Agricultura Familiar

 

COMPOSTAGEM é solução eficiente para adubação

A compostagem pode ser usada para adubação de canteiros de horta, covas de frutíferas, vasos de flores e composição de substrato para plantio em bandejas ou sacolas plásticas

Antonio Minari Junior, técnico agrícola e instrutor do Senar/MS

Acompostagem é um processo aeróbico de transformação de restos vegetais e animais em adubo orgânico acessível a qualquer produtor e que pode fazer a diferença na agricultura familiar. O processo precisa de oxigênio para evitar apodrecimento dos materiais, o que empobreceria o produto final. O passo a passo para a obtenção de uma boa compostagem começa pela escolha do local, com o cuidado para não seja ponto de alagamento. Também pode ser em barracões ou varandas. O importante é que o local seja cercado para evitar o acesso de animais domésticos.

Os materiais a serem compostados podem variar, como estercos de animais (galinha, bovino, porco, ovelha, cavalo, cama de frango), capim triturado, palha de feijão, milho, arroz, soja, mandioca e rama de mandioca triturada, folhas de varredura de quintal, serrapilheira (material de deposição em matas e margens de rios) ou qualquer tipo de resíduo orgânico. O processo de montagem da composteira inicia com a limpeza do local, a céu aberto, e compactação do solo. A pilha deve ter em torno de 1,30 metro a 1,50 metro de largura e o comprimento de acordo com a quantidade de material disponível, que deve ser triturado ou moído, acelerando assim o processo de decomposição, pois, quanto menor a partícula do material, mais rápida é sua decomposição

Após o preparo da área, coloca-se a primeira camada, que deve ser sempre com capim ou restos vegetais. Posteriormente é preciso umedecê-la (sem encharcar). A segunda camada deve ser sempre de esterco, independente da origem, que deve ter a mesma espessura da primeira. É recomendado espalhar uma camada fina de calcário dolomítico sobre as camadas de esterco, o que ajuda a enriquecer o produto final e também a evitar mau cheiro exagerado no processo de transformação dos materiais.

Após a colocação do esterco e a camada fina de calcário, o próximo produto será de acordo com a disponibilidade. Se o produtor tiver quatro ou cinco produtos diferentes, deve colocar uma camada a cada vez e ao usar o último produto, recomeçar com o primeiro e dar sequência até o final. A compostagem poderá também ser enriquecida com adubo fosfatado de origem natural, como termo fosfato, fosfato de rocha, fosfato de Araxá, fosfato de Gafsa e de Arad. Terminada a montagem, cobrir com capim inteiro ou folhas de coqueiro ou de bananeira. A pilha não poderá ter mau cheiro, juntar moscas ou ter super aquecimento durante o processo, que deverá durar entre 60 e 90 dias. Para isso, depois de uma semana de concluída a montagem da pilha de materiais, inicia o monitoramento.

Uma barra de ferro ou cano galvanizado ou qualquer outro material de metal deverá ser cravado na vertical, no meio da pilha. Semanalmente deverá ser realizado o monitoramento da pilha para evitar perda na qualidade do produto final. Caso não esteja ocorrendo mau cheiro, moscas e aquecimento, a pilha não precisa ser revolvida, mas o acompanhamento deverá ser a cada dois dias.

Depois de pronta, a compostagem pode ser usada para adubação de canteiros, covas de frutíferas, vasos de flores, composição de substrato para plantio em bandejas ou sacolas plásticas ou ser levado para as minhocas transformarem em húmus. Essa é uma maneira inteligente de transformar em nutrientes para as plantas e proporcionar o equilíbrio físico, químico e biológico do solo a custo irrisório, através de produto feito na propriedade, utilizando materiais considerados como lixo, que seriam descartados ou até queimados, provocando danos ao meio ambiente. O produtor que quiser adotar uma medida ecologicamente correta de aproveitamento e transformação de palhas e restos de cultura tem na compostagem uma ótima alternativa de redução de custos de produção.


Na medida para a saúde de solo

O composto possui nutrientes minerais tais como nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio, enxofre que são assimilados em maior quantidade pelas raízes além de ferro, zinco, cobre, manganês, boro e outros que são absorvidos em quantidades menores e, por isto, denominados de micronutrientes. Quanto mais diversificados os materiais com os quais o composto é feito, maior será a variedade de nutrientes que poderá suprir. Os nutrientes do composto, ao contrário do que ocorre com os adubos sintéticos, são liberados lentamente, realizando a tão desejada “adubação de disponibilidade controlada”. Ou seja, fornecer composto às plantas é permitir que elas retirem os nutrientes de que precisam de acordo com as suas necessidades ao longo de um tempo maior do que teriam para aproveitar um adubo sintético e altamente solúvel, que é arrastado pelas águas das chuvas.

Outra importante contribuição do composto é que ele melhora a “saúde” do solo. A matéria orgânica compostada se liga às partículas (areia, limo e argila), formando pequenos grânulos que ajudam na retenção e drenagem da água e melhoram a aeração. Além disso, a presença de matéria orgânica no solo aumenta o número de minhocas, insetos e microorganismos desejáveis, o que reduz a incidência de doenças de plantas. Na agricultura agroecológica a compostagem tem como objetivo transformar a matéria vegetal muito fibrosa como palhada de cereais, capim já “passado”, sabugo de milho, cascas de café e arroz, em dois tipos de composto: um para ser incorporado nos primeiros centímetros de solo e outro para ser lançado sobre o solo, como uma cobertura. Esta cobertura se chama “mulche” e influencia positivamente as propriedades físicas, químicas e biológicas do solo.
Fonte: Planeta Orgânico