Notícias da Argentina

GRÃOS: ENORME INCERTEZA

O final de 2013 foi marcado por temperaturas elevadíssimas e ausência de precipitações nas zonas de cultivo na Argentina, o que causou preocupação entre os produtores de milho e soja. A expectativa é de que as chuvas retornem. De qualquer forma, é do comportamento do clima que deverá ser desenhado o futuro dos preços. No começo de dezembro o mercado indicava uma megacolheita de soja para a América do Sul, o que, junto com a grande safra prevista para os Estados Unidos, provocaria um cenário baixista de preços especialmente para a soja. No entanto, o clima trouxe algumas surpresas. A partir de agora, é preciso aguardar os próximos acontecimentos para se ter uma ideia de como ficará o mercado.


AS IDAS E VINDAS DA CARNE

Há um fortalecimento nos valores do gado, mas não convém pensar que existe uma reação no mercado, mas sim que o comportamento dos preços é mérito de uma demanda firme. A opinião é do analista Ignacio Iriarte a respeito das últimas altas registradas nos valores do gado em pé. Para o especialista, o volume de oferta com que chegou ao fim o ano de 2013 é o maior em 46 meses. Uma informação importante relacionada à pecuária de corte diz respeito ao couro. O preço subiu 65% nos últimos meses e está 50% acima do que estava um ano atrás. "Como média, temos uma alta de 16% no novilho em pé. Enquanto isso, o valor do frango, que vinha bastante atrasado, tem registrado alta de 35%. A decisão foi baixar a produção, aumentar as exportações e promover um reajuste do preço atacadista do frango, coisa que pode ser feita por tratar-se de uma indústria concentrada e que tem linha direta com o governo", observa Iriarte.


BIOCOMBUSTÍVEIS

A Bolsa de Comércio de Rosário projetou o futuro do biodiesel argentino sobre a base de algumas hipóteses. No cenário otimista, a produção poderia chegar a 2 milhões de toneladas em 2014, o que implicaria uma queda de 18% sobre o ano de 2012 (2,4 milhões de toneladas), no melhor período que registrou a indústria de biodiesel do país. As exportações poderiam ficar em 613 mil toneladas, muito abaixo do recorde de 2011 (1,682 milhão de toneladas). Por outro lado, no cenário de expectativa em baixa, a produção do biocombustível alcançaria em 2014 ao redor de 1,8 milhão de toneladas, o que implicaria uma queda de quase 30% sobre os registros de 2012. Nesse caso, as exportações de 172 mil toneladas representariam apenas 10% do que foi embarcado no melhor ano para a indústria.


TRIGO

A estimativa é de que o saldo exportável não superará 3 milhões de toneladas, e o governo não mostra maior intenção de liberar as exportações. Oficialmente, a produção está em torno de 9 milhões de toneladas.


SOJA

O governo elevou a superfície plantada para 20,8 milhões de hectares. Para a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, a área é de 20,450 milhões de hectares.


LEITE

No campo, o produtor segue recebendo valores em torno de 2,30 pesos o litro (US$ 0,23 no mercado do dólar paralelo e US$ 0,50 no mercado do dólar oficial). Os preços não alcançam o necessário para recompor as dívidas do setor.


CARNE

Os preços do novilho jovem (animais entre 230 e 300 quilos), categoria emblemática nesse negócio, estão em torno de 12 pesos o quilo vivo. O valor equivale a US$ 1,20 no mercado do dólar paralelo e a US$ 1,86 no mercado oficial.


CUSTOS E DEMANDA

A julgar pelo estado das propriedades leiteiras, os volumes projetados para 2014 deveriam ser importantes, mesmo que agora o clima tenha semeado interrogações sobre os custos futuros da atividade. Ao mesmo tempo, resta saber se os preços ao produtor acompanharão o movimento de alta e se os produtores poderão recompor parte de suas dívidas. Ano após ano, os custos do leite no campo têm aumentado 37%. Os produtores acreditam que há razões objetivas para melhorar os preços, como a boa demanda e valores internacionais sustentados. Do lado da indústria, houve o anúncio de que no primeiro semestre de 2014 a capacidade diária de processamento será ampliada em até 3 milhões de litros de leite, o que leva a pensar em preços subindo no período entre fevereiro e março. Um legislador da província de Entre Rios afirmou que 2,80 pesos é o valor mínimo que um produtor deve cobrar pelo litro do leite.