Agricultura Familiar

 

MILHO & BRAQUIÁRIA funciona bem na pequena propriedade


Engenheiro agrônomo Gessi Ceccon, Dr. em Agricultura, analista na Embrapa Agropecuária Oeste, [email protected]

O cultivo consorciado é uma tecnologia bastante antiga em que duas ou mais espécies anuais e/ ou perenes convivem juntas durante todo ou parte de seu ciclo, com a finalidade de maximizar o uso da terra. Entre as culturas anuais, destacam-se os consórcios de milho com feijão, arroz Gessi Ceccon com melancia, milho com soja, dentre outros. O consórcio de milho com braquiária tem sido desenvolvido com a finalidade de produzir grãos de milho e pasto pela braquiária para alimentação de animais após a colheita do milho e também para proteção do solo contra a erosão causada pela chuva.

Devido aos reconhecidos benefícios do consórcio milho-braquiária, o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) tem realizado o Zoneamento Agrícola de Risco Climático. Neste, são indicados os municípios e os períodos de menor risco para semeadura do consórcio milho-braquiA GRANJA | 55 ária no Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais e Distrito Federal, onde o agricultor tem a oportunidade de obter recursos públicos para implantar a tecnologia de acordo com a estrutura e os objetivos do agricultor.

Na agricultura familiar, onde tem milho, pode ter braquiária, e é possível o cultivo consorciado de milho para venda da espiga verde em mercados locais, ou ainda o cultivo de milho para produção de silagem utilizada na alimentação de animais. Nessas duas modalidades de cultivo a retirada do milho é antecipada e, com isso, a braquiária tem mais tempo para produzir forragem para alimentação de animais ou palha para cobertura do solo.

Devido ao lançamento de milhos Bt (tolerante a insetos da ordem lepidoptera, como a lagarta-do-cartucho, a Spodoptera frugiperda) e milhos RR (resistente ao glifosato), na agricultura familiar o consórcio possibilita espaço para ocupar um mercado livre de transgênicos, utilizando sementes de milho convencional, que apresentam mesmo potencial produtivo, mas de menor custo para aquisição. Isto porque no cultivo consorciado pode haver a necessidade de aplicação de inseticida para controle de lagartas e percevejos, e não deve ser aplicado o herbicida glifosato no consórcio.

Forrageira para consórcio — Quando o consórcio é realizado para produção de grãos de milho e palha de braquiária para cobertura do solo, indica- se a Brachiaria ruziziensis, semeada em linhas intercaladas às linhas do milho, por ser o sistema mais econômico e eficiente de consórcio. As sementes da braquiária também podem ser distribuídas a lanço, imediatamente antes da semeadura do milho. Porém, com menor precisão no seu estabelecimento, pois a germinação das sementes depende da sua incorporação pelo revolvimento do solo na semeadura do milho e/ou da chuva após a semeadura.

Se o agricultor tem como objetivo a formação de pastagem permanente, indica-se uma cultivar de Brachiaria brizantha, B. decumbens ou uma cultivar de Panicum maximum. Neste caso, sugere-se a utilização de subdoses de herbicida específico para diminuir o crescimento inicial da forrageira e proporcionar boa produtividade do milho, e posterior formação da pastagem.

Na agricultura familiar o consórcio milho-braquiária pode proporcionar alimento de melhor qualidade para os animais, incrementando a produção de leite, uma atividade típica da agricultura familiar, e, neste caso, sem períodos de entressafra devido à alimentação do gado com silagem de milho e também com forragem da braquiária, obtendo assim mais lucro na atividade. Detalhes sobre a implantação do consórcio milho-braquiária podem sem obtidos no seguinte endereço: www.youtube.com/ watch?v=BNOQ3FzLS30