Milho II

 

Redução de RISCOS para a safrinha no MS

Para diminuírem as chances de perdas causadas pela dobradinha estiagem + geadas, recomenda-se realizar o plantio na segunda quinzena de fevereiro na região sul do Mato Grosso do Sul, a mais importante para a segunda safra no estado

Engenheiro Agrônomo e Dr. em Irrigação Carlos Ricardo Fietz, pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, [email protected]

O milho cultivado na segunda safra, denominado safrinha, é a segunda cultura mais importante de Mato Grosso do Sul em termos de produção de grãos. A área da safra 2013 superou 1,4 milhão de hectares, sendo mais de 80% desse total cultivado na região sul do estado. A deficiência hídrica é a principal causa de perdas na cultura, pois nos meses em que o milho safrinha é cultivado frequentemente ocorrem veranicos e estiagens. A ocorrência de geadas é outro fator que pode causar grandes prejuízos ao milho safrinha. Dependendo da intensidade da geada e da fase em que se encontra a cultura, as geadas podem causar, inclusive, perdas totais das lavouras.

Para reduzir os riscos das fases críticas da cultura ocorrerem em épocas com maior possibilidade de deficiência hídrica e geadas, o zoneamento agrícola recomenda que as semeaduras do milho safrinha em todo o Mato Grosso do Sul sejam realizadas no período de 1° de janeiro a 10 de março. De maneira geral, nesse período de plantio de aproximadamente 70 dias, os produtores procuram semear o milho o mais cedo possível, com o objetivo de minimizar os riscos de deficiência hídrica e de ocorrência de geadas. Mas até que ponto o plantio antecipado é de fato vantajoso?

Visando responder essa dúvida, realizou- se a análise da influência do clima na fase crítica do milho, em várias épocas de semeadura, com base em uma série de dados meteorológicos de 34 anos (1980 a 2013) coletados na estação da Embrapa Agropecuária Oeste, em Dourados/MS. A análise foi realizada para cultivares de milho precoce, ciclo de 135 dias, em oito épocas de semeadura (5, 15 e 25 de janeiro, 5, 15 e 25 de fevereiro e 5 e 15 de março). Considerou-se como período crítico do milho o intervalo compreendido do pendoamento até 30 dias após.

Fator água — Com o atraso da semeadura do milho safrinha, a deficiência hídrica é reduzida na fase crítica da cultura (figura 1). A redução média é de 5 milímetros por intervalo de dez dias entre as semeaduras. Comparando os valores médios de deficiência hídrica do milho safrinha semeado em 5 de janeiro com o de 15 de março, nesse intervalo de 70 dias há redução de 35 milímetros.

Não há diferença nos valores de chuva e de deficiência hídrica na fase crítica do milho em semeaduras realizadas em janeiro e fevereiro. Mas na semeadura de fevereiro, em relação a janeiro, há redução do número de dias chuvosos e da necessidade hídrica do milho. Quando se compara janeiro e março, verifica-se que na semeadura em março há redução da deficiência hídrica da cultura ainda maior, do número de dias chuvosos e da necessidade hídrica do milho. A menor necessidade de água e a menor deficiência hídrica do milho na semeadura em março em relação à realizada em janeiro podem ser atribuídas à diminuição das médias de temperatura e, principalmente, da radiação solar líquida, que ocorre com o atraso da semeadura do milho safrinha. Devido a isso, na semeadura em março há menor consumo de água e menor deficiência hídrica, em relação a semeaduras realizadas em janeiro. Portanto, para minimizar a ocorrência de deficiência hídrica, as semeaduras tardias do milho safrinha são mais favoráveis.

Ocorrências de geadas — Na figura 2 estão apresentados o número de dias com risco de ocorrência de geadas, total e de intensidade média ou forte, na fase crítica do milho. Nas semeaduras de milho safrinha realizadas antes de 15 de fevereiro, a fase crítica da cultura, do pendoamento até 30 dias após, ocorre em março, abril e primeira quinzena de maio, períodos em que não há registro de geadas na série histórica das estações meteorológicas da Embrapa Agropecuária Oeste.

Por outro lado, nas semeaduras realizadas em março, principalmente a partir do dia 15, há grande risco, pois a maior parte da fase crítica da cultura ocorre na segunda quinzena de maio e em junho, períodos com alto índice de ocorrência de geadas, sendo a maioria de intensidade média ou forte (figura 2). Esses resultados estão coerentes com as recomendações do zoneamento agroclimático, que estabelece 10 de março como data limite para a semeadura do milho safrinha no Mato Grosso do Sul.

Semeaduras de milho safrinha realizadas em 15 de fevereiro apresentam pequeno número de dias com risco de ocorrência de geadas na fase crítica, enquanto na realizada em 25 de fevereiro o risco é maior. Mesmo assim, quase a totalidade dessas geadas é de intensidade fraca. Ressalta-se que geadas de intensidade fraca geralmente ocorrem em locais específicos, que formam microclimas com temperaturas mais baixas, como baixadas e áreas voltadas para o sul. Considerando o fator risco de geadas na fase crítica da cultura, as semeaduras realizadas mais cedo, em janeiro e na primeira quinzena de fevereiro, são mais favoráveis.

Época de semeadura mais indicada — Semeaduras mais tardias, na segunda quinzena de fevereiro até a primeira quinzena de março, reduzem o risco de ocorrência de deficiência hídrica nas fases críticas do milho safrinha. Para diminuir o risco de ocorrência de geadas na fase crítica, semeaduras de milho em janeiro e na primeira quinzena de fevereiro são mais indicadas. Para reduzir os riscos de ocorrência desses dois fatores conjuntamente, indica-se realizar semeaduras do milho safrinha na segunda quinzena de fevereiro na região sul do Mato Grosso do Sul.