Agribusiness

 

TRIGO

PREÇOS ABAIXO DA MÉDIA ESPERADA PARA A TEMPORADA

Juliana Winge - [email protected]

A evolução da colheita da safra nacional segue exercendo pressão de baixa sobre as cotações. Na comparação com o mesmo período do ano passado, no entanto, os atuais preços paranaenses são 25% superiores. Nas regiões de produção gaúchas, são 10% superiores. Esse comportamento diferenciado entre os estados deve-se ao fato de no ano anterior a safra gaúcha ter quebrado, enquanto que a do Paraná era cheia e de boa qualidade, exatamente o contrário do que ocorre atualmente. O ritmo dos negócios segue lento devido ao desencontro entre as pedidas de compra e as de venda. Os moinhos, sabendo da esperada sobreoferta do cereal nas regiões produtoras nas próximas semanas, se colocam numa posição defensiva. Na outra ponta, os produtores estão reticentes em aceitar os níveis oferecidos pelos compradores.

Com a safra paranaense comprometida em quantidade e qualidade, é para o Rio Grande do Sul que as atenções se voltam. Dados levantados por Safras & Mercado sugerem que a oferta total de trigo no mercado gaúcho na temporada 2013/14 será de 3,342 milhões de toneladas. Esse montante é resultado de estoques iniciais de 226 mil toneladas da safra velha (em mãos de moinhos, cooperativas, produtores ou comerciantes), uma produção de 2,65 milhões de toneladas e importação de 466 mil toneladas (considerando que os moinhos gaúchos comprem o mesmo percentual nacional da temporada anterior). A demanda estimada no estado é de 1,007 milhão de toneladas, com 869 mil toneladas a serem consumidas em farinha pelos gaúchos, 119 mil toneladas em ração e semente e 20 mil toneladas em exportações. Isso sugere que a oferta superará a demanda em 2,335 milhões de toneladas. Esse excedente terá que sair do estado (em grão e/ou farinha), ou então originará estoques finais.


ARROZ

TENDÊNCIA DE QUEDA ATÉ O INÍCIO DA COLHEITA

Rodrigo Ramos - [email protected]

A primeira quinzena de novembro encerrou com preços mais fracos no Rio Grande do Sul, o maior produtor e principal referencial nacional. A cotação média era de R$ 33,22 por saca de 50 quilos no dia 12 de novembro, 1,6% abaixo do valor de um mês antes, que era de R$ 33,75, e 13,9% menor se comparado com igual período do ano passado, quando estava a R$ 38,60 por saca. Conforme o analista de Safras & Mercado Eduardo Aquiles, o cenário atual no Brasil é determinado por fatores que atuam no mercado, tais como o câmbio e a sazonalidade do período. "No momento, a estabilidade tem sido influenciada pela quantidade ofertada através do estoque interno, importações e leilões do Governo, suprindo de forma quase uniforme a demanda, que se configura pelas exportações e pelo consumo interno", relata. "Além disso, nesse período é normal que os produtores se desfaçam de seus estoques para se capitalizar e abrir espaço nos armazéns para a próxima safra, pois durante as férias escolares as aquisições recuam por parte das indústrias", completa. Para o decorrer do ano até o período em que se concentra a colheita, de março a maio, os preços deverão, segundo Aquiles, tomar tendência de baixa, ficando com média mensal menor que a observada no começo de 2013. "Porém, é válido lembrar que uma variação cambial poderá afetar tais expectativas, uma vez que o Brasil tem apresentado maior sensibilidade ao mercado externo, tanto por meio das exportações quanto pelas importações", frisa. A expectativa para o póssafra 2014, em analogia com 2013, deverá ser de preços menores, uma vez que o estoque de passagem do Brasil tem projeção de ligeiro acréscimo. "Além disso, a projeção de desvalorização do cereal no cenário internacional poderá dificultar o escoamento por parte dos países membros do Mercosul, forçando a entrada no mercado brasileiro."


SOJA

AMÉRICA DO SUL PODE COLHER 163 MILHÕES DE TONELADAS

Dylan Della Pasqua - [email protected]

O primeiro levantamento para a soja da América do Sul na safra 2013/14, com o plantio em andamento, vai confirmando a sinalização feita no relatório de intenção de plantio em agosto, com expectativa para novos recordes de área e produção. Segundo Safras & Mercado, o relatório chegou a uma área a ser colhida de 55,33 milhões de hectares, 7% superior a 51,89 milhões deste ano. Em condições regulares de clima, há uma safra potencial de 163,04 milhões de toneladas, 11% acima do recorde de 146,23 milhões de toneladas colhidos este ano. "Além da questão da amplitude do avanço da área, a temporada tem também sinalização regular de clima, com chuvas próximas do normal em função da situação de neutralidade climática. Dessa forma, consideramos o rendimento médio em 2.947 kg/ha, 5% acima dos 2.818 kg da safra atual", aponta o analista associado de Safras & Mercado Flávio França Júnior.

Segundo ele, não há dúvidas de que o principal motivador da opção dos produtores pela soja está nos preços, tanto nos praticados na temporada atual como também os antecipados para a próxima safra. No Brasil, a área a colher está avançando 5%, passando de 27,85 milhões de hectares para 29,27 milhões, com produção potencial de 89,45 milhões de toneladas, representando avanço de 9% sobre os 82,13 milhões. Na Argentina, a área a colher tem aumento de 9%, de 18,45 milhões para 20,20 milhões de hectares. E produção sinalizada em 57,57 milhões de toneladas, 17% superior sobre a frustrada safra deste ano, avaliada em 49,10 milhões.

O relatório de novembro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou a estimativa de safra americana em 2013/14, confirmando a expectativa do mercado, por conta do avanço da colheita e do rendimento obtido, que vem superando as expectativas. O número do USDA, inclusive, ficou acima do projetado por analistas e consultores, que era de 3,225 bilhões de bushels. Segundo o USDA, os sojicultores norte-americanos irão produzir 3,258 bilhões de bushels (88,66 milhões de toneladas), contra 85,71 milhões de toneladas projetados em setembro. A produtividade foi elevada de 41,2 bushels por acre para 43 bushels por acre. O USDA aponta que os estoques finais de soja naquele país somarão 170 milhões de bushels. Em setembro, a previsão era de 150 milhões e, no ano anterior, ficou em 141 milhões, contra 125 milhões em setembro. A estimativa de esmagamento é de 1,685 bilhão de bushels para 2013/14, contra 1,655 bilhão em setembro. A projeção de exportação é de 1,45 bilhão de bushels para a temporada 2013/14, contra 1,37 bilhão em setembro.


ALGODÃO

MAIOR FIRMEZA NO MERCADO NACIONAL

Rodrigo Ramos - [email protected]

O mercado nacional de algodão em pluma operou com maior firmeza em seus referenciais de preço ao final da primeira quinzena de novembro, mesmo que a liquidez ainda seja baixa. No Cif de São Paulo as indicações de preço estavam em R$ 2,07 por libra-peso no dia 12, apontando alta de 0,5% em relação ao fechamento da semana anterior (dia 8). Já em comparação ao mesmo período do mês anterior, a queda apontada era de 4,6%. Segundo o analista de Safras & Mercado Guilherme Tresoldi, a pressão que vinha sendo aplicada sobre o mercado diminuiu drasticamente. "Isto porque a influência negativa que os preços internacionais vinham aplicando sobre o mercado nacional reduziu", explica. Por outro lado, a alta do dólar fez com que as tradings recalculassem os preços pedidos, para cima, o que fez com que essa pressão diminuísse ainda mais. O dólar fechou o dia 12 cotado em R$ 2,33. Em comparação com o mesmo período da semana anterior, quando estava em R$ 2,26, a alta apontada era de 3,1%. Já em comparação a mesmo período do mês anterior, quando em R$ 2,18, a alta fora de 6,9%.

Pela paridade de importação, a fibra norte-americana, cotada a US$ 0,77 por libra-peso na Bolsa de Nova York (dezembro/ 13 na ICE), com o câmbio de R$ 2,33 por dólar e com da TEC de 10%, chegaria ao Cif de São Paulo a R$ 2,53 por librapeso (com ICMS). O produto nacional é disponibilizado no mesmo mercado a R$ 2,32 por libra-peso, ou seja, teria espaço para subir até 9%. Na época, a previsão para os dias seguintes era de que o mercado apresentasse preços ainda mais firmes. "Com isso, um maior número de negócios deve ser fechado, tendo-se novamente um encontro entre preço ofertado e preço pedido. Isso deve garantir uma maior liquidez para o mercado nacional", frisou então o analista.


CAFÉ

COMERCIALIZAÇÃO NO MESMO RITMO DA SAFRA ANTERIOR

Lessandro Carvalho - [email protected]

A comercialização da safra de café do Brasil 2013/14 (julho/junho) chegou a 49% até o dia 31 de outubro. O dado faz parte de levantamento de Safras & Mercado. Os trabalhos estão ligeiramente adiantados em relação ao ano passado, quando, em igual período, 48% da safra 2012/13 estava comercializada. Há atraso em relação à média dos últimos cinco anos, quando 57% da produção normalmente já estava negociada no período. Os preços no mercado internacional, com a Bolsa de Nova York registrando os patamares mais baixos em sete anos, resultam no ritmo compassado das vendas do produtor brasileiro, desanimado com o cenário. A boa oferta global, com uma grande safra do Brasil em 2013 (e perspectivas de safra cheia em 2014), além de produções entrando na Colômbia e na América Central, mantém as cotações sob pressão. Em relação a setembro, houve avanço de sete pontos percentuais na comercialização. Com isso, já foram comercializadas 25,74 milhões de sacas de 60 quilos, tomando-se por base a estimativa de Safras & Mercado, de uma safra 2013/ 14 de 52,9 milhões de sacas.

As exportações totais brasileiras em outubro de 2013 totalizaram 3,095 milhões de sacas, tomando por base o volume de café verde (robusta e arábica) e industrializado (torrado e moído e solúvel) embarcado. Os embarques ficaram 6% acima de igual mês do ano passado, quando 2,919 milhões de sacas foram negociadas. Os dados partem do levantamento mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Contudo, a receita com as exportações de outubro foi de US$ 463,672 milhões, declínio de 25% no comparativo com outubro de 2012 (US$ 616,983 milhões). O preço médio obtido com as vendas em outubro de 2013 foi de US$ 149,78 a saca, 29,1% a menos que no mesmo mês de 2012 (US$ 211,36 a saca).


MILHO

GOVERNO INTENSIFICA LEILÕES PARA ESCOAR SAFRA DO MT

Arno Baasch - [email protected]

O mercado brasileiro de milho ingressou na segunda quinzena de novembro apresentando um cenário ainda cauteloso nos negócios. Segundo o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari, os produtores do Sul e do Sudeste ainda procuram reter as vendas, o que ajuda a manter os preços em patamares mais altos, até mesmo em função da oferta mais limitada. Já os do Centro-Oeste seguem avançando nas negociações, tentando escoar a boa disponibilidade de oferta, que está sendo direcionada tanto ao atendimento da demanda interna quanto da exportação. No entanto, diante da forte pressão exercida por entidades dos setores de aves e suínos, o Governo decidiu agir e intensificou a realização de leilões de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural e/ou sua cooperativa (Pepro) ao longo do mês. "Diferentemente do verificado até então, o Governo abriu a possibilidade de escoamento do milho de Mato Grosso para parte da Região Sudeste e também para o Sul do Brasil, regiões menos abastecidas com o cereal. Com isso, os exportadores, que estavam pagando preços acima dos níveis praticados no Golfo do México por ofertas bem localizadas no País, passaram a ter de disputar mais agressivamente as ofertas disponibilizadas nos leilões com o mercado interno", explica.

Molinari afirma que os prêmios em Paranaguá/ PR e Santos/SP, entre US$ 0,60 e US$ 1 acima dos praticados no Golfo do México, podem levar a um esvaziamento dos embarques do cereal entre dezembro e janeiro. "Os níveis atuais configuram uma necessidade imediata de embarques por parte de algumas tradings. Entre fevereiro e outubro, o Brasil embarcou 16,2 milhões de toneladas de milho e, em novembro, são esperados embarques de 3 milhões de toneladas. Nos meses seguintes, os embarques programados estão muito baixos e já se espera uma pressão da soja destinada aos portos", explica. Além disso, o maior movimento de embarques registrado nos Estados Unidos nas últimas semanas já sinaliza que os importadores podem estar mudando de fornecedor, optando pelo milho desse país ao invés do brasileiro. Conforme Molinari, até a entrada da safra nova, a partir de janeiro, o cenário do mercado estará configurado na composição entre a demanda para o cumprimento de embarques em algumas localidades, a demanda interna regional e o interesse de venda por parte do produtor.