Agribusiness

 

TRIGO
SAFRA GAÚCHA TEM PROBLEMAS DE COMERCIALIZAÇÃO

Juliana Winge - [email protected]

A safra trigo do Rio Grande do Sul continua enfrentando problemas para ser comercializada. Em 2013, houve uma grande escassez do cereal no mercado nacional, a ponto de o Governo ter liberado a compra de 3 milhões de toneladas de fora do Mercosul, com isenção da Tarifa Externa Comum (TEC). Assim, os moinhos estão com seus estoques abastecidos. Além disso, a Argentina vai liberar 1,5 milhão de toneladas para exportação, o que deve dificultar ainda mais o escoamento do trigo gaúcho. O problema deste encalhe é que, a partir de fevereiro, os produtores começam a colher a safra de milho e de soja, e os armazéns gaúchos estão abarrotados com o trigo. Apenas 20% da safra de trigo 2013/14 foi comercializada.

Ainda no lado da oferta, em 2014 o Governo não contará com a munição dos estoques públicos. Diante deste quadro e considerando que 2014 será um ano de eleição presidencial (quando o Governo tende a impedir que elevações nos preços de alimentos resultem em inflação), a necessidade de comprar no Hemisfério Norte para garantir o abastecimento deve fazer com que a TEC seja isentada. Essa isenção, no entanto, deve ser pontual. Isso porque os preços atrativos levarão o Paraná e o Paraguai a fornecer uma safra cheia para os moinhos nacionais. Ao contrário do que ocorreu em 2013, se o clima favorecer, os primeiros lotes chegarão ao mercado na segunda quinzena de agosto. A expectativa é de que os triticultores paranaenses e paraguaios tenham uma janela interessante para negociar, pois a safra de 2014 da Argentina ingressa apenas em dezembro.


ARROZ
PERSPECTIVA DE BOA DEMANDA ELEVA PREÇO NO BRASIL

Rodrigo Ramos - [email protected]

A forte desvalorização do real frente ao dólar, que ocorre desde maio de 2013, tem favorecido o aumento das exportações do arroz . "Além disso, alguns acordos com governos de outros países também melhoram a expectativa de bons preços para 2014", aposta o analista de Safras & Mercado Eduardo Aquiles. No momento, a cotação média no Brasil está demonstrando justamente essa projeção de demanda significativa, pois, no caso do RS, que é o principal referencial de preços para o País, a cotação atual aponta valorização significativa, se comparado com mesmo período do ano passado. Contudo, em algumas regiões ainda se observa redução frente ao início de 2013, influenciado por fatores locais.

O ano comercial 2013/14 (março-fevereiro) teve, no início, ligeiro superávit comercial, que logo foi superado, apresentando, de abril a julho, quatro meses de déficit na balança, acumulando 175,4 mil toneladas negativas. "Entretanto, a escalada do dólar diante do real, iniciada em maio do ano passado, somada à redução da oferta no Mercosul no pós-colheita, diminuiu a pressão sobre os preços, favorecendo o aumento das vendas ao exterior", explica o analista. Assim, de agosto a dezembro o saldo da balança teve uma reviravolta, apontando superávit de 189,8 mil toneladas. No ano 2012/ 13, os principais destinos foram África, com 65%, Américas (28%) e Europa (7%). Porém, no acumulado de 2013/14, as Américas têm sido o principal destino, com 48%, seguidas da África (41%), Europa (10%) e Oriente Médio (1%). A expectativa para 2014 é que as vendas para países africanos e do Oriente Médio aumentem, ainda mais que Nigéria e Iraque fecharam acordos de compra.


SOJA
USDA REVISA SAFRA PARA MAIS DO QUE O ESPERADO PELO MERCADO

Dylan Della Pasqua - [email protected]

O relatório do USDA de janeiro trouxe aumento acima do esperado pelo mercado na produção de soja dos EUA em 2013. Mesmo assim, por conta de revisões para cima na demanda, os estoques permaneceram estáveis sobre dezembro. E foi nessa linha de pensamento, ou seja, mais produção sendo compensada por mais consumo, e influenciado pela forte valorização registrada no mercado de milho, que o impacto sobre as cotações na Bolsa de Chicago no dia da divulgação foi de alta.

A safra 2013/14 foi fechada pelo USDA em 89,51 milhões de toneladas, acima dos 88,67 milhões do relatório de dezembro e agora 8% superior aos 82,57 milhões da safra anterior. A área colhida ficou 0,3% maior e a produtividade avançou em 0,7%. Mas a projeção de demanda também cresceu 1%, com exportações passando de 40,14 milhões para 40,69 milhões de toneladas, e o processamento subindo de 45,99 milhões para 46,27 milhões. No primeiro caso, agora com incremento de 1% sobre 45,97 milhões anteriores, e no segundo, com +13% sobre 35,93 milhões de toneladas do ano anterior.

Com isso os estoques finais praticamente ficaram estáveis em 4,09 milhões de toneladas, salvo pequena variação pelas aproximações, se mantendo 7% acima de 3,82 milhões do estoque de ingresso, mas permanecendo abaixo da média histórica de 6,52 milhões de toneladas. Em nível mundial, destaque para o aumento de produção de 284,94 milhões para 286,83 milhões de toneladas, com ajustamentos para cima nas safras dos EUA e do Brasil (de 88 milhões para 89 milhões de toneladas), e dos estoques de 70,62 milhões 72,33 milhões.

A divulgação do volume de importações de soja no mês de dezembro pelo governo da China confirmou a expectativa de volume recorde histórico, tanto na posição mensal como no acumulado do ano. De acordo com o Ministério do Comércio, as internalizações de soja em grão durante o último mês do ano ficaram em 7,4 milhões de toneladas, volume superior em 23% a 6,03 milhões de toneladas anotados em novembro. No acumulado do ano passado as compras chinesas chegaram a 63,370 milhões de toneladas, superando em quase 9% ao recorde passado alcançado em 2012, de 58,383 milhões. Desse total, o volume adquirido de produto brasileiro foi de 32,252 milhões de toneladas, ou seja, 51% do total e 41% superior ao do ano anterior, que fechou em 22,886 milhões de toneladas, apenas com 39% de representatividade.


ALGODÃO
MERCADO INTERNO TEM BOA ALTA

Rodrigo Ramos - [email protected]

O mercado nacional de algodão em pluma operava no início da segunda quinzena de janeiro com firmeza em seus referenciais de preço. No Cif de São Paulo, a fibra estava cotada a R$ 2,24 por libra-peso no dia 21 de janeiro, apontando elevação de 1,3% frente ao fechamento da semana anterior. Esta foi a maior cotação do produto desde o dia 22 de agosto de 2013. Em comparação a mesmo momento do ano anterior, a alta era de 6,2%. Se comparado a mesmo período de 2013, o ganho acumulado chegava a 24,4%. "Preços internacionais e demanda pela fibra aquecida são fatores de sustentação", explica o analista de Safras & Mercado Guilherme Tresoldi. "A indústria têxtil volta aos poucos ao mercado, abastecendo seus estoques conforme suas necessidades", pondera o analista.

Pequenos lotes são vendidos, o que vem limitando a liquidez interna. "O que deixa os compradores em alerta é o fato de que 90% da safra 2012/13 do Mato Grosso já foi comercializada, o que traz mais suporte aos preços nacionais", frisa. Os produtores estão focados no plantio da nova safra, que anda em ritmo acelerado. "Neste cenário, as tradings entram com mais força no mercado, acreditando numa maré altista da fibra." As exportações da fibra seguem baixas. "Alem de o excedente doméstico estar baixo, preços nacionais mais atrativos que os externos têm feito a fibra ser comercializada internamente", destaca Tresoldi. Para as próximas semanas, ainda é esperada uma alta nas cotações nacionais, em vista da baixa oferta no período de entressafra. "Cotações internacionais em alta e dólar apreciado também devem dar suporte à pluma."


CAFÉ
COMERCIALIZAÇÃO DA SAFRA 2013/14 ATRASADA

Fábio Rübenich - [email protected]

A comercialização da safra de café do Brasil 2013/14 (julho/junho) chegou a 63% até 10 de janeiro. O dado faz parte do levantamento mensal de Safras & Mercado. Os trabalhos estão ligeiramente atrasados em relação ao ano retrasado, quando, até 31 de dezembro de 2012, 60% da safra 2012/13 estava comercializada. Há atraso em relação à média dos últimos cinco anos, que aponta que 70% da produção normalmente já está negociada no período. Em relação a novembro, houve avanço de oito pontos percentuais na comercialização. Com isso, já foram comercializadas 33,08 milhões de sacas de 60 quilos, tomando- se por base a estimativa de Safras & Mercado, de uma safra 2013/14 de café brasileira de 52,9 milhões de sacas. "O produtor tem dosado as vendas, mas sem deixar de aproveitar a melhora no preço. Evita, assim, comprometer grandes volumes, e ainda pode tirar proveito de uma eventual alta das cotações mais adiante.

Nesse sentido, não só está diluindo o risco de queda como também mantém a aposta em 2014. E se o mercado confirmar a mudança de seguir subindo, melhor ainda para o vendedor, que terá toda a safra 2014 para ser negociada. "Caso contrário, já garantiu um bom preço para seu produto", aponta o analista de Safras & Mercado Gil Barabach. A produção nacional (arábica e conilon) em 2014 deve ficar entre 46,53 milhões e 50,15 milhões de sacas do produto beneficiado. É o que aponta o 1º levantamento da safra 2014, realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e divulgado em janeiro. O resultado pode representar entre 5,4% de redução até 2% de crescimento, se comparado aos 49,15 milhões da safra anterior, considerados arábica e conilon.


MILHO
ESTOQUE DE PASSAGEM REGULADO PODE FAVORECER O PLANTIO DA SAFRINHA

Arno Baasch - [email protected]

O mercado brasileiro de milho se aproximava do final de janeiro confirmando um recuo na área plantada de verão da safra 2013/14. Segundo a mais recente estimativa de Safras & Mercado, deverão ser cultivados 5,056 milhões de hectares, o que representa queda de 14% ante os 5,877 milhões de hectares da primeira safra 2012/13. Segundo o analista Paulo Molinari, essa expectativa já era esperada pelo mercado, por conta da maior atratividade e rentabilidade obtida com a soja.

O fato novo é que as exportações brasileiras de milho foram muito favoráveis no último trimestre de 2013, fazendo com que o volume alcançado superasse a marca de 25 milhões de toneladas. "Ao contrário das perspectivas iniciais, o Brasil finalizou o último ano com estoques de passagem mais regulados, da ordem de 7 milhões de toneladas, e sem grandes excedentes de oferta em localidades importantes para a segunda safra de milho, como os estados de Mato Grosso e Goiás. Essa condição favoreceu uma recuperação dos preços e pode motivar o produtor a avaliar uma possibilidade de aumento na área de plantio da safrinha 2014 nestes estados, uma vez que a safra verão já foi definida", ressalta. Safras & Mercado estimou ainda que o Brasil deverá colher uma safra verão de 28,224 milhões de toneladas, aquém de 33,046 milhões de 2012/13. A produtividade média deve cair de 5.622 para 5.581 quilos por hectare.

Para a segunda safra, a perspectiva aponta uma queda de 6,6% na área, de 7,993 milhões para 7,465 milhões de hectares. Molinari ressalta que este percentual ainda poderá mudar diante do bom andamento da safra de soja, que tende a ser colhida entre fevereiro e março, oferecendo uma boa janela de plantio para o cereal. A produção de milho safrinha foi estimada em 41,301 milhões de toneladas, abaixo de 45,204 milhões da safrinha 2013. A produtividade tende a recuar de 5.655 quilos para 5.533 quilos/hectare. "Caso esses números sejam confirmados, o Brasil pode colher uma safra de milho na temporada 2013/14 de 75,582 milhões de toneladas, menor que a obtida na temporada passada, de 82,069 milhões, mas superior a 72,698 milhões na safra 2011/12", conclui.