Agribusiness

 

TRIGO

Juliana Winge - [email protected]

INÍCIO DA COLHEITA DA SAFRA DE VERÃO MANTÉM LENTIDÃO NA COMERCIALIZAÇÃO

Os moinhos não demonstram interesse em novas aquisições de trigo doméstico, pois estão abastecidos e aguardam o recebimento das cargas do produto importado. Os produtores já concentram as atenções na colheita de soja. Com isso, o interesse de venda de trigo também é reduzido. No Rio Grande do Sul a dinâmica de comercialização não é muito diferente. A indústria local está abastecida do trigo ofertado no estado e indica preços entre R$ 560 e R$ 570 a tonelada, acumulando uma queda semanal média de 1,8,% e de 5,83% em relação ao mês anterior. Os vendedores não têm demonstrado interesse em negociar aos níveis ofertados. A pedida fica entre R$ 580 e R$ 610 a tonelada. Isso mostra que os moinhos estão se balizando pela paridade de exportação, ponto a partir do qual seria mais interessante enviar ao exterior. Mas novas exportações não ocorrem porque o valor é inferior à base de venda interna.

Para as próximas semanas a tendência é de manutenção do ritmo lento. Do lado dos compradores, com a colheita da safra de verão avançando, existirá dificuldade em se conseguir caminhões para o transporte de trigo e, consequentemente, os fretes se elevarão. Os produtores estão focados na colheita da soja e tendem a deixar o cereal em segundo plano. Corrobora para isso a percepção que têm de que as cotações tendem a se elevar durante a entressafra.

A produção americana de trigo deverá subir de 2,13 bilhões para 2,16 bilhões de bushels entre 2013/14 e 2014/15. A previsão faz parte do quadro oficial resultante do Fórum Anual Outlook, USDA. O quadro confirma a projeção de queda na área plantada, de 56,2 milhões para 55,5 milhões de acres. O preço médio deverá recuar de US$ 6,80 para US$ 5,30 por bushel. A expectativa do USDA é que os estoques de passagem subam de 558 milhões para 587 milhões de bushels.


ARROZ

Rodrigo Ramos - [email protected]

PREÇO RECUA COM ENTRADA DA COLHEITA

O preço do cereal em casca no Rio Grande do Sul, principal referencial nacional, apresentava fraqueza ao final da primeira quinzena de fevereiro. "Isto acontece devido à entrada da colheita no sul do País", explica o analista de Safras & Mercado Eduardo Aquiles. No dia 13 de fevereiro o cereal gaúcho era cotado na média de R$ 36,03 por saca de 50 quilos do grão em casca, 1,4% abaixo do patamar de uma semana antes, a R$ 36,53. O quinto levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra brasileira 2013/14 indica produção de 12,515 milhões de toneladas, o que representa um acréscimo de 5,9% sobre 11,819 milhões de 2012/13. No quarto levantamento, eram esperadas 12,350 milhões de toneladas. A área plantada na temporada 2013/14 foi estimada em 2,372 milhões de hectares, ante 2,399 milhões semeados na safra 2012/13. A produtividade foi estimada em 5,275 mil quilos por hectare, superior em 7,1% aos 4,926 mil quilos na temporada anterior.

O Rio Grande do Sul, principal produtor, deve ter uma safra de 8,463 milhões de toneladas, avanço de 6,7%. A área prevista é de 1,107 milhão de hectares, ganho de 3,8% ante os 1,066 milhão de 2012/13, com rendimento esperado de 7.645 quilos/hectare, ante 7.438 quilos da anterior. Em Santa Catarina, a produção deverá avançar 4,1%, totalizando 1,067 milhão de toneladas. O estado é o segundo maior produtor. Para o Tocantins, em terceiro lugar, a Conab está estimando uma safra de 560,5 mil toneladas, ante 565,7 mil toneladas calculadas para 2012/13.


SOJA

Dylan Della Pasqua - [email protected]

ESTIAGEM SUSTENTA PREÇO DA OLEAGINOSA NO BRASIL

A estiagem que atingiu as regiões produtoras de soja entre o final de janeiro e o início de fevereiro deverá resultar em perdas no potencial produtivo das lavouras de Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. As previsões ainda indicam safra recorde, mas o número final deverá ficar abaixo das projeções mais otimistas. Na Bolsa de Mercadorias de Chicago os contratos com entrega em março atingiram no dia 18 de fevereiro os melhores níveis em cinco meses. A posição tinha preço próximo a US$ 13,50, acumulando uma alta de 5,5%. O desempenho é, até certo ponto, inesperado, tendo em vista a perspectiva de safra recorde na América do Sul. Mas a alta em Chicago tem mais dois componentes, além das preocupações com as lavouras brasileiras: a forte demanda e o aperto nos estoques dos Estados Unidos.

Desde setembro, os americanos comprometeram exportações superiores a 42 milhões de toneladas, número acima do projetado para toda a temporada comercial 2013/14. "As perdas de safra se avolumaram nas últimas semanas, em função do tempo majoritariamente seco e do forte calor dominante, envolvendo toda a Região Sul, o estado de São Paulo e partes de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul. O quadro foi satisfatório mesmo apenas no Mato Grosso, com resultados obtidos superiores às estimativas mais conservadoras e mais próximas de nossas estimativa", admite o analista de Safras & Mercado Flávio França Júnior. Institutos e empresas de consultoria já começam a revisar o número final da safra brasileira. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) cortou sua estimativa de 90,3 milhões para 90 milhões. Mas, para parte do mercado, a redução da Conab foi modesta. A empresa de consultoria alemã Oil World revisou de 89,5 milhões para 85 milhões.

Nas lavouras americanas, a primeira sinalização do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) aponta para aumento consistente na área a ser plantada com soja em 2014. Segundo técnicos do USDA, o plantio deverá ocupar 79,5 milhões de acres este ano. Em 2013, segundo o mais recente levantamento do departamento, a área plantada no ano passado foi de 76,5 milhões de acres. Na semana passada, o baseline do USDA, com dados compilados em novembro, indicavam área de 78 milhões de acres. Durante o Fórum Anual Outlook do USDA foi divulgada também projeção de que o preço médio em 2014/15 ficará em US$ 9,65 por bushel. Em 2013/14, o USDA indica preço entre US$ 11,95 e US$ 13,45.


ALGODÃO

Rodrigo Ramos - [email protected]

PLUMA MOSTRA FRAQUEZA COM ARREFECIMENTO DA DEMANDA

O mercado brasileiro de algodão em pluma vem operando com ligeiras quedas em suas indicações de preço. As indústrias estão melhor abastecidas com as compras realizadas nas últimas semanas de janeiro e fevereiro. "Isso tem feito o lado da demanda entrar com mais cautela no mercado, não aceitando os preços mais altos pedidos pelo lado da oferta", explica o analista de Safras & Mercado Élcio Bento. Já os produtores seguem focados no plantio e manejo da nova safra. A safra brasileira de algodão em pluma na temporada 2013/14 está estimada em 1,641 milhão de toneladas, avanço de 25,3% na comparação com 1,31 milhão de toneladas na safra 2012/13. Os números fazem parte do quinto levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra 2013/14, divulgado em 11 de fevereiro. No quarto levantamento, eram esperadas de 1,633 milhão de toneladas.

A produtividade das lavouras está estimada em 1.506 quilos de pluma por hectare, ante 1.465 quilos na temporada 2012/13, alta de 2,8%. A área plantada na temporada 2013/14 está estimada em 1,09 milhão de hectares, elevação de 21,9% na comparação com os 894,3 mil da safra passada. O Mato Grosso, principal produtor, deverá colher safra de 921,6 mil toneladas, número que representa avanço de 26% ante 2012/13, quando foram produzidas 731,3 mil toneladas. A Bahia, segundo maior produtor, deve colher 479 mil toneladas em pluma, elevação de 34,2% sobre 2012/13 (357 mil toneladas).

Goiás deverá ter uma safra 2013/ 14 de 78 mil toneladas, com acréscimo de 11% sobre 2012/13, que foi de 70,3 mil toneladas.


CAFÉ

Lessandro Carvalho - [email protected]

COMERCIALIZAÇÃO 2013/14 GANHA RITMO

A comercialização da safra de café do Brasil 2013/14 (julho/junho) chegou a 70% até o dia 7 de fevereiro, segundo Safras & Mercado. Os trabalhos estão avançados em relação ao ano passado, quando, até 31 de janeiro, 67% da safra 2012/13 estava comercializada. Há atraso em relação à média dos últimos cinco anos, quando 76% da produção normalmente já estava negociada. Em relação a dezembro, houve avanço de sete pontos percentuais na comercialização até 7 de fevereiro. Com isso, já foram comercializadas 36,95 milhões de sacas de 60 quilos, de uma safra de 52,9 milhões de sacas.

Segundo o analista de Safras Gil Barabach, os ganhos nas bolsas de futuros e a alta do dólar "semearam um terreno fecundo para os negócios no mercado físico brasileiro de café". "Os preços avançaram bem, o que estimulou os negócios", comenta. Inclusive os produtores que detêm opções de venda para março, a R$ 343, estão vendendo os seus cafés, acelerando as negociações, aproveitando a cotação atual no mercado, de R$ 350/360 a saca, não devendo exercer os títulos. "O produtor percebeu o bom momento e começou a dar mais dinâmica às suas vendas, o que acelerou o ritmo dos negócios. Além das vendas da safra 2013, também aproveitou para desovar o espólio de safras anteriores", observa Barabach. As cooperativas sulmineiras, que ainda tinham café da safra 2012/13 e anteriores, aproveitaram para se desfazer desses lotes, rejuvenescendo seus estoques, comenta o analista. Além disso, a receptividade e a agressividade da demanda também ajudaram para o andamento dos negócios. E os preços mais altos e o spread favorável à venda futura estimularam as negociações antecipadas, destaca. O arábica duro foi negociado de R$ 375 a R$ 390 a saca.


MILHO

Arno Baasch - [email protected]

CLIMA SECO MANTÉM MERCADO AQUECIDO EM PLENA COLHEITA

O mercado brasileiro de milho apresentava um período de grandes incertezas na segunda quinzena de fevereiro. Fugindo das condições tradicionais de pressão de oferta e de baixos preços no período, o quadro vivenciado era de cotações valorizadas e de incertezas tanto em relação à safra verão quanto em relação à safrinha. De acordo com o analista de Safras Paulo Molinari, a seca registrada em grande parte do Centro-Sul trouxe perdas irreversíveis à safra verão em muitas localidades. "Fica até mesmo difícil estipular quais são as perdas já registradas, tendo em vista que elas se acentuam a cada dia. No momento, podemos dizer que a situação é grave para as lavouras mais tardias de São Paulo e Minas Gerais e bastante preocupante no sul do Paraná", avalia.

Molinari ressalta que normalmente o verão se caracteriza pelo período de maior volume de chuvas do ano, gerando boas condições de umidade também para o outono, quando normalmente há um menor período de precipitações. Neste ano, porém, as lavouras de safrinha estão sendo plantadas em condições de estresse hídrico no solo e dependerão de um outono chuvoso para garantir uma boa produção. Entretanto, Molinari alerta que não é comum as regiões Sudeste e Centro-Oeste apresentarem chuvas acima do normal no outono de forma a compensar o déficit do verão. "A grande preocupação do mercado não está nos riscos de geada nos meses de junho ou julho, mas no regime de chuvas que poderá ser registrado em abril e maio, o que pode determinar até mesmo um recuo nas estimativas de plantio da safrinha", alerta.

Diante de um cenário de perdas na safra verão e de eventual menor produção na safrinha, as atenções do mercado se voltam para o estoque de passagem da safra 2013 para a safra 2014. "É preciso lembrar que o País atingiu um volume recorde de exportação no ano passado, de 26,16 milhões de toneladas, com uma sobra de 6,4 milhões. Este quadro certamente deixará a relação entre o mercado interno e a exportação neste ano bem mais ajustada frente à registrada em 2013, o que já explica as razões pelas quais os preços do milho se mostram bem aquecidos em todo o País mesmo em pleno período auge de colheita".