Glauber em Campo

 

PRIORIDADES DA CADEIA DA SOJA PARA 2014

Glauber Silveira, engenheiro agrônomo, produtor e presidente da Aprosoja Brasil

As Câmaras Setoriais do Ministério da Agricultura têm por objetivo colocar todos os elos existentes no segmento soja em torno de uma mesa para discutir e traçar soluções para os desafios e as demandas da cadeia. No caso da soja, os elos estão alinhados e já foram traçados, para 2014, alguns temas como prioritários, sendo três os principais: política de defesa, seguro rural e biotecnologia. Não que outros temas não sejam importantes, como a logística e a nova legislação ambiental, mas devo frisar que a Câmara precisa se ater a assuntos pertinentes exclusivamente à soja e deixar as demandas e os desafios transversais para as câmaras temáticas. O foco dos membros da Câmara da Soja é realmente trabalhar e fazer com que a cultura tenha a importância que merece, com propostas e soluções que tragam benefícios reais para o setor.

O que facilita e fortalece as Câmaras se resume no fato de termos o peso de diversas entidades em prol de um mesmo objetivo. No caso da soja, temos as entidades mais importantes e atuantes do agronegócio nacional, como CNA, OCB, Acebra, Aiba, Aprosoja, Andef, Anda, Abiove, Anec, Banco do Brasil, além da presença da Embrapa e dos técnicos de secretarias do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Sendo assim, além dos pleitos serem encaminhados diretamente ao ministro da Agricultura, nada impede de os representantes saírem em busca de soluções junto a outros ministérios.

A Câmara da Soja criou diversos grupos de trabalho (GT), nos quais as entidades de interesse no tema se reúnem para fazer diagnósticos, buscar propostas e achar soluções. Um dos GTs criados trata do assunto classificação, que tem como meta encontrar uma solução para que se tenha maior transparência e padronização na forma de desconto. Outro GT criado foi o de seguro rural, que pretende reestruturar o marco legal e o modelo de seguro atual, para que ele realmente atenda a expectativa dos produtores e não simplesmente das seguradoras.

Mas, sem dúvida, um dos GTs mais importantes criados é o de defesa vegetal, afinal as pragas e doenças têm dado prejuízos que passam de R$ 20 bilhões nos últimos anos. Por isso, precisamos de uma política de defesa eficaz, com agilidade na liberação de novos princípios ativos, cultivares para o controle e manejo de pragas e doenças. Buscamos neste GT levar a cabo o projeto de uma nova lei de produtos fitossanitários, já construído e encaminhado à Casa Civil, além de trabalhar em uma proposta mais ampla, de um plano fitossanitário para a soja.

Outro GT crucial é o de biotecnologia, que buscará soluções que dêem tranquilidade ao uso dessa tecnologia no campo. O Brasil não tem mecanismos claros e eficiente de regulação de captura de valores sobre a propriedade intelectual em biotecnologia. E, sendo assim, é preciso promover um amplo debate, com especialistas no assunto, para que tenhamos uma biotecnologia que não escravize o produtor e que remunere a pesquisa.

Na última reunião, realizada no dia 17 de fevereiro, foi criado o GT de acompanhamento do Plano Safra. Nosso objetivo é buscar acompanhar e garantir que as políticas públicas e o recurso do Plano Safra cheguem no momento adequado. O trabalho do GT visa à eficiência na aplicação destes recursos, afinal, não podemos, de forma alguma, aceitar que um plano como o de armazenagem que disponibilizava R$ 5 bilhões no primeiro ano tenha tido tão baixa aplicabilidade em virtude da burocracia e de outros problemas. Desta forma, o que precisaremos fazer é identificar os gargalos e dar agilidade na aplicação do Plano Safra.

E não poderíamos deixar de tratar do tema pesquisa, o qual eu entendo ser importantíssimo. E, por isso, a Embrapa foi escolhida para coordenar os trabalhos do GT que trata do assunto. Será feito um amplo levantamento da situação atual da pesquisa e dos pontos fundamentais necessários para que se possa resgatar e promover melhorias na pesquisa nacional voltada para a soja. Afinal, nos últimos dez anos vimos nossa pesquisa ser desmontada e desmotivada e, com isso, os problemas de produtividade e de custos de produção se agravam.

Como podemos ver a Câmara Setorial da Soja é um fórum legítimo para levantar as demandas e propor soluções, auxiliando o Governo na tomada de decisão. Mas eu, em particular, discordo que tenhamos que ser apenas uma Câmara consultiva. Podemos e devemos fazer dela um fórum de ações conjuntas e que busque soluções e traga resultados para a cadeia, independente do Governo.