Florestas

 

Vantagens e OPORTUNIDADES da silvicultura brasileira

Edilson Batista de Oliveira, pesquisador da Embrapa Florestas

O plantio de florestas com fins produtivos tem atraído a atenção de produtores rurais. A matéria-prima de base florestal atende a diversos tipos de indústria, sendo as mais conhecidas as de papel e celulose e de madeira serrada. A geração de energia por meio de florestas plantadas e manejadas com este fim sempre serviu de base e continua crescendo, em especial no ramo siderúrgico, na secagem de grãos Luiz Costa e em fornos industriais, além, é claro, dos variados usos em residências e pequenos empreendimentos.

Este cenário torna propício aos produtores conhecer melhor o setor. As opções atualmente são muitas, tanto para aqueles que desejam investir em plantios homogêneos quanto em sistemas integrados de produção, sendo que esta opção tem se mostrado bastante interessante a produtores que pretendem diversificar sua produção sem, no entanto, abrir mão de sua vocação agrícola ou pecuária. No entanto, o conhecimento do mercado atual e futuro e o planejamento e o conhecimento do setor são fundamentais para que os produtores possam tomar a decisão correta sobre o investimento em plantios florestais.

O setor de florestas plantadas tem forte participação na economia nacional. A GRANJA | 63 Dados da Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas (Abraf) indicam que, em 2012, o valor bruto da produção (VBP) obtido pelo setor totalizou R$ 56,3 bilhões. Já os tributos arrecadados corresponderam a R$ 7,6 bilhões (0,5% da arrecadação nacional). O saldo da balança comercial da indústria nacional de base florestal foi na ordem de US$ 5,5 bilhões. O setor manteve 4,36 milhões de postos de trabalho, 621 mil diretos, 1,31 milhão indiretos e 2,42 milhões resultantes do efeito renda.

A expansão da base florestal brasileira é estimada em 10 milhões de hectares até 2025, com grande utilização de áreas já desmatadas e de baixa produtividade agropecuária. Pequenas e médias propriedades manterão papel crescente na cadeia da madeira, em zonas novas ou tradicionais, atuando em grande parte para o mercado local. Ainda há espaço para grandes projetos de plantação florestal, diferentemente do que ocorre em outros países grandes produtores. Destacam-se o forte espaço e a demanda para a expansão de sistemas de Integração Lavoura-Pecuária- Floresta (iLPF).

A silvicultura brasileira possui uma série de vantagens em relação à de outros países. Nossas condições edafoclimáticas são muito favoráveis à produtividade florestal e possibilitam ciclos de rotação mais curtos. O País possui plantações de espécies variadas, com diferentes idades e localizações. Existem diversos polos florestais com plantações, indústrias verticalizadas e mercados organizados. É uma cadeia bastante complexa, que envolve desde coleta de sementes, plantio e planejamento, mas o avanço tecnológico da silvicultura nacional é equiparável aos dos maiores países produtores. O Brasil dispõe de ótimo material genético, ferramentas computacionais para o planejamento e o manejo adequado e técnicas de manutenção florestal, como controle integrado de pragas.

Eventos — Um dos fóruns para conhecer melhor o setor acontece entre os dias 19 e 23 de maio de 2014: a III Semana Florestal Brasileira. O evento compreende o XVII Seminário de Atualização sobre Sistemas de Colheita de Madeira e Transporte Florestal e o III Encontro Brasileiro de Silvicultura, nos dias 19 e 20 de maio, em Campinas/SP, e a Expoforest/Feira Florestal Brasileira, de 21 a 23 de maio, em Mogi Guaçu/ SP. Tais eventos são uma oportunidade ímpar para conhecer o que há de ponta no setor florestal brasileiro. Os eventos técnicos, que dão início à semana, reúnem pesquisas e resultados expressivos da silvicultura brasileira. Já a Expoforest é a segunda maior feira dinâmica florestal do mundo e a primeira da América Latina, com cerca de 145 expositores na parte estática e 45 na parte dinâmica.

Um encontro como este visa, principalmente, preparar os profissionais do setor florestal, com base científica e tecnológica, para novos desafios, em especial o de manter o País em elevados patamares no mercado florestal mundial. Para isso, a programação conta com muitos "cases" do setor florestal, aliados a resultados de pesquisa. Estão previstos quatro blocos de assuntos. O primeiro vai tratar das atualidades e perspectivas da mecanização e automação na silvicultura, com palestras que vão abordar de riscos e benefícios, impactos da colheita no solo, silvicultura de precisão, entre outros. O segundo bloco vai trazer questões pertinentes à tomada de decisão na silvicultura, com palestras sobre melhoramento genético, nutrição, fatores hídricos e indicadores.

A manutenção de florestas e o manejo integrado de pragas serão temas do terceiro bloco, que vai enfocar de pragas de eucalipto e pínus, formigas (uma das pragas de maior interesse atualmente) e controle de plantas invasoras. No quarto bloco, os participantes do Encontro Brasileiro de Silvicultura se unem aos participantes do Seminário de Atualização sobre Sistemas de Colheita de Madeira e Transporte Florestal para discutir a Cadeia Produtiva da Madeira. Mercado, fomento, integração Lavoura-Pecuária-Floresta, formação de clusters, legislação e estímulos governamentais e perspectivas para o setor estarão em debate, levantando questões relevantes sobre o mercado atual e futuro.

Esperamos com este evento possa possibilitar não só o aumento do conhecimento, mas também a troca de experiências, aliando teoria e prática. Em seguida, os interessados terão uma grande oportunidade de conhecer na prática muito do que será falado no Encontro. A Expoforest/Feira Florestal Brasileira vai reunir cerca de 50 práticas de campo em sua parte dinâmica, que conta com cerca de 130 hectares. Caravanas de todo o País e até do exterior são esperadas, nessa que é a segunda maior feira dinâmica florestal do mundo.