Global Agribusiness Forum

 

RUMOS do agronegócio mundial em discussão

O Global Agribusiness Forum reuniu mais de 1.100 líderes e autoridades de 43 países para debater a agricultura e pecuária no contexto das demandas globais por alimentos

O Global Agribusiness Forum (GAF14), evento realizado em São Paulo, no final de março, integrou produtores e consumidores, buscou meios de agregar valor à produção e aumentar a produtividade, e debateu como garantir o suprimento de alimentos para um mundo com demanda crescente. A cadeia de valor da agricultura e pecuária mundiais foi representada oficialmente através da presença dos mais de 1.100 líderes e autoridades de mais de 43 países, e dos mais de 100 parceiros do GAF14, incluindo a iniciativa privada, governos, associações, entidades, universidades, ONGs e veículos de comunicação. Com transmissão ao vivo pelo Canal Rural e internet, o GAF14 atingiu mais de 35 mil espectadores.

Um dos principais temas abordados no evento foi o desafio de alimentar o mundo nas décadas futuras. Projeções da ONU indicam que a população mundial vai crescer dos atuais 7 bilhões para 8 bilhões de pessoas em 2030, e exceder 9 bilhões em 2050. A maior parte deste crescimento deve ocorrer em locais onde a renda per capita está em crescimento. O aumento da renda leva a um consumo maior de alimentos que Divulgação precisam de mais recursos para serem produzidos, como proteínas e laticínios. Assim, o aumento da renda per capita age como efeito multiplicador do aumento de população. Com a demanda por produtos agrícolas praticamente garantida, o agronegócio encontra no crescimento populacional e de renda uma das maiores oportunidades para seu desenvolvimento, e uma série de desafios para cumprimento efetivo de sua função social de prover alimentos.

Um dos mais complexos obstáculos a serem vencidos tem relação com acordos entre países, necessários para assegurar o abastecimento de produtos agrícolas de qualidade no futuro. O diretor geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), o embaixador brasileiro Roberto Azevêdo, debatedor principal do encontro, reconheceu a importância do assunto, e continuará a manter ainda em negociação internacional questões pertinentes à Rodada de Doha que incluem subsídios agrícolas, tarifas sobre bens industriais, e barreiras ao comércio de serviços. Estes são pontos especialmente difíceis para que se obtenha um consenso, pois várias questões estão entrelaçadas com fatores políticos internos em muitos dos 159 países da OMC. Um eventual acordo entre países-integrantes será um estímulo para o crescimento do agronegócio em todo o mundo.

Bases para o crescimento — Especialistas, autoridades e líderes de negócios concluíram que o incremento de produção de alimentos e a intensificação do comércio internacional deverão também estar em linha com as exigências de sustentabilidade ambiental e social, que representam por si só um desafio à parte. Neste contexto, o papel dos governos será de regular a expansão da produção agropecuária, oferecendo estímulos aos investimentos e, ao mesmo tempo, promovendo meios encorajadores de uso sustentável dos recursos naturais. É certo que uma boa base legal que gere segurança jurídica certamente é pré-requisito para a continuidade do desenvolvimento do setor e um dos pontos chave para manter atrativos os investimentos.

Outro debatedor principal do evento, Abilio Diniz, presidente do conselho da BRF Brasil Foods, ressaltou que gestão, treinamento e motivação são essenciais para o sucesso e manutenção da competitividade. Sabe-se que investimento em qualificação de pessoas e novas tecnologias são ao menos parte da resposta para os entraves ao desenvolvimento do agronegócio no mundo, que incluem melhorias em rastreabilidade, boas práticas de produção, segurança alimentar e aproveitamento de resíduos.

Agricultura e energia — A agricultura hoje não se limita a apenas produzir alimentos, mas contribui também com energia renovável. Nas últimas três décadas, a agricultura energética se desenvolveu de forma acelerada e complementar à agricultura alimentar. Os biocombustíveis tiveram expressivo aumento de produção em particular na primeira década deste século, quando a produção mundial passou de cerca de 30 bilhões para 126 bilhões de litros por ano, deixando de ser considerada uma iniciativa exótica.

biometano, gerado pela biodigestão de resíduos agrícolas, talvez seja o maior break-through recente na área de biocombustíveis, pela sua grande capacidade de produzir energia e de matéria orgânica, facilitando a recuperação da qualidade, acelerando o processo de construção de solos. A geração de biogás pode contribuir para a geração descentralizada de bioeletricidade, e a substituição de diesel fóssil, sendo considerada uma fonte de energia dropin, pronta para ser incorporada aos sistemas já existentes de distribuição de gás natural.

Especialistas do GAF14 acreditam que a demanda por biocombustíveis produzidos de forma sustentável vai continuar em expansão em todo o mundo. No Brasil, o mercado de combustíveis do ciclo Otto cresce a uma taxa bem acima da expansão do PIB, o que deve estimular novos investimentos na produção, apesar do Governo ainda não reconhecer o potencial do etanol em sua plenitude. Um avanço na conscientização sobre as vantagens de biocombustíveis ainda é necessário.

Algumas conclusões — Os debates durante o GAF14 levaram a conclusões sobre quais diretrizes devem ser adotadas para a continuidade do desenvolvimento do setor como um todo, bem como para o cumprimento da função social de alimentar o mundo respeitando critérios de sustentabilidade e preservação do meio ambiente. Um dos principais pontos é a necessidade de implementação de políticas que estimulem maiores investimentos em pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias, que permitam contínuo aumento da produtividade agropecuária e agroindustrial, assim como maiores investimentos em infraestrutura de armazenagem, transportes, distribuição e embarque, que permitam a redução dos elevados níveis atuais de custos e perdas.

Recomendou-se que governos devem adotar políticas públicas na área agrícola estimulando o investimento em P&D, e a disseminação de novas tecnologias e investimento em infraestrutura, reduzindo custos ao produtor e o preço aos consumidores. A regulação deve garantir a manutenção de elevados padrões de controle sanitário e a segurança jurídica, fundamental para viabilizar investimentos, incentivando o atingimento de metas de sustentabilidade e de preservação do meio ambiente.