Tecnoshow Comigo

 

Feira goiana bate RECORDES

A Tecnoshow Comigo, promovida pela cooperativa Comigo, em abril, em Rio Verde/GO, movimentou mais de R$ 1,4 bilhão em negócios e foi visitada por 100 mil pessoas

Com mais de 100 mil visitantes e movimentação de negócio superior a R$ 1,4 bilhão, a Tecnoshow Comigo 2014, realizada no mês passado, em Rio Verde/GO, foi recorde com as duas marcas. Os negócios superaram em 56% os da edição de 2013 (de R$ 900 milhões) e em 18 mil àquele público. Já o número de expositores da feira promovida Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano (Comigo) reuniu 520 empresas e instituições de diversos segmentos, 20 a mais que no ano passado. A Tecnoshow se consolida assim como uma das principais feiras de tecnologia agrícola do Brasil e a se constitui como a maior da Região Centro-Oeste. A edição 2015 será realizada de 13 a 17 de abril, e o tema será “Rio Verde, palco das inovações energizantes do agronegócio brasileiro”

Espaço de conhecimento e difusão de tecnologia, a feira esteve repleta de novidades e lançamentos em máquinas, implementos e equipamentos agrícolas; in- Samuel Felipe sumos para pecuária e lavouras; além de informação por meio de palestras, dinâmicas, plots, entre outros meios. O objetivo foi oferecer ao produtor e ao visitante em geral a possibilidade de ampliar o conhecimento e conhecer o que existe de mais moderno em técnicas e tecnologias para o agro. “Foi uma surpresa agradável e isso é gratificante em todos os sentidos. Mostra que o produtor, o visitante e o expositor valorizam o evento. Cumprimos com o nosso objetivo em disponibilizar tecnologias e técnicas em diversas áreas da agricultura e pecuária”, ressaltou o presidente da Comigo, Antonio Chavaglia. “Já anunciamos a data da feira de 2015 para que todos, principalmente os expositores, possam se programar”.

Visitas, autoridades e demandas — Por ser um espaço de difusão de tecnologia, a Tecnoshow recebe, a cada edição, comitivas com visitantes de vários estados e países, além de autoridades. No dia da abertura, o governador de Goiás, Marconi Perillo, disse estar empenhado em resolver definitivamente a questão da demanda por energia no estado. Enfatizou que está em fase de conclusão o acordo de acionistas com a Eletrobrás que prevê investimentos de R$ 1 bilhão nos próximos dois anos. Na solenidade, Chavaglia ressaltou a força do agronegócio e lembrou as dificuldades que os produtores estão enfrentando em função de deficiências de infraestrutura para escoamento. O dirigente fez duras críticas à ação do Governo Federal de não adotar políticas públicas que estimulem o agronegócio nacional. Citou ainda os altos custos que o produtor tem no combate às pragas e adoção de novas tecnologias, elevando acentuadamente os custos. “Nesse cenário, ainda somos obrigados a pagar impostos elevados e viver num contexto de falta de segurança jurídica no País”, reclamou.

O presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Márcio Lopes de Freitas, avaliou que a feira é uma referência nacional e retrata com perfeiA GRANJA | 45 ção a força do agronegócio brasileiro. Ele criticou a elevada carga tributária que prejudica acentuadamente o produtor. José Mario Schreiner, presidente da Federação da Agricultura de Goiás (Faeg), ressaltou a evolução da produtividade do setor. “Somos o setor mais moderno da economia brasileira e evoluímos a cada dia que passa, oferecendo produtos de alta qualidade e a preços acessíveis. Na contramão desse crescimento do agronegócio nacional aparece a logística do País, com problemas graves na oferta de energia e sem estradas e ferrovias de qualidade”, disse.

O ministro da Agricultura, Neri Geller, reconheceu como justas as reivindicações feitas pelas autoridades e enumerou as conquistas do setor, principalmente no que se refere ao atual Plano de Safra, que, segundo ele, dá ao produtor a garantia de financiamentos na ordem de R$ 6 bilhões, com taxa de juros mais acessíveis. “O Governo também está disponibilizando R$ 500 milhões para compra de equipamentos de irrigação”, lembrou. Sobre as dificuldades que a região vem encontrando por causa de deficiências da Companhia Energética de Goiás (Celg) no fornecimento de energia para as propriedades rurais, o ministro prometeu interceder junto à Eletrobrás para ajudar a resolver o problema.

Difusão de conhecimentos — Em cinco dias, 6 mil pessoas participaram de cerca de 60 palestras realizadas nos auditórios da feira, Casa da Embrapa e estandes de empresas e instituições. Foram destaques temas como etanol de milho; erros, acertos e desafios no manejo de lagartas na cultura da soja; perspectivas para os mercados domésticos e internacionais de soja e milho; os desafios do agronegócio nos próximos dez anos; sucessão familiar, o clima e a agricultura, entre tantos outros. A possibilidade de o milho alcançar viabilidade econômica como fonte de matéria prima para a produção de etanol no Brasil foi tema de palestra ministrada por profissionais e pesquisadores que atuam no setor há vários anos. Já o consultor e sócio diretor da Agroconsult, André Pessoa, discorreu sobre as tendências mundiais para o mercado de grãos, as intercorrências que podem alterar este cenário e a perspectiva de crescimento tanto de Goiás, quanto do Brasil e do mundo. De acordo com ele, o Centro-Oeste é há alguns anos o maior produtor de grãos do Brasil, considerado um dos “grandes celeiros do mundo”, e deverá expandir a produção de soja e milho safrinha nos próximos 20 anos.

Chavaglia, presidente da Comigo: a feira cumpriu com o objetivo em disponibilizar tecnologias e técnicas ao produtor em diversas áreas da agricultura e da pecuária

Com o tema “Os desafios do agronegócio para os próximos dez anos”, o publicitário e jornalista José Luiz Tejon defendeu, de forma descontraída, a necessidade de superação, cooperativismo e interpretação crítica das informações por parte dos produtores, em um cenário de intensas inovações tecnológicas e crescente demanda dos consumidores finais no País e no mundo. “É importante caminhar cada vez mais para o conceito de agrossociedade, um passo além do agronegócio”, enfatizou. Com uma trajetória extensa, que inclui especialização em Agribusiness em Harvard, direção de Agronegócios da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM/USP) e autoria de vários livros, Tejon ressaltou que não há chances de existência para o agricultor sem exemplos concretos de associação e cooperativismo. “Fora das cooperativas não haverá possibilidade de futuro nessa nova orquestração do agronegócio”.

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