Florestas

 

EUCALIPTO, usos e ganhos na propriedade

Engenheiro florestal José Carlos Arthur Junior, doutor em Recursos Florestais, coordenador técnico do Programa de Silvicultura e Manejo do Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais, [email protected]

A integração lavoura-pecuáriafloresta tem como conceito obter numa mesma área a produção agrícola consorciada com o plantio de eucalipto e, posteriormente, pastagem com o plantio já mais desenvolvido

A diversificação da produção da pequena e da média propriedade rural é recomendável, pois o monocultivo pode até maximizar o lucro, no entanto, deixa dependente das flutuações de preço do mercado, o que pode resultar em anos muito rentáveis e outros de grandes prejuízos. Essa gangorra financeira é facilmente observada com a sequência das safras. Nesse sentido, manter diferentes culturas pode reduzir o risco de grandes prejuízos, pois sempre haverá as que estão com melhores preços, e assim, na média, o produtor conseguirá manter uma boa margem de lucro.

Neste contexto, uma cultura indispensável na propriedade é a do euca- José Carlos Arthur Júnior lipto. Que propriedade não precisa de madeira para construir suas cercas, seus currais? Ou fornecer madeira para as estruturas de telhado, para construção de móveis, para queimar em fogões, em caldeiras, em fornos, etc.? A madeira é matéria-prima para uma infinidade de aplicações dentro da propriedade rural.

Além de suprir sua própria demanda, a madeira de eucalipto tem múltiplos usos, como produção de celulose e papel, carvão vegetal (biorredutor), postes, mourões, construção civil, serraria, painéis, movelaria, lenha, etc. É possível também obter outros produtos, como o óleo essencial, extraídos das folhas, e a produção de mel, que possibilita renda adicional para o produtor, sendo que a atividade apícola não compromete o desenvolvimento da floresta – ao contrário, amplia a margem de ganhos para a floresta por meio da polinização realizada pelas abelhas.

De acordo com o relatório da Associação Brasileira de Florestas Plantadas (Abraf) de 2013, a produtividade média nacional foi de 40 metros cúbicos/hectare/ano. Se manejado com desbastes e desramas, por ciclos que chegam até 15 anos, é possível produzir madeira de maiores dimensões para uso em serrarias, o que aumenta a rentabilidade do negócio. Conforme o engenheiro agrônomo Claudio Obino (da empresa Projepex), que palestrou no VII Simpósio Técnicas de Plantio e Manejo de Eucalipto para Usos Múltiplos, realizado em agosto de 2013 pelo Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (Ipef) conjuntamente com a Esalq/USP, em Piracicaba/ SP, o valor de venda do metro cúbico para processo industrial (celulose, painéis, carvão) e lenha foi em torno de R$ 50. Já para uso em serraria, postes, caibros, etc., o valor supera os R$ 130.

Exigências e cuidados — O eucalipto é uma cultura menos exigente nutricionalmente que as culturas agrícolas, tolerando solos com baixo valor de pH e terores de alumínio (AI) mais elevados. Contudo, é preciso se medir a a fertilidade do solo e fertilizá-lo para se obter elevada produtividade. O eucalipto é capaz de desenvolver raízes em profundidades superiores a dez metros, daí a sua capacidade de absorver água e nutrientes em camadas que as culturas agrícolas não atingem, e assim sobrevivem e produzem em condições adversas.

No entanto é preciso verificar a profundidade do solo e a existência de camadas de impedimento, como por exemplo, o pé de arado, que pode restringir o crescimento do sistema radicular das plantas e levá-las à morte, seja pela falta de água e de nutrientes, ou pelo tombamento.

A escolha da espécie deve considerar o uso final que se pretende da madeira, além disso, é crescente o aumento do número de pragas e doenças que atacam o eucalipto. Dessa forma, se torna importante buscar materiais genéticos mais tolerantes, pois a perda de produtividade pode ser significativa. Outro aspecto importante na escolha da espécie é quanto ao déficit hídrico da área, já que há diferenças de tolerância à falta de água entre as espécies.

Arthur Júnior: "Como toda cultura, é preciso conhecer bem as necessidades do eucalipto para fazer um manejo correto"

Outro aspecto de grande interesse e vantagem na cultura do eucalipto é a possibilidade de manejar a sua rebrota Arthur Júnior: "Como toda cultura, é preciso conhecer bem as necessidades do eucalipto para fazer um manejo correto" Divulgação após o corte final. Esse tipo de manejo é conhecido como "talhadia" e possui como maior vantagem a não necessidade de preparar o solo e de plantar novamente a área, o que resulta numa economia de aproximadamente 20% no custo de formação da nova floresta. No entanto é preciso que ocorra um bom índice de rebrota, ou seja, é necessário evitar os danos aos tocos causados pelos equipamentos de colheita, a cobertura dos tocos por galhadas e o ataque de formigas cortadeiras. Devem ser mantidos os mesmos cuidados de um novo plantio, não descuidando da fertilização, do controle da mato-competição e das formigas.

Já a integração lavourapecuária- floresta é algo que vem sendo bastante estudado e praticado, cujo conceito é obter numa mesma área a produção agrícola consorciada com o plantio de eucalipto e, posteriormente, pastagem (pecuária) com o plantio já mais desenvolvido. O eucalipto pode ser plantado em espaçamentos mais abertos, o que permite passagem de luz para o desenvolvimento das culturas agrícolas e, posteriormente, à pastagem.

Nesse modelo o produtor rural consegue aumentar sua receita por área se comparado às monoculturas isoladamente. Como toda cultura, é preciso conhecer bem as suas necessidades para fazer um manejo correto. Buscar a orientação de um profissional capacitado é essencial para se conseguir atingir níveis de produtividade esperados e rentáveis.