Reportagem de Capa

 

Uma nova PERSPECTIVA para o milho

Em meio às indefinições que rondam a segunda safra do milho, algumas certezas são evidentes sobre o cultivo do cereal no País. De cultura secundária em muitas regiões, o milho passou a destaque nas lavouras e nos negócios e, inclusive, superou a soja na colheita 2011/2012. A antiga safrinha nem pode mais ser chamada assim, porque os números vêm ultrapassando os do cultivo da primeira safra. No mercado, o cereal virou destaque nas exportações e, internamente, já é utilizado para a fabricação de etanol. Para o produtor, que nesse momento enfrenta preços não tão atrativos, todo esse cenário pode significar uma nova perspectiva no campo

Denise Saueressig
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O incremento de tecnologia, a demanda do mercado e a possibilidade cada vez mais viável do cultivo da segunda safra modificaram o cenário do milho no Brasil nos últimos anos. Tanto que a produção apresentou um incremento surpreendente, passando de 56 milhões de toneladas no período 2009/ 2010, para 81 milhões de toneladas no ciclo 2012/2013. O destaque vai mesmo para a antiga "safrinha", que nos últimos anos virou uma "safrona" e superou em área e volume os números da primeira safra, que perdeu espaço para a soja, a grande preferência do produtor brasileiro no período do verão.

Na temporada 2012/2013, a área plantada na segunda safra cresceu 18%, enquanto o plantio da primeira safra caiu 8,6%. Ao mesmo tempo, o cultivo da soja teve incremento de 10,7%. No atual ciclo agrícola, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima uma queda de 4,7% no plantio do cereal na primeira safra, enquanto a oleaginosa aparece com um crescimento de 6,6%.

Em meados do mês de janeiro, às vésperas do plantio da segunda safra, as indefinições ainda rondavam as regiões produtoras e se justificavam pelos preços mais baixos do grão. Mas mesmo que a lavoura em 2014 não seja tão exuberante quanto à do ano passado, em que a colheita da segunda safra aumentou 18%, chegando a 46,179 milhões de toneladas, o cereal deve continuar sendo o principal investimento dos agricultores nesse período, especialmente nos dois principais estados produtores – Paraná e Mato Grosso.

Produtor Gilberto Araldi, de Palotina/PR: lavoura com custos mais altos e preços mais baixos em relação ao ano passado

Tempo de adequações — O produtor Gilberto Araldi, de Palotina/PR, lembra que a segunda safra passou a ter uma importância muito maior nos últimos cinco anos. "As próprias empresas de sementes passaram a ter uma visão diferenciada, lançando materiais específicos, o que favoreceu o cultivo", assinala.

Segundo ele, a produtividade média na propriedade da família ficava entre 80 e 90 sacas por hectare. "Nas últimas safras, conseguimos 120 sacas por hectare, sendo que alguns produtores da região já alcançaram em torno de 160 sacas por hectare", cita.

O produtor paranaense cultiva soja no verão, mas sempre reservou em torno de 30% da terra para plantar milho. Esse ano, no entanto, as contas não fecharam e ele optou por cultivar o cereal numa área menor, apenas para garantir a silagem dos animais. "O nosso custo direto, que inclui os insumos, como sementes e defensivos, passou de R$ 1.510 por hectare no ano passado para R$ 2.215 agora. Além disso, o preço caiu de R$ 25 para R$ 19 a saca", justifica.

A família Araldi – além de Gilberto, cuidam da propriedade o irmão Gerson e o pai, Nestor – produz grãos em 320 hectares e mantém dois aviários e um rebanho de gado leiteiro. A área da segunda safra deve se manter a mesma de 2013, em torno de 240 hectares. O restante será cultivado com coberturas, como aveia e nabo forrageiro. "Temos investimentos para pagar, e nunca vamos deixar de plantar milho. No entanto, sabemos que é uma cultura de alto risco e podemos sempre pensar em fazer algumas adequações em área plantada ou em tecnologia", relata Araldi. Para o produtor, o momento também pede considerações, já que o mercado pode melhorar. "Ainda precisamos contar com o fator clima e com os resultados nas outras regiões", argumenta.

No ano passado, a rentabilidade da segunda safra na propriedade da família foi calculada em 20%, número que foi possível graças à boa produtividade. A soja teve resultados ainda melhores, com rentabilidade de 45% e preços que chegaram a alcançar até R$ 75. "Nosso rendimento médio na oleaginosa ficou entre 55 e 60 sacas por hectare. Tivemos alguns problemas com a falta de chuva, mas por trabalharmos com os frangos, usamos a cama dos aviários para adubação, o que favorece a condição do nosso solo. Essa é mais uma vantagem da diversificação", ressalta Araldi.

Ainda uma grande área — Numa estimativa preliminar, o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura do Paraná, indicou uma redução de 9% para o plantio da segunda safra no estado. "Mesmo assim, será uma grande área, de 1,9 milhão de hectares, quase três vezes o tamanho da área da primeira safra, calculada em 670 mil hectares, 24% inferior ao cultivo de verão do ano passado", enumera a engenheira agrônoma do Deral Juliana Yagushi.

Na opinião dela, o que deve ocorrer é uma acomodação como resultado da queda nos preços observados nos últimos meses. Em dezembro de 2012, a saca do milho chegou a patamares próximos de R$ 27 no Paraná. No entanto, a recuperação norte-americana e a safra brasileira enfraqueceram as cotações, fazendo com que o preço chegasse a R$ 23 em março de 2013. Em outubro, a saca foi cotada em R$ 17,26, abaixo do mínimo de R$ 17,46 no estado. "No final do ano e no início de 2014, o volume exportado e a demanda local ajudaram e os preços reagiram um pouco, chegando perto dos R$ 20", informa Juliana.

Na temporada 2012/2013, a área plantada na segunda safra cresceu 18%, enquanto o plantio da primeira safra caiu 8,6%

O cálculo da rentabilidade, no entanto, está apertado, considerando um custo variável de R$ 17 e um custo operacional de R$ 22 para a saca. "Historicamente, o milho não oferece uma rentabilidade grande ao produtor, mas ajuda a diluir os custos fixos e colabora com o sistema da propriedade", menciona a agrônoma. Juliana faz uma ressalva, lembrando que o esquema atual de produção nos campos do Paraná pode representar riscos no longo prazo. "Sabemos que é uma decisão econômica, mas hoje 85% da área de verão é cultivada com soja, ou seja, um quadro de monocultura, o que não é bom do ponto de vista agronômico. Apenas a região centro-sul do estado ainda mantém o milho no verão", aponta.

Indefinição no maior produtor — Em Primavera do Leste/MT, o produtor Fernando Cadore sabe que o plantio do milho não pode passar do dia 20 de fevereiro. Assim, são menores as chances de o grão sofrer com o período da escassez de chuva no estado. No entanto, na primeira quinzena de janeiro, ele ainda não tinha certeza sobre o tamanho da área a ser plantada na atual safra. Dos 1.800 hectares onde cultiva soja no verão, o produtor destina entre 70% e 80% ao milho na segunda safra. O restante fica em pousio ou recebe milheto. "O preço está ruim para nós, e a tendência é que o milho seja plantado em, no máximo, 70% da área", afirma.

No ano passado, o cálculo já foi complicado para o cereal, que foi vendido a preços entre R$ 12 e R$ 13 no estado. "Há dois anos o cenário estava bem melhor, mas em 2013 foram poucos os casos de rentabilidade. A maioria dos produtores empatou com os custos ou teve resultados negativos", recorda. A definição final de Cadore deve ser tomada a partir das reações do mercado, considerando os volumes destinados à exportação e as novas perspectivas para o cereal. "O milho oscila muito, e nos últimos anos o Mato Grosso extrapolou na produção. Como a exportação tem o dilema dos gargalos da logística, acredito que uma solução interna, como a fabricação de etanol, seja uma ótima opção para os produtores locais", acrescenta.

Na primeira quinzena do mês passado, menos de 40% dos insumos destinados ao cultivo da segunda safra haviam sido adquiridos pelos produtores no estado campeão em área plantada e em produção de milho. Ainda inicial, a estimativa do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) aponta para um recuo de 12% no cultivo, que deve ficar em 3,25 milhões de hectares. Para a produção, a queda projetada é de 24%, com a colheita chegando a 17 milhões de toneladas. "Alguns poucos produtores podem optar pelo algodão, enquanto outros podem cultivar feijão, milho pipoca e até a soja de segunda safra, que tecnicamente não é recomendável", diz o superintendente do Imea, Otávio Celidonio.

Um custo operacional 4% mais alto e o preço mais baixo em comparação com o ano passado são as causas dessa provável redução nos números do cereal. Considerando valores praticados em Sorriso/MT, há um ano, a saca valia entre R$ 17 e R$ 18. No mês passado, o valor era em torno de R$ 14 e R$ 15. Na segunda semana de janeiro, entretanto, com a comercialização da safra passada chegando ao fim, os preços tiveram elevação, com média semanal de R$ 15,25. Algumas situações, como a produção nacional em baixa e o último relatório norte-americano indicando redução nos estoques, podem ajudar a sustentar o mercado nos próximos meses. No mês passado, o relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) anunciou uma diminuição de 9% nos estoques finais de milho do país, para 41,44 milhões de toneladas. De qualquer forma, não há grandes movimentações nas cotações internacionais do grão.

Etanol é realidade — É no mercado interno que reside uma das possibilidades de os produtores mato-grossenses conquistarem melhor remuneração para o milho. Duas usinas estão processando o cereal para a fabricação de etanol no Mato Grosso, e a pretensão é de incremento nesse negócio, inclusive em outros estados, como Goiás.

A Usimat, em Campos de Júlio, e a Destilaria Libra, em São José do Rio Claro, estão investindo nessa produção. "São usinas no esquema flex, em que os cereais são processados na entressafra da cana-de-açúcar, e ainda é gerado o DDG, subproduto proteico utilizado para ração animal. Os estudos feitos indicam viabilidade econômica com risco moderado para a atividade", destaca Celidonio. Segundo ele, entre os desafios para o incremento do negócio está o fato de que tanto o etanol quanto o DDG são produtos sensíveis aos custos logísticos, considerando que pode haver restrições de consumos dos mesmos dentro de Mato Grosso. "A produção de etanol de milho e DDG também carece de regulamentações, o que pode gerar entraves de ordem tributária, ambiental e sanitária", completa.

Luiz Carlos Ticianel, presidente da Libra: processamento de milho e sorgo deverá chegar a 180 mil toneladas em 2014

Existem outras empresas interessadas em aderir ao projeto, que poderia retirar parte dos excedentes de milho do mercado mato-grossense, aliviando a pressão sobre os preços. Entretanto, mesmo que as oito usinas de etanol do estado aderissem à produção, o consumo seria de 1,3 milhão de toneladas de milho por ano, ainda pouco perto da produção de 22,5 milhões de toneladas (safra passada) e do consumo de 3,5 milhões de toneladas.

Redução de custos — A Usimat é pioneira na experiência de produção do etanol a partir de cereais. O gestor geral da indústria, Sérgio Barbieri, conta que o projeto começou a ser alinhavado em 2011, a partir de visitas realizadas a plantas industriais nos Estados Unidos, na Argentina e no Paraguai. O investimento em adequações somou R$ 45 milhões, valor que deve ser retomado em um período de, no máximo, cinco anos. Na safra 2012/2013 foram processadas 31 mil toneladas de milho na Usimat, e a projeção é de moagem de 65 mil toneladas de milho e de 5 mil toneladas de sorgo no ciclo 2013/2014, com a geração de 25 milhões de litros de etanol. "É a possibilidade de aproveitarmos a estrutura mais de 300 dias por ano. Em 20 de novembro, encerramos a safra da cana e, no dia 25, já podemos começar a moagem dos cereais, que pode ir até 20 de março. Na primeira quinzena de abril, retomamos o processamento da cana", resume o executivo.

Sérgio Barbieri, executivo da Usimat: investimento de R$ 45 milhões na produção de etanol com cereais deve ser retomado em cinco anos

Para os próximos dois anos, o objetivo é trabalhar com 100 mil toneladas de cereais e 850 mil toneladas de cana. Todo o processo produtivo ainda está em fase de aperfeiçoamento. "Hoje, uma tonelada de milho gera 370 litros de etanol, mas nós queremos alcançar os 385 litros. Também buscamos aumentar a produção do DDG dos atuais 180 quilos para 200 quilos", esclarece o dirigente, enaltecendo a importância da geração do farelo proteico. "O farelo de soja tem 45% de proteína, e o DDG tem 34%. No entanto, ele é mais barato e pode ser muito bem aproveitado nos confinamentos de gado da região", complementa.

Na conjuntura atual, a produção de etanol a partir do milho é viável e competitiva com preços da saca até R$ 18, segundo Barbieri. E mais do que ajudar a retirar excedentes do mercado, o projeto traz outros benefícios. "O produtor passa a ter mais uma alternativa rentável na lavoura, que é o sorgo, a mão de obra das usinas passa a ser fixa em vez de sazonal, e nós resolvemos o problema ambiental do bagaço da cana, que vira energia própria para a produção do etanol de milho. Também já calculamos em 5% a redução dos nossos custos fixos, com a possibilidade de logo alcançarmos 10%", salienta.

Mudanças na operação — A Destilaria Libra iniciou o processamento de cereais em novembro do ano passado. Para 2014, a projeção de moagem de cana é de 850 mil toneladas. Para os cereais, a estimativa é de 180 mil toneladas, sendo 90 mil toneladas de milho e 90 mil toneladas de sorgo. "A moagem de cereais em uma usina flex é beneficiada pela disponibilidade de mão de obra do quadro fixo, pela otimização dos equipamentos e da capacidade instalada, da sobra de energia e vapor e da produção do bagaço, gerando uma redução de aproximadamente 20% no preço em relação ao etanol da cana", revela o presidente da Libra, Luiz Carlos Ticianel.

Os investimentos para a montagem de uma unidade de produção de etanol de cereais com capacidade de 20 toneladas/ hora em uma usina de cana, tornando- a flex, com a já existente estrutura de geração de vapor, energia, destilação, reservatórios, laboratório e fermentação, é de aproximadamente R$ 30 milhões, descreve o executivo. "As mudanças na operação consistem na recepção e na armazenagem dos grãos, liquefação, cozimento, fermentação, destilação, operação de decanters para extração do sólido da vinhaça e secagem do farelo", detalha.

Polêmica com a agroindústria — A produção de etanol a partir do milho é motivo de preocupação por parte de representantes da cadeia das carnes da Região Sul. A Associação Catarinense de Avicultura (Acav) e o Sindicato das Indústrias da Carne e Derivados de Santa Catarina (Sindicarne) temem que a atividade das usinas agrave a escassez de milho no estado e aumente os custos de produção. A cada ano, as agroindústrias catarinenses buscam cerca de 3 milhões de toneladas do insumo no Centro-Oeste com um alto valor de frete. Um dos grandes entusiastas da produção de etanol com cereais, o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Glauber Silveira, contesta esse temor por parte das empresas. "Nossa produção é de cerca de 80 milhões de toneladas e consumimos quase 55 milhões de toneladas. Ou seja, mesmo com a exportação de 20 milhões de toneladas, não vai faltar milho", frisa. Atento aos novos movimentos da cadeia produtiva, o Governo Federal também quer tranquilizar os produtores de carnes. O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Neri Geller, ressalta que as agroindústrias são uma prioridade e que o apoio à produção de etanol a partir do milho apenas se concretiza em função dos excedentes. Ele lembra que o Governo brasileiro firmou acordos internacionais que limitam a fabricação de combustível a partir de alimentos. No entanto, o Mapa estuda uma forma de viabilizar linhas de crédito para essa produção em regiões onde existem sobras do grão. "Há um excedente entre 10 e 15 milhões de toneladas e, o pior, é milho que está ficando a céu aberto em muitos locais", argumenta.

O diferencial das duas safras — A possibilidade do cultivo de uma segunda safra é uma grande vantagem que o Brasil tem sobre os demais países, avalia o presidente executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), Alysson Paolinelli. "É a característica da nossa agricultura tropical que faz com que tenhamos esse diferencial competitivo de intercalar uma leguminosa com uma gramínea aproveitando o mesmo solo, as mesmas máquinas e ainda o resíduo deixado pela cultura anterior", observa. Na opinião dele, a segunda safra deixou de ser uma "quase inocente produção de palha" para se tornar uma lavoura com rentabilidade. "E ainda poderemos ter uma terceira safra quando incorporarmos seriamente a irrigação", menciona.

Pesquisador Israel Pereira Filho, da Embrapa: adequação da época de plantio e melhoramento genético ampliaram produtividade da segunda safra

A consultoria Safras & Mercado estima uma safra total de 75,582 milhões de toneladas para o Brasil em 2013/ 2014, volume abaixo de 82,069 milhões de toneladas colhidas em 2012/2013. Para a segunda safra, a consultoria prevê uma queda de 6,6% no plantio, com 7,465 milhões de hectares. A colheita é projetada em 41,301 milhões de toneladas, aquém das 45,204 milhões registradas em 2013. Mas, mesmo com as indefinições e algumas previsões de recuo na atual temporada, o Brasil comemora o fato de ter conseguido dobrar a produtividade da segunda safra nas duas últimas décadas. Hoje, a média nacional é de cerca de 5 toneladas por hectare.

O cultivo da segunda safra teve início no Paraná, na década de 1980, recorda o engenheiro agrônomo Israel Alexandre Pereira Filho, pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo. "Nos primeiros anos, os produtores plantavam milho sobre milho. Depois, com a soja precoce, foi possível intercalar as duas culturas", explica. O incremento da produtividade foi possível devido a uma série de razões e, entre as principais, estão a adequação do período de plantio Pesquisador Israel Pereira Filho, da Embrapa: adequação da época de plantio e melhoramento genético ampliaram produtividade da segunda safra e a utilização de material genético mais apropriado. "O produtor começou a perceber que havia demanda para o grão e incorporou tecnologia para ter rentabilidade e não apenas uma cobertura de solo", conclui o pesquisador.

Uma segunda safra de sucesso inicia, segundo ele, com dois princípios básicos. O primeiro refere-se à questão ambiental, em que o agricultor precisa respeitar o tempo certo para o plantio e minimizar os riscos climáticos de geada e falta de chuva, especialmente em regiões do Paraná e do Mato Grosso. No Centro-Oeste, o plantio deve encerrar em meados de fevereiro e, no Sul, algumas localidades podem estender o trabalho até o final da primeira quinzena de março. "O segundo princípio, já que o produtor não tem interferência sobre os humores do mercado, é garantir uma lavoura com um bom pacote tecnológico, com manejo de adubação específico e cultivares ajustadas à situação", constata o agrônomo. Na opinião dele, às vezes vale a pena fazer as contas e investir um valor um pouco maior numa semente mais precoce para fugir dos períodos em que os estresses climáticos são mais frequentes.


Exportação em ritmo acelerado. E a China promete

Em 2013, em função da queda nos preços provocada pela retomada da safra norte-americana, o Ministério da Agricultura apoiou a comercialização do cereal por meio de diferentes mecanismos, como os leilões de Contrato de Opção, o Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro), as Aquisições do Governo Federal (AGF) e as operações de Venda em Balcão. "Se for necessário, vamos intervir novamente no mercado. Quanto ao produtor, acredito que esse momento seja de mais cautela, de correr menos riscos e analisar contratos futuros para garantir os custos da lavoura", avalia o secretário de Política Agrícola do ministério, Neri Geller.

Para ajudar a fortalecer a cadeia do milho, o Governo também vem trabalhando para estimular as exportações do cereal. Na safra 2012/2013, o País obteve um recorde com essa venda, chegando a 25,28 milhões de toneladas. No ano de 2013 (janeiro a dezembro), as vendas externas somaram 26,61 milhões de toneladas, um volume que representou US$ 6,25 bilhões em receita e que foi 34,6% superior ao exportado em 2012. Em novembro do ano passado, um protocolo foi assinado com a China liberando as exportações do cereal. "A questão legal está resolvida. Agora, é necessário o acordo entre importadores e exportadores, mas acredito que entre os meses de março e abril esse comércio deva fluir", pontua o secretário.

A demanda do país asiático vem aumentando nos últimos anos em função do incremento no consumo de carnes, e a expectativa é de que as compras dos chineses possam passar das 10 milhões de toneladas do cereal brasileiro nos próximos anos. Para a safra 2013/2014, o USDA estima as importações chinesas em 5 milhões de toneladas de milho. "Nos próximos anos, o Brasil pode exportar 30 milhões de toneladas e, um terço desse volume pode ser enviado para a China direta ou indiretamente", analisa o presidente executivo da Abramilho, Alysson Paolinelli. Para o dirigente, que esteve recentemente no país asiático, não há dúvida de que a grande prioridade dos chineses é a segurança alimentar, o que faz com que eles busquem no exterior o que não conseguem produzir internamente.