24ª Abertura da Colheita do Arroz

 

Tempos de ESTABILIDADE e otimismo

A 24ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz, no Rio Grande do Sul, ilustrou o momento positivo pelo qual passa o segmento orizícola

Tradicional evento, em sua 24a edição, reuniu autoridades arrozeiras e políticas em Mostardas

A tradicional Abertura Oficial da Colheita do Arroz, realizada há 24 anos num município diferente do Rio Grande do Sul, sempre elucida a temperatura do momento do setor no estado que produz 68% da safra brasileira do cereal. E a edição 2014, realizada durante três dias no mês passado, no Parque Zé Terra, do Sindicato Rural de Mostardas/RS, revelou otimismo na esfera econômica, e ainda propôs alter- Camila Raposo Tradicional evento, em sua 24a edição, reuniu autoridades arrozeiras e políticas em Mostardas nativas para o produtor de arroz agregar renda, como as muitas possibilidades de rotacionar o cereal com soja e milho. O evento, que reuniu milhares de produtores, políticos, autoridades (inclusive de Brasília) e expositores de máquinas e insumos, é promovido pela Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) e apoiado por outras instituições da agricultura gaúcha.

Na solenidade de encerramento, 5 mil produtores, sob uma lona, ouviram considerações das autoridades. O presidente da Federarroz, Henrique Dornelles, saudou os produtores pelo momento favorável vivenciado pelo setor no estado, porém ressalvou que os preços, apesar de melhores em comparação às safras anteriores, ainda permanecem abaixo da expectativa do segmento. Dornelles também cobrou dos representanA GRANJA | 37 tes do Ministério da Agricultura mais agilidade na revisão do preço mínimo. "Temos os nossos preços vigiados pelo Governo Federal, mas não os custos de produção. Esta talvez seja a maior reivindicação de todo o agronegócio", destacou a liderança.

Neri Geller, secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, reconheceu que em 2013 não foi possível reajustar o preço mínimo, mas garantiu que a demanda será atendida. "Estamos trabalhando na proposta de ajuste", disse. O novo preço mínimo estaria para ser anunciado até o Plano Safra 2014/15, previsto para ser lançado em abril. A cadeia produtiva pede um valor adequado ao custo de produção, que gira entre R$ 28,30 e R$ 29,30, segundo o Irga, a Federação da Agricultura do RS (Farsul), o Cepea/Esalq e a própria Conab. A resistência à proposta estaria no Ministério da Fazenda. Segundo as lideranças setoriais, o reajuste do valor, congelado no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina desde janeiro de 2009 em R$ 25,80, é válido como segurança para o setor diante de uma política agrícola ainda frágil, em termos de comercialização.

O presidente do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Cláudio Pereira, ressaltou que atual safra é a segunda maior dos últimos anos no Rio Grande do Sul, mas com um diferencial em relação a muitas outras: as cotações estão mais altas. "Conseguimos recuperar os preços do arroz e queremos mantê-los elevados neste primeiro semestre", avaliou. "Isso foi possível graças a um esforço conjunto entre os governos estadual e Federal. Também investimos muito em tecnologia. A rotação de culturas, como é o caso do cultivo da soja e do milho em áreas de arroz, é outro avanço importante." O dirigente lembrou que o Rio Grande do Sul possui mais de 3 milhões de hectares cultiváveis de terras planas. "Por isso, o Irga tem investido muito na rotação de culturas que ajuda na manutenção dos preços e traz alternativas ao produtor. Não podemos pensar somente na lavoura de arroz, temos que pensar no produtor que está em cima dela."

Apoio oficial — Pelo terceiro ano consecutivo, a cadeia orizícola gaúcha tem motivos para comemorar. Além da expectativa de colheita de 8,5 milhões de toneladas na atual safra, a balança comercial brasileira tem sido positiva desde 2011 – condição que não se mantinha assim desde a safra 2008/2009. O secretário estadual da Agricultura, Luiz Fernando Mainardi, mencionou que o governo estadual, aliado ao setor produtivo, conseguiu encontrar a equação da estabilidade para o setor. E cita o apoio que levou à condição favorável. O primeiro, e mais emergencial, foi a ajuda do Governo Federal em 2011, quando, para equalizar a crise daquela safra, produzida pela superoferta (quase 9 milhões de toneladas) e pouca demanda, a União destinou ao estado R$ 1,2 bilhão para ajudar no escoamento. E, em função do endividamento dos produtores, houve aporte federal de mais de R$ 1,5 bilhão para renegociação das dívidas.

A Abertura Oficial é um evento de caráter político e econômico, mas também uma plataforma para a apresentação de tecnologias e técnicas. O Irga aproveitou para lançar três novas cultivares. A Irga 429 tem ciclo médio e apresenta colmos fortes, o que lhe confere boa resistência ao acamamento de plantas. É moderadamente resistente à brusone na folha, moderadamente suscetível à brusone da panícula e resistente à toxidez por ferro no solo. A Irga 430 tem ampla adaptação nas diferentes regiões do estado, apresenta bom desempenho, com média de 10.243 quilos/ hectare. É de ciclo precoce, moderadamente resistente à brusone na folha, moderadamente suscetível à brusone da panícula e resistente à toxidez por ferro. Já a Irga 424 RI, essencialmente derivada da Irga 424, apresenta resistência aos herbicidas do grupo químico das Imidazolinonas, uma alternativa de manejo para o controle do arroz vermelho.