Notícias da Argentina

MILHO: A HISTÓRIA SE REPETE?

Nesse momento a Argentina tem o trigo mais caro do mundo, em torno de US$ 700 por tonelada, apesar de contar com condições naturais para produzir o cereal. O problema é que as políticas intervencionistas prejudicam o cultivo. Será que esta é a hora do milho, então? Enrique Erize, da consultoria Nóvitas, adverte que, mesmo em meio a um cenário baixista pela pressão da colheita norte-americana, a demanda terminará resgatando o preço do cereal. "O USDA informa que seu país exportará, entre setembro de 2013 e fins de agosto de 2014, cerca de 31 milhões de toneladas de milho e, em apenas dois meses, já foi colocada no mercado mais da metade desse volume. Este fato é chave. No ano passado ocorreu a mesma coisa, e terminamos com um mercado bastante sustentado. Quando os Estados Unidos começam a vender seus grãos, mais cedo ou mais tarde, os preços são definidos", diz. O caminho deve ser parecido para a Argentina. Assim como faltou trigo e o preço subiu, poderá acontecer o mesmo para o milho em março ou abril, até que entre a nova colheita. Isso significa preços mais altos lá na frente. Por isso, a recomendação para os produtores do país é não vender o cereal agora.


MELHORA INSUFICIENTE

Os preços do leite tiveram outra melhora homeopática e seu crescimento no ano supera o da inflação. Um observador atento do setor poderia acreditar que o produtor está no melhor dos mundos e, no entanto, não é assim. Ocorre que durante os dois anos anteriores os produtores de leite endividaram-se, cenário do qual é difícil sair com o atual nível de rentabilidade que mostra a atividade. As informações sobre a atividade leiteira na Argentina são escassas, mas alguns indicadores mostram que, até agora, a produção de leite do país é 2% inferior à registrada em 2012.


RENTABILIDADE LIMITADA

Com base em informações do mercado, em 2014 deve haver algumas melhoras no preço nominal da carne e do gado para abate, e provavelmente novas baixas e dificuldade de vendas para reprodutores e ventres em geral, segundo o analista Belisario Castillo. No balanço, o cenário projetado para o próximo ano estará marcado por uma nova queda da rentabilidade, em geral, para toda a cadeia pecuária. Assim, é inegável que é necessário, com urgência, uma recomposição do preço real em todas as etapas de produção e serviços. A expectativa de um aumento nos valores se apoia em duas variáveis que poderiam fortalecer a demanda de carne e/ou reduzir a oferta de gado no futuro. A primeira, de curto e médio prazo, se concentra no negócio da exportação, que está dando sinais de reativação nos últimos meses, ainda que tenha muitas adversidades para superar. A outra possibilidade é mais conjuntural e tem a ver com uma possível escassez de gado que poderia acontecer a partir de alguns indicadores de liquidação bastante fortes que estão sendo observados, ainda que esta opção esteja ligada a um futuro mais distante.


TRIGO

O Governo projetou em 8,8 milhões de toneladas a colheita do cereal. Em seguida, avisou que o número estava equivocado, mas, até o fechamento deste informe, não se manifestou mais sobre o assunto. A Bolsa de Cereais de Buenos Aires estima a produção em 10,35 milhões de toneladas.

SOJA

A Bolsa de Cereais de Buenos Aires estimou em 20,2 milhões de hectares a intenção de plantio de soja em 2013/2014, um pouco acima dos 19,7 milhões de hectares de 2012/ 2013.

LEITE

No último mês, não houve grandes mudanças nos preços recebidos pelos produtores. O litro vale em torno de US$ 0,368 (dólar oficial) e US$ 0,210 (dólar paralelo).

CARNE

A categoria estrela, o novilho jovem especial, estava cotado, em fins de outubro, entre US$ 1,89 e 2,03 (dólar oficial) e entre US$ 1,08 e US$ 1,16 (dólar paralelo).