional de algodão absorveu os fatores baixistas apresentados no relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Conforme a safra norte-americana vai se consolidando, os agentes de mercado seguem pressionando os preços. Concluindo o relatório, o aumento dos números de produção somado a uma diminuição do volume de exportação teve mais peso do que o mínimo crescimento de consumo considerado, assim gerando um aumento dos estoques finais e, consequentemente, queda nas cotações em um âmbito geral dos contratos de algodão.

Analisando os principais países importadores de algodão, conclui-se que a grande maioria mantém o volume estável, exceto a China, a qual se torna a principal responsável pela queda de exportações norte-americanas e consequente redução do patamar de preço que se tem observado nestes últimos dias na Ice Futures. Conforme observado no relatório de análise de Safras & Mercado de oferta x demanda chinesa, o volume de estoque inicial é alto, cerca de 18% acima do anterior, tendo uma relação estoque x consumo de 163,5%. Assim, dando margem para reduzir as importações.

Aquela janela de oportunidade para o produtor brasileiro exportar a fibra de algodão já não tem mais o mesmo peso do início de maio. O volume de algodão que circula no mercado nacional já não é tão significativo, grifando-se que já não há grandes quantidades de pluma de qualidade disponível na maior parte das regiões produtoras. A redução de preços da pluma destes últimos tempos foi motivada não somente pela pressão da parte demandadora do mercado, mas também teve impulso pelo fato da nova safra estar chegando, assim precisando-se eliminar os estoques para receber algodão novo.


CAFÉ


SAFRAS ESTIMA COMERCIALIZAÇÃO DO BRASIL EM 90%

Lessandro Carvalho - [email protected]

A comercialização da safra de café do Brasil 2013/14 (julho/junho) chegou a 90% até o dia 30 de abril, segundo levantamento de Safras & Mercado. Os trabalhos estão avançados em relação ao ano passado, quando, até 30 de abril, 83% da safra 2012/13 estava comercializada. Há ligeiro atraso em relação à média dos últimos cinco anos, que aponta 91% da produção normalmente já negociada. E, em relação a março, avanço de cinco pontos percentuais na comercialização até 30 de abril. Com isso, já foram comercializadas 47,74 milhões de sacas de 60 quilos, tomando-se por base a estimativa de Safras, de uma safra 2013/14 de 52,9 milhões de sacas.

Segundo o analista de Safras Gil Barabach, apesar de um começo ruim, os preços se recuperaram ao longo de abril, o que estimulou os negócios. Os cafés melhores voltaram a trabalhar acima de R$ 500 a saca, motivando as vendas. “Com isso, a comercialização ganhou um pouco mais de ritmo, embora a evolução das vendas não tenha acompanhado o andamento dos primeiros três meses do ano. A queda nos preços nos últimos dias do mês também contribuiu para o arrefecimento dos negócios”, aponta Barabach. Já as vendas de café novo, safra 2014, evoluíram pouco em abril, comenta o analista. A incerteza em relação ao tamanho da safra brasileira e o sobe e desce nas bolsas afugentaram do mercado tanto o comprador como o vendedor. Um dos destaques em abril no mercado global de café foi a divulgação do segundo levantamento do Governo brasileiro para a safra de 2014. O número ratificou as preocupações dos agentes com uma safra brasileira muito modesta para as necessidades de exportação e consumo do País, causando uma valorização de quase 7% em Nova York para o arábica no dia do anúncio.


MILHO

PRODUTOR AMPLIA NEGÓCIOS AVALIANDO PREÇO EXTERNO

Arno Baasch - [email protected]

O mercado brasileiro de milho ingressou na segunda metade de maio com uma mudança de atitude por parte dos produtores frente à realidade dos últimos meses. O analista de Safras & Mercado Paulo Molinari afirma que os produtores passaram a aumentar as vendas do cereal colhido na safra verão, bem como ampliaram as tentativas de comercialização da segunda safra, o que indica uma alteração no quadro de preços interno. “Ao invés de precificar o milho em patamares acima dos níveis de exportação, o mercado passou a trabalhar com patamares próximos aos praticados na paridade de venda externa, por conta da expectativa de colheita de uma boa safrinha de milho a partir de junho e de uma produção de milho norte- americana sem graves problemas iniciais”, explica

Além disso, com a baixa de preços registrada na Bolsa de Chicago, com o indicativo de recomposição dos estoques mundiais de milho, e a valorização do real frente ao dólar, os preços no porto acabam sendo deteriorados, tendo poucos argumentos para uma reação sem um efetivo “fato novo” nos próximos 90 dias. Molinari ressalta que a ausência de pressão de venda por parte do Brasil, da Ucrânia e da Argentina vem favorecendo uma recuperação nas exportações norte-americanas do cereal, que devem atingir 48 milhões de toneladas, contra 18 milhões no ano anterior. “Foi a recomposição das exportações estadunidenses que possibilitou a manutenção dos estoques finais abaixo de 30 milhões de toneladas e a sustentação de preços em torno de US$ 5 por bushel”, disse.

Entretanto, para Molinari, caso haja um desenvolvimento normal das lavouras da nova safra americana, diante do indicativo de temperaturas mais elevadas, a recomposição dos estoques precisará de uma demanda bem efetiva para evitar que os preços internacionais possam sofrer uma queda maior. “Ainda temos a sinalização do fenômeno El Niño no segundo semestre, que pode contribuir para uma safra cheia na América do Sul. Essa situação tende a ser refletida no mercado futuro após a confirmação da safra norte-americana”, pontua. Diante deste cenário de safra favorável de milho, Molinari acha que será natural uma pressão interna nas cotações.