Notícias da Argentina


LEITE: QUESTÃO DELICADA

A situação é bastante complicada, e a desorientação é geral. Os produtores de leite dizem que estão indefesos diante da alta dos custos, da desvalorização da moeda e da crescente inflação. Para piorar, a dívida é grande e os preços pagos pela produção não permitem uma mudança no cenário. Segundo os produtores, um valor ideal para retomar os custos seria de 3 pesos por litro e de 3,50 pesos para dar um mínimo de oxigênio à atividade – US$ 0,375 e US$ 0,437, no câmbio oficial, e US$ 0,272 e US$ 0,318, no câmbio paralelo, respectivamente. O valor é muito acima do que recebem hoje – 2,40 pesos por litro. Na opinião dos pecuaristas, a indústria sabe que a produção de leite nas propriedades não pode parar e, por isso, não se esforça em pagar mais. No entanto, há indícios de que as empresas líderes não estejam em boas condições financeiras, apesar dos bons preços internacionais e dos volumes exportados.


CLIMA: MAIOR ARIDEZ

O trabalho de pesquisadores do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA) e do Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas (Conicet) publicado na revista Nature demonstra que as variações das temperaturas do planeta afetam o ciclo de três nutrientes – carbono (C), fósforo (P) e nitrogênio (N) – fundamentais para as plantas e para os organismos que as habitam. Uma das conclusões é que, até o final do século XXI, aumentará o número de zonas áridas e semiáridas, o que poderá provocar um desequilíbrio nos ciclos de C, N e P, com um efeito alarmante nos serviços ecossistêmicos.


SOJA: UM JOGO DE XADREZ

A cotação da soja vem apresentando alta, como uma consequência dos contratempos climáticos na América do Sul. No entanto, esse movimento não vai se perder de vista, já que os preços da oleaginosa em Chicago seguem tendo um comportamento inverso devido à evolução cronológica no Hemisfério Norte. Em um contexto normal, os preços do final de fevereiro configuraram uma oportunidade de venda para o produtor argentino. Mas a situação ficou longe de se confirmar. O Governo tem conseguido controlar momentaneamente o dólar, mas não modifica os problemas subjacentes. Há quem diga que se os gastos não reduzirem em maio, será necessária uma nova movimentação na paridade oficial. Essa expectativa gera uma importante incerteza. É uma jogada de xadrez que desafia o produtor argentino na hora de vender a sua colheita. O aconselhável será considerar uma série de números e tratar de acertar o momento em que a combinação seja razoável.


TRIGO

O Governo liberou a segunda cota de 500 mil toneladas dentro de 1,5 milhão de toneladas que foram autorizadas para exportação esse ano. Entre os produtores, a percepção é de que as vendas externas poderiam ser maiores.


SOJA

A Bolsa de Cereais de Buenos Aires indicou em seu último informe que espera uma colheita em torno de 54,5 milhões de toneladas para a oleaginosa no país.


LEITE

Com preços abaixo dos custos em muitos casos, os produtores estão recebendo pelo litro US$ 0,31 (dólar oficial) ou US$ 0,23 (dólar paralelo), o que é totalmente insuficiente para a sustentabilidade da atividade.


CARNE

Os preços do quilo do novilho superprecoce (categoria estrela) estão ao redor de US$ 2,02 (dólar oficial) e de US$ 1,50 (dólar paralelo). O terneiro tem valores parecidos e o novilho se mantém um pouco mais abaixo (US$ 1,87 e US$ 1,36, respectivamente).