Agricultura Familiar

 

EXPOAGRO AFUBRA expõe multi-alternativas

Por três dias, no final de março, o endereço da capital da agricultura familiar brasileira foi a BR 471, km 143, distrito de Rincão del Rey, Rio Pardo/RS. No local, ocorreu a 14ª edição da Expoagro Afubra, feira que reúne instituições públicas de pesquisa, entidades classistas e empresas de pequeno a grande porte que difundem tecnologia e técnicas voltadas à produção da pequena propriedade. Além da exposição, o evento promovido pela Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) promove uma série de palestras e debates de temas relevantes aos agricultores. Nesta edição, a importância econômica e social da diversificação da propriedade foi um dos assuntos que mereceu atenção especial. O presidente da Afubra, Benício Werner, menciona o quanto é fundamental ao produtor trabalhar na propriedade com alternativas: “Estamos abrindo a Expoagro motivados a incentivar e fomentar a diversificação de atividades no meio rural, mas cientes de tratar-se de tema complexo”.

O 6º Fórum de Diversificação e Atividades Rurais da Expoagro Afubra propôs o debate sobre as vantagens da diversidade e da renda na agricultura familiar da região, que é uma grande produtora de tabaco. O secretário estadual da Agricultura, Pecuária e Agronegócio, Claudio Fioreze, lembrou que o tabaco ocupa menos de 15% do espaço territorial das propriedades, que são diversificadas. “Os produtores familiares são também os guardiões das florestas e do meio ambiente”, salientou. “No território gaúcho, a diversidade é fundamental para o desenvolvimento, e o ideal é haver atividades vegetais e animais consorciadas na mesma propriedade.” Já o secretário de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo do Rio Grande do Sul, Elton Scapini, destacou que agricultura familiar não é apenas um negócio, mas sim o espaço de vida das famílias. “As ações que agregam valor são aquelas que estimulam a permanência dos jovens na propriedade”, disse. “Cruzando dados do último censo, vemos que um terço das propriedades não terá sucessor”.

A Secretaria da Agricultura inclusive assinou um termo de cooperação técnica com diversas entidades para que atuem, de forma conjunta, no estímulo do plantio de grãos, especialmente milho e feijão, após a colheita do tabaco. De acordo com Fioreze, o termo estabelecerá o compromisso dos envolvidos na promoção da iniciativa, capaz de diversificar e aumentar a renda dos fumicultores. “A terra fica ociosa depois da colheita do fumo e com um volume considerável de nutrientes no solo. Então, temos que aproveitar e explorar uma outra cultura para que tenhamos mais produção e mais renda”, explicou o secretário. Ele também defende investimentos em irrigação, já que os equipamentos podem e devem ser utilizados tanto para o tabaco como para as lavouras de grãos. “Isso aumenta a produção, a produtividade e a qualidade dos produtos”, argumentou.

A Embrapa também propôs alternativas para a diversificação. A instituição apresentou tecnologias que podem oferecer ao agricultor alternatiA GRANJA | 75 vas viáveis e sustentáveis. Como as pesquisas voltadas à agroenergia, pela disponibilidade de cultivares de cana adaptadas ao estado. Ou o sorgo sacarino BRS 506 e BRS 511 e o girassol BRS 324. A Embrapa ainda apresentou variedades de culturas que podem gerar renda alternativa, como de hortaliças, batata-doce e batata branca, abóbora, feijão comum e arroz. Já a unidade Uva e Vinho da Embrapa apresentou o cultivo de uvas como uma alternativa aos familiares. No parreiral demonstrativo, os visitantes puderam conhecer as técnicas mais recomendadas para o início da produção de uva, desde a escolha da área, preparo do solo, estrutura e, principalmente, o cuidado na seleção das variedades mais adequadas à região e a aquisição de material vegetativo (porta- enxertos, gemas e mudas) de qualidade.

Extensão e assistência técnica — Um evento como a Expoagro Afubra permite a instituições como Emater divulgar o trabalho de extensão e assistência técnica no atacado. Foram dezenas de atividades promovidas para divulgar os mais variados assuntos de interesse direto do pequeno produtor. A instituição promoveu, inclusive, a sétima edição do Seminário Regional de Turismo Rural, que abordou os desafios e as perspectivas desta alternativa de renda. Foi apresentada a experiência do roteiro Raízes Coloniais de Gramado, e os interessados ouviram sobre a experiência de organização e execução do roteiro da cidade serrana apresentado pelo casal de agricultores Paulo e Zulmira Foss e pelo extensionista da Emater Alexandre Meneguzzo. “Quando as pessoas chegam nos roteiros rurais, elas querem ver como as pessoas daquele lugar vivem, querem produtos daquela região. Por isso, a Emater estimula o turismo rural por meio da assistência técnica, para viabilizar a organização das comunidades envolvidas”, descreveu o técnico da Emater José Claudio Secchi Motta.

Uma das alternativas de renda demonstradas pela Emater foi a produção de morangos no sistema de substrato a partir de uma área demonstrativa de cultivo protegido em estufa. A produção em substrato permite o cultivo em locais protegidos, como estufas e até mesmo nas residências, podendo dispor as plantas em bancadas e prateleiras, o que facilita o trabalho do agricultor, pois ele não precisa se abaixar para mexer nos canteiros. Além disso, a planta pode ser mantida por mais de um ciclo, e o período de plantio e o de colheita são mais longos. Após o plantio das mudas, a planta leva entre 45 e 60 dias para começar a produzir. Outro fator que colabora com a produção é a implantação de um sistema de irrigação por gotejamento, como relatou o engenheiro agrônomo da Emater Farias Martins. “O sistema de irrigação por gotejamento proporciona a quantidade ideal de umidade para a planta e não molha a folha. Com isso o risco de doenças fúngicas é muito menor.”