Agribusiness

 

TRIGO

DISTÂNCIA NAS BASES DE COMPRA E VENDA TRAVA MERCADO

Dylan Della Pasqua - [email protected]

O desencontro entre as pedidas do lado vendedor e as ofertas da indústria limitou a realização de negócios no mercado doméstico de trigo no mês de abril. A avaliação é do analista de Safras & Mercado Elcio Bento. No Paraná, a indicação de compra ficou entre R$ 850 e R$ 870 à tonelada, enquanto a de venda seguiu por volta de R$ 900,00 a tonelada. No Rio Grande do Sul, os vendedores mantiveram as pedidas entre R$ 715 e R$ 750 à tonelada, com os moinhos ofertando entre R$ 690 e R$ 700. “Os produtores estão capitalizados pela venda da safra de verão e, com a ausência de oferta da Argentina e impossibilidade logística de novas aquisições nos Estados Unidos até meados de maio, se colocam numa posição defensiva, aguardando momentos mais atrativos para aquisições”, explica.

Na outra ponta do mercado, as importações acumuladas entre agosto de 2013 e março de 2014 são de 4,7 milhões de toneladas, o que juntamente com as aquisições domésticas permitem às indústrias ficarem fora do mercado, aguardando uma definição em relação ao pedido de isenção da Tarifa Externa Comum (TEC). Na Bolsa de Mercadorias de Chicago os contratos futuros acumularam valorização na maior parte de abril. O bom momento externo é reflexo de dois fatores que poderão comprometer o abastecimento global. A intensificação dos conflitos entre Rússia e Ucrânia preocupa o mercado, já que pode prejudicar os embarques do segundo país, importante player mundial. Há também temor sobre o desenvolvimento das lavouras norte-americanas, diante de condições climáticas desfavoráveis.

 


ARROZ

PREÇO DO CEREAL GAÚCHO REAGE MESMO COM A COLHEITA

Rodrigo Ramos - [email protected]

O mercado de arroz do Rio Grande do Sul veio mostrando uma leve e constante reação na segunda metade de abril. Segundo o analista de Safras & Mercado João Nogueira, apesar do período de colheita, o mercado busca suporte no baixo volume de vendas por parte dos produtores. “Além disso, alguns grãos apresentam falhas e a demanda segue constante”, pondera. No mercado catarinense, os produtores também estão limitando a oferta, fazendo com que os preços subam. No MT, acontece a mesma posição por parte dos produtores, e toda a oferta está sendo absorvida pelos compradores. No primeiro mês do ano comercial do setor rizicultor brasileiro, que se estende de março de 2014 a fevereiro de 2015, o saldo da balança comercial teve um superávit de aproximadamente 97.351 toneladas. Ao todo foram importadas 50.869 toneladas e exportadas 148.221 toneladas em março. “Esta grande diferença, entre as exportações e importações, poderá significar uma tendência de alta para o curto prazo, pois a oferta irá diminuir dentro do mercado interno”, avalia o analista.

Em relação ao arroz em casca, foram somente 1.041 toneladas importadas, volume praticamente inalterado em comparação a fevereiro (mil toneladas). Enquanto isso, o arroz descascado teve uma importação de 24.199 toneladas (base casca), aumento de 19% em relação ao mês anterior. Já o beneficiado teve queda nas importações de cerca de 40%, pois em fevereiro haviam sido importadas 42.908 toneladas e no mês de março foram adquiridas 25.628. Referente às exportações, houve um grande salto de 57% em março ante fevereiro, quando foram exportadas 63.164 toneladas (base casca).


SOJA

CHICAGO ROMPE US$ 15 E PREÇOS SOBEM NO BRASIL

Dylan Della Pasqua - [email protected]

Os preços da soja subiram no mercado brasileiro nas primeiras três semanas de abril, acompanhando os bons ganhos externos e a firmeza do dólar frente ao real. A movimentação também ganhou ritmo, principalmente no mercado disponível. Os produtores ainda se mostram retraídos para vender antecipadamente a soja. Os ganhos internos foram assegurados pela forte alta na Bolsa de Mercadorias de Chicago (Cbot), onde os contratos com vencimento em maio romperam a barreira de US$ 15 por bushel na primeira quinzena do mês. A alta na cotação da oleaginosa é amparada pela forte demanda pelo produto dos Estados Unidos, tanto em termos de exportação como para consumo doméstico. A Associação Norte-Americana dos Processadores de Óleos Vegetais informou que o esmagamento de soja atingiu 153,84 milhões de bushels em março. Em fevereiro, o processamento somou 141,6 milhões de bushels. Analistas esperavam esmagamento em torno de 144,6 milhões de bushels em fevereiro.

As exportações americanas na temporada somam 41,2 milhões de toneladas, superando em 23% o total embarcado em igual período do ano passado. Diante deste quadro, os estoques no final da temporada 2013/14, em agosto, deverão ser os menores desde 2004. Completando o cenário positivo para as cotações internas no Brasil, o dólar se valorizou frente ao real no período, dando competitividade às exportações. As exportações em grão renderam US$ 1,809 bilhão nas duas primeiras semanas de abril (nove dias úteis), com média diária de US$ 201,05 milhões. A quantidade total exportada pelo País no período chegou a 3,6 milhões de toneladas, com média diária de 400 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 502,60. Na comparação entre a média diária das duas semanas de abril e a de março, houve um aumento 21,4% no valor exportado e de 22% no volume embarcado. O preço médio recuou 0,5%. Na comparação com abril do ano passado, houve aumento de 16,5% na receita e de 23% no volume e queda de 5,3% no preço. A produção brasileira de oleaginosa na temporada 2013/14 deverá totalizar 86,924 milhões de toneladas, com aumento de 6% na comparação com a safra anterior, que ficou em 82,125 milhões de toneladas, previsão de Safras & Mercado.


ALGODÃO

MERCADO NACIONAL MANTÉM TENDÊNCIA DE QUEDA

Rodrigo Ramos - [email protected]

A tendência de queda nas cotações do algodão vem se perpetuando nas últimas semanas no mercado brasileiro. “A demanda fraca tem sido o fator mais impactante no preço da pluma, forçando- o para baixo”, destaca o analista de Safras & Mercado Rodrigo Neves. As indústrias têxteis brasileiras seguem operando com o volume de estoques muito abaixo do que de costume, fazendo compras pontuais, com o objetivo de suprir apenas a demanda da ponta: o consumidor final. “Esta ação da indústria reflete a expectativa da entrada da nova safra em maio e junho, onde o volume ofertado será cerca de 27% maior em relação à temporada anterior”, pondera.

Na safra 2013/14 a oferta de pluma, a soma dos estoques iniciais com a produção desta temporada, deve alcançar aproximadamente 1 milhão de toneladas em Mato Grosso, aumento de 14% em relação à safra passada. O principal responsável é o incremento de 31,4% na produção, para 902,5 mil toneladas, ante 687 mil toneladas. Já a demanda total deve subir 7,7%, a 839 mil toneladas, mesmo com a diminuição no consumo interno. “O carro- chefe do aumento da demanda deve ser as exportações, pois as mesmas podem crescer 35,5%, somando 381,8 mil toneladas”, explica. “A tendência é de a oferta ter um crescimento acima da demanda, o que impacta negativamente o preço e gera um aumento no volume de estoques nacionais”. As exportações somaram 12,7 mil toneladas até a terceira semana de abril, e a receita US$ 24,7 milhões. O preço médio é de US$ 1.944/t. Na comparação a março, houve recuo de 20,8% na média diária de receita e de 22,4% no volume. O preço avançou 2,2%. Comparado o mesmo mês do ano que passou, há redução de 32,8% na receita, recuo de 34,3% no volume e ganho de 2,2% no preço.


CAFÉ

TEMORES COM QUEBRA DE SAFRA BRASILEIRA MANTÊM TURBULÊNCIA

Lessandro Carvalho - [email protected]

A forte, incrível para alguns, volatilidade se manteve ao longo do mês de abril como destaque no mercado internacional do café. A Bolsa de Nova York tradicionalmente é marcada pela montanharussa, por ser volátil. Mas, tanto assim, fazia muito tempo não se via. E a explicação vem da quebra da safra brasileira de 2014, que começa a ser colhida em maio. Os meses de janeiro e fevereiro mais quentes e secos em décadas no cinturão cafeeiro trouxeram fortes perdas nas lavouras, e os preços internacionais vêm subindo, refletindo as preocupações com redução nos estoques globais.

No fechamento de 22 de abril em NY, as cotações dispararam e atingiram os patamares mais elevados em 26 meses, diante da estimativa de uma trading apontando a safra brasileira na faixa de 45 milhões de sacas, quando o mercado esperava inicialmente para este ano uma produção de bem mais de 50 milhões. Com este ganho do dia 22, quando o contrato julho fechou a US$ 2,11 à libra-peso (ou 211,80 centavos de dólar por libra), o arábica acumulava alta no ano de 84%, tendo a cotação fechado 2013 a US$ 1,15 à libra-peso. A cada novo número com estimativa da produção, o volume que será colhido parece mais decepcionante.

Só que o movimento de alta não é constante na bolsa, há quedas associadas à realização de lucros de fundos e de especuladores e correções técnicas, que determinam subidas e descidas assustadoras dentro de um mesmo pregão em NY. Para o comércio no Brasil, que acompanha a bolsa, ficam confusas as negociações e em muitos dias o que se vê é a postura defensiva de produtores (que esperam por altas até o fechamento do dia na bolsa) e compradores (que torcem por reversões e quedas nas realizações de lucros).


MILHO

MERCADO SEGUE LENTO, ATENTO À SAFRINHA E AO PLANTIO NOS EUA

Arno Baasch - [email protected]

O mercado brasileiro de milho permaneceu com um quadro de negócios bastante retraído até a segunda quinzena de abril. De acordo com o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari, a comercialização da safra verão segue lenta e a venda antecipada da safrinha 2014 também se mostrava pouco efetiva até então. “Apesar da colheita de verão estar em pleno andamento em muitos estados, o milho colhido vai sendo colocado nos armazéns, pois os vendedores aguardam algum indicador mais preciso que possa movimentar o mercado”, comenta.

Apesar dos temores quanto a um recuo significativo na segunda safra brasileira de milho, a área indicou queda de apenas 2,6% em relação à safrinha 2013, ficando em 7,788 milhões de hectares, por conta do cultivo recorde em GO e MS. “Esse cenário mais favorável deve contribuir para uma colheita de 42,25 milhões de toneladas de milho, ante as 40,7 milhões de toneladas previstas anteriormente, o que reforça a necessidade de um maior avanço na comercialização voltada à exportação”, avalia.

Ele lembra que apesar do plantio ter iniciado de forma mais lenta nos EUA, há um prazo até 30 de maio para sua conclusão. Além disso, a expectativa é de um clima normal ao plantio, o que poderia ampliar ainda mais a produção de milho americana, que caminha para um novo recorde. Salienta ainda que o Brasil precisará colocar ao menos 20 milhões de toneladas na exportação neste ano comercial para manter a oferta interna ajustada. No primeiro bimestre o País negociou apenas 1,62 milhão de toneladas e as perspectivas não se mostram muito animadoras para o País no cenário internacional. “No ano passado a demanda compradora teve o Brasil como um grande fornecedor em alternativa à baixa disponibilidade nos Estados Unidos, bem diferente das perspectivas visualizadas agora”, afirma. Apesar de ainda existirem variáveis climáticas importantes a serem consideradas nos próximos 90 dias, no Brasil e no mundo, se o País entrar na colheita da safrinha sem um bom escoamento programado na exportação, pode haver uma pressão muito forte no mercado interno em termos de preços, o que seria muito ruim para o cereal.