Showtec

 

MATO GROSSO DO SUL expõe o que tem de melhor

Em Maracaju, a 18ª edição da feira realizada pela Fundação MS levou a 12 mil visitantes tecnologias e técnicas para lavouras e pastagens

Por três dias Maracaju foi a capital do agronegócio do Mato Grosso do Sul. O município sediou a 18ª edição do Showtec entre os dias 22 e 24 de janeiro. Algumas das principais empresas que geram produtos e serviços à agropecuária, assim como instituições públicas de pesquisa, apresentaram o que têm de melhor – e mais atualizado – a 12 mil visitantes, incluindo caravanas de 30 municípios. Ao todo, o evento distribuído por 16 hectares sediou 130 estandes. O Showtec é realizado pela Fundação MS e promovido por Sistema Famasul (Federação da Agricultura do Mato Grosso do Sul), Sistema OCB/ MS (Organização das Cooperativas Brasileiras) e Aprosoja/MS (Associação dos Produtores de Soja do Mato Grosso do Sul). A edição 2015 já está marcada para 21 a 23 de janeiro.

"O evento é o principal instrumento de difusão de novas tecnologias agropecuárias desenvolvidas pela Fundação MS e por institutos de pesquisa mais atuantes no Brasil e no mundo em torno da produção de alimentos e energia", destaca a organização da feira. Inúmeras foram as tecnologias e inovações apresentadas pelos expositores. Como, por exemplo, o Sistema de Informações Geográficas do Agronegócio de MS (Siga Web), mecanismo que auxilia o produtor na tomada de decisões sobre a melhor área e hora de plantio e colheita. De acordo com o presidente da Aprosoja/MS, Maurício Saito, um dos principais benefícios do sistema é permitir acesso às informações do Siga Web de forma municipalizada. "A personalização dos dados mostra ao usuário o mapeamento minucioso de cada região e assim o produtor Luiz Henrique/Fundação MS tem elementos para decidir a época de plantio e colheita de forma mais segura", afirma Saito.

Já a Embrapa apresentou aos sojicultores que têm intenção de antecipar a colheita – e assim fazer a safrinha de milho – a soja BRS 359 RR. Desenvolvida pela Embrapa e pela Fundação Meridional, a nova cultivar possui ciclo precoce e hábito de crescimento indeterminado. Segundo o supervisor de Implementação da Programação de Transferência de Tecnologia da Embrapa Agropecuária Oeste, Euclides Maranho, a variedade apresenta um bom potencial produtivo, sendo indicada para cultivos na região centro-sul do Mato Grosso do Sul. Atualmente, as sementes estão sendo multiplicadas, para que possam ser ofertadas ao produtor na próxima safra.

O evento recebeu 12 mil visitantes, incluindo caravanas de 30 municípios, que percorreram a feira que sediou 130 estandes

O tema "avanço tecnológico e a melhoria na gestão das unidades produtivas contribuem para um movimento de expansão de áreas então com baixo potencial" esteve em discussão na palestra ministrada pelo diretor executivo da Fundação MS, Renato Roscoe, no painel Expansão da Agricultura no Mato Grosso do Sul. Conforme ele, entre os fatores que determinam a expansão agrícola estão as demandas de mercado, disponibilidade natural, física, humana e social, infraestrutura, condições climáticas e de solo e logística, entre outros. Um dos maiores problemas para a expansão da agricultura no estado é a falta de mão de obra qualificada, afirmou. Mas, com a implantação de técnicas como o plantio direto, a agricultura do estado melhorou.

Roscoe também ressaltou que a integração lavoura-pecuária-floresta colabora no aproveitamento de água em solos arenosos e, desta forma, o produtor consegue integrar atividades que podem ser realizadas na mesma área. O dirigente destacou que o crescimento no estado das áreas de soja, em 11%, e milho, em 77%, entre os anos de 2009 e 2012, está diretamente ligado à aplicação de tecnologias implantadas nas lavouras pelos produtores. "Esse movimento intensifica o uso da terra em áreas geralmente ocupadas com pastagens, melhorando a rentabilidade, tendendo à sustentabilidade", avaliou.

Aumentar a produtividade da pecuária minimizando as perdas no período de seca é uma possibilidade por meio do consórcio de milho com capins. A técnica, muito utilizada por agricultores de grãos, é uma estratégia benéfica também para quem produz carne.

O assunto foi apresentado na palestra "Consórcio milho com capins: produção de carne", do engenheiro agrônomo Ademir Hugo Zimmer, da Embrapa Gado de Corte. Ele citou algumas técnicas de adubação dos sistemas, de produtividade animal e de grãos. De acordo com o pesquisador, os consórcios têm grande potencial para incrementar a produção de carne, pois são pastagens mais produtivas, sobretudo no período seco. "Mesmo no inverno, a técnica possibilita a alta produção de forragem e boa qualidade, com criação de seis a oito arrobas de gado por hectare, equivalente a carcaça do animal", exemplificou. Além disso, são áreas adicionais aos locais de pastagens de verão, o que resulta em ganhos de produção e produtividade.

90 sacas de soja por hectare — O Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb), que por meio do concurso Desafio de Máxima Produtividade de Soja tem desenvolvido técnicas para se gerar produtividades ao redor de 90 sacas da oleaginosa por hectare (quase o dobro da média nacional, de 47 sacas/ha), expôs algumas das estratégias na palestra do presidente do comitê, Orlando Martins. "O lucro líquido de quem produz em média 47 sacas/hectare é de R$ 800/ha. Esse valor pode triplicar com o aumento da produtividade", ilustrou Martins. No Desafio, que é um concurso entre produtores, os mais eficientes conseguiram ampliar em mais de 33% a produtividade. A edição da safra 2013/2014 tem mais de 500 áreas inscritas em 202 municípios de 17 estados. A meta para esse ano é alcançar 115 sacas/ha e, o que seria recorde.

Na edição passada, o vencedor foi um produtor do Paraná que produziu 110,55 sacas/ha. "Os agricultores do Mato Grosso do Sul precisam se envolver mais nesse projeto, para conseguirem benefícios no desafio", destaca.