Invasoras

Esforço por uma lavoura LIMPA

Manejo do produtor pode ajudar a deixar as plantas daninhas bem longe do cultivo

Denise Saueressig* [email protected]

Entre as 300 mil espécies de plantas existentes no mundo, de 1 mil a 2 mil são consideradas daninhas. "A competição dessas invasoras com os cultivos provocam perdas de rendimento e de qualidade, além das dificuldades na colheita, da reinfestação da área e da hospedagem de insetos e pragas", destaca o engenheiro agrônomo Mauro Antônio Rizzardi, professor da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade de Passo Fundo (UPF). Na soja, as perdas por plantas daninhas foram estimadas em 5% da lavoura na safra 2012/2013, o que representa um prejuízo de R$ 4,28 bilhões, considerando um preço de R$ 60 a saca.

Para abordar a importância da prevenção e do combate a plantas daninhas resistentes e de difícil controle, a DowAgroSciences promoveu, no mês passado, uma palestra com o professor Rizzardi, em Passo Fundo/RS. Ele abordou as dificuldades para controlar de forma eficiente espécies que têm preocupado especialmente produtores no Sul do País, como a buva, o azevém e o capim amargoso. "Uma planta de buva é capaz de gerar 200 mil sementes. Ainda podemos dizer que apenas uma planta da espécie por metro quadrado reduz em 8% o rendimento da lavoura", cita o especialista.

Produtor Pedro Beffart (à esquerda) e professor Mauro Rizzardi: buva requer manejo específico também antes do plantio da lavoura de inverno

Resistência — A partir dos anos 1990, além do desafio inerente a essas plantas, que têm maior facilidade de adaptação, alta capacidade reprodutiva e uma melhor reação a condições adversas, os produtores têm lidado com os casos de resistência dessas invasoras a diferentes Denise Saueressig herbicidas. Hoje, o caso mais conhecido é o do glifosato, que é o defensivo mais utilizado no combate às daninhas na soja. "A simplificação do manejo, a negligência na dessecação, o controle tardio em pós-emergência e a utilização de um único herbicida são algumas das causas da resistência", enumera Rizzardi.

Pela importância econômica do problema, é fundamental a adoção de práticas de manejo que ajudem a minimizar as perdas. "Precisamos ser proativos, adotando práticas antes que a resistência se instale", defende o engenheiro agrônomo. Uma das medidas que devem ser aplicadas, no caso da buva, é realizar o controle antes do plantio da cultura de inverno e não apenas antes do plantio da soja no verão. A prática vem sendo adotada pelo produtor Pedro Airton Beffart, que passou a enfrentar o problema a partir de 2002 na sua propriedade em Coqueiros do Sul/RS. "Antes usávamos apenas um mecanismo para o controle das daninhas, mas hoje precisamos de quatro, o que resultou em incremento nos custos de produção", relata.

A efetiva rotação, e não apenas a sucessão de culturas – cada vez mais comum devido à vantagem financeira da soja –, também é fundamental no manejo. "A rotação pode ajudar a diminuir em até 80% a infestação por buva", justifica o professor Rizzardi. O revezamento de mecanismos de controle e, no futuro, a alternância de tecnologias transgênicas cultivadas são outras medidas que podem minimizar a resistência das daninhas.

*A jornalista esteve em Passo Fundo a convite da DowAgroSciences


Primeira colheita da INTACTA RR2 PRO da Monsanto

A Monsanto levou um grupo de jornalistas a lavouras do norte do Paraná para apresentar na prática os primeiros resultados a campo da soja com a tecnologia Intacta RR2 PRO, lançada no Brasil em julho de 2013, e que combina três soluções: tolerância ao glifosato, resistência a lagartas e alta produtividade. A tecnologia é a primeira biotecnologia da empresa desenvolvida exclusivamente para fora dos Estados Unidos, apropriada à América do Sul, onde há incidência de lagartas. Segundo Guilherme Lobato, gerente de Biotecnologia Soja para Região Sul, a tecnologia protege a lavoura contra quatro importantes lagartas – da soja, das maçãs, falsa medideira, broca das axilas – e ainda no caso das lagartas do gênero Helicoverpa (incluindo a temível espécie armigera), promove a supressão (ou seja, taxa de mortalidade de 100% a lagartas pequenas e 95% a lagartas grandes).

Na atual safra, foi plantado 1,2 milhão de hectares de 38 variedades com o Intacta por 12 mil produtores. Na próxima, deverão ser 65 variedades e, em 2015/16, a previsão é que 106 cultivares estejam no mercado. A comitiva de jornalistas visitou dois produtores que usufruíram da tecnologia. Moacir Ferro, de Campo Mourão, plantou 18 variedades em campos experimentais (50 hectares). "Se observa que a tecnologia em si é vantajosa. Na área de Intacta é zero de inseticida até hoje", descreveu o produtor, que colheu 10% a mais. Na área sem o RR2 PRO, revelou, foram três aplicações. Já o produtor João Apoloni, no município de Quarto Centenário, conseguiu uma produtividade extraordinária de 83 sacas/hectare por meio da soja RR2 PRO em 600 hectares. A Monsanto, no entanto, ressalta a relevância do produtor reservar 20% da área para refúgio, ou seja, sem a tecnologia Intacta, para evitar que a longo prazo as lagartas se tornem resistentes.