Na Hora H

 

O PLANO DE SAFRA 2013/14 GEROU TANTA ESPERANÇA. E AGORA?

ALYSSON PAOLINELLI

O Plano de Safra 2013/2014 gerou tanta esperança a todos que ouviram os discursos do seu lançamento em junho, e até a mim, que estava presente e cheguei a escrever umas notas elogiando. Mas sempre com advertência de que promessa é dívida e se não fosse cumprida poderia causar um desastre.

Este tem sido o grande problema. Reconhece- se que a agricultura é a mola-mestra de nossa economia e os governos, acreditando que os anúncios de novos instrumentos e novos recursos são suficientes para manter o setor aquecido, botam a "boca no mundo" dizendo que tudo está resolvido. Que o Plano de Safra é a salvação da lavoura. Deveria ser mesmo, pois o importante é este reconhecimento por parte de quem cabe de fato eleger as prioridades de uma nação. Agora, a coisa funcionar como foi anunciada é o problema. A começar o nosso Ministério da Agricultura (Mapa), primeiro foi dividido em quatro e esvaziado, pois hoje dos quatro é o mais fraco. Depois lhe tiraram a autoridade por completo, pois ele passou a ser moeda de troco no jogo político.

Tenho dito que tivemos a sorte de o PMDB ter escolhido o deputado Antônio Andrade, a quem eu conheço bem e sei de sua capacidade mesmo não sendo especialista no assunto, mas é produtor. Agora entregar-lhe um ministério deste porte e não lhe dar a autoridade para administrá- lo é por demais complicado. O que corre na "rádio corredor" do Mapa é que quem manda lá é outro deputado do PMDB, só que do Rio de Janeiro. É quem faz e desfaz no quadro técnico, nomeia e dispensa a quem bem entender. Como não o conheço, nem de vista, prefiro não comentar, mas as escolhas que ele faz atrapalhando o nosso "Toninho" e desvalorizando o que tínhamos de melhor naquela Casa, isto eu tenho o direito de dizer, pois estes eu conheço bem.

O Mapa, sem os seus especialistas em crédito rural, virou preza fácil do sistema financeiro. Este último corre de riscos mais do que o diabo corre da cruz. Dar crédito só a quem não precisa, por não ter riscos, é um erro crasso. Crédito rural é para financiar as inovações que estamos produzindo para esta nova agricultura tropical. Se tiver riscos deveremos administrá-los e não fugir. Aliás, sobre administração de riscos eu só vou comentar depois. Vou esperar o fim do que chamam de seguro rural. Nunca vi tanta aberração.

Administração de risco é uma coisa séria que envolve todos os segmentos do sistema produtivo. Entregá-la ao sistema financeiro e às seguradoras para resolverem, o resultado é este aí. Seguram valores que não são compatíveis com os custos de produção, com taxas exorbitantes de custos dos riscos. Pega-se o dinheiro do Governo que seria para subsidiar os prêmios, os embute nas exorbitantes taxas que cobram, o dinheiro do Governo vai todo pela janela ou para o ralo e o agricultor fica a "ver navios". Não vou nem comentar agora o que corre por fora aí, pois, se isto estiver mesmo acontecendo, não cabem comentários. Sei que não é gente do Mapa que acolheria ou recomendaria ações desta natureza. Se isto for mesmo verdade, o que está havendo é um assalto e merece a apuração.

Tenho a impressão que o Governo deu alguma escorregada em sua política monetária e exagerou no "meio circulante", e com muito dinheiro na praça a inflação vai subir. Como resolver? Dá um tranco na expansão da moeda que ela volta para o lugar de onde não deveria ter saído. Como fazer isto? Tranca todos os créditos, programas e bancos. Alguém fala: mas e o crédito rural prometido? Segura também e deixa para depois. Mas o tempo não para e, sem dinheiro na praça, como vai funcionar o agricultor? Ele se vira. Quem manda aqui sou eu. Mas manda no dinheiro, no clima não. Não interessa deixar para depois. Depois será tarde, a "Inês já é morta".

Outro dia elogiei uma defensora da classe rural por ter reivindicado que os planos de safras no Brasil têm de ser de no mínimo um ano e meio.

Vou sugerir agora que todos reivindiquem com São Pedro para ajustar o tempo e as chuvas às disposições financeiras do Governo, senão os planos de safras, por melhor que sejam, não vão funcionar

Engenheiro agrônomo, produtor e ex-ministro da Agricultura