Florestas

 

As atenções com o PERCEVEJO BRONZEADO do eucalipto

Prof. MsC. Alexandre Coutinho Vianna Lima, da Faculdade Cantareira, São Paulo, Prof. Dr. Carlos Frederico Wilcken, da FCA/Unesp, Botucatu/SP

A cultura do eucalipto, nos últimos anos, vem se expandindo em diversos estados devido à fácil adaptação em função do tipo de solo e das condições climáticas. Hoje, o País já possui mais de 6,2 milhões de hectares de florestas plantadas, com o objetivo de fornecer matéria-prima para empresas de vários segmentos, como papel e celulose, carvão vegetal para siderurgia, painéis de aglomerado de madeira, MDF, HDF, chapa de fibra, compensados, madeira serrada, lenha e biomassa, óleos essenciais, produtos apícolas, postes e mourões, etc. Como qualquer cultura em ambiente homogêneo, o eucalipto está sujeito as ocorrências de insetos- pragas, sendo estes nativos migratórios de culturas agrícolas ou exóticos, normalmente de origem da espécie do hospedeiro, que, no caso, é o do percevejo bronzeado. Um inseto praga de origem australiana que foi detectado em maio de 2008 no estado do Rio Grande do Sul e, posteriormente, no estado de São Paulo em junho do mesmo ano.

O percevejo bronzeado do eucalipto, Thaumastocoris peregrinus (Hemiptera: Thaumastocoridae), recebeu esse nome devido ao sintoma que a praga ocasiona nas folhas, deixando-as avermelhadas e/ou bronzeadas. Essa praga está presente na América do Sul, África e Europa, sendo considerada praga-chave para a cultura do eucalipto. Vários estudos foram desenvolvidos em busca de soluções para minimizar seu dano nas plantações, que se caracterizam por desfolha expressiva nas árvores. Normalmente o dano inicia no terço médio da copa das plantas, causando uma coloração bem variada com tonalidades de amarelo a vermelho, em função da espécie ou clone plantado, progredindo para desfolha parcial e total da copa. O inseto tem uma tendência a atacar plantas com mais de um ano de idade em campo, porém, já foram observados plantios com três meses de idade sendo atacados, vindos de talhões vizinhos altamente infestados. Vale ressaltar que o percevejo bronzeado não ataca mudas de eucalipto em condições de viveiro, somente de campo.

A flutuação populacional do inseto está altamente relacionada com as variáveis climáticas, principalmente precipitação pluviométrica e umidade relativa do ar, fatores esses que foram estudados e que afetam diretamente no controle da população do inseto. Os picos populacionais são nos períodos secos e sem chuvas. Na fase adulta é um percevejo pequeno, medindo em torno de três milímetros de comprimento, com corpo achatado e de coloração marrom. Na fase jovem do inseto, as ninfas não possuem as asas formadas e possuem os olhos vermelhos, os ovos são de cor preta e com um milímetro de comprimento e são colocados de forma agrupada nas folhas, ramos, caule e frutos de eucalipto. O inseto se prolifera rapidamente nas plantações de eucalipto, pois uma fêmea é capaz de colocar mais de 60 ovos. Tanto o adulto como a ninfa são sugadores e causam danos. O adulto chega a viver em torno de 22 a 36 dias e a ninfa, em torno de 23 dias com cinco instares, podendo variar o período de vida do inseto em função das condições ambientais.

O percevejo bronzeado é um inseto específico de eucalipto e, dentre as espécies que são consideradas como hospedeiras do inseto, as mais comuns são Eucalyptus camaldulensis, como a mais suscetível, seguida de E. grandis, E. tereticornis, E. viminalis, híbridos de E. camaldulensis x E. grandis e E. grandis x E. urophylla, E. globulus e E. benthamii. Entre as espécies resistentes disponíveis no Brasil, as principais são E. cloeziana e Corymbia citriodora. Diante da variedade de espécies hospedeiras do inseto, é recomendado evitar o plantio de um único clone disponível no mercado, procurando diversificar os materiais plantados de eucalipto na propriedade, minimizando a chance de perdas com o percevejo bronzeado.

Manejo Integrado de Pragas — Uma estratégia que é um dos pilares do Manejo Integrado de Pragas (MIP) é o monitoramento do percevejo bronzeado, realizado com armadilhas adesivas amarelas, que são atrativas ao inseto, e são colocadas em campo, sendo recolhidas a cada 30 dias em baixa infestação e 15 dias em alta infestação. Ferramenta esta que é totalmente viável, pois auxilia o produtor na tomada de decisão em relação ao controle do inseto. O importante neste caso é sempre buscar o auxílio de profissionais especializados, pois o nível de controle está associado à quantidade de insetos presentes nas armadilhas, conhecimento do comportamento do inseto, ciclo biológico e estudos correlacionados com as variáveis climáticas.

Em relação ao controle não há inseticidas químicos oficialmente registrados para controle da praga, apesar de alguns produtos já terem sido testados com sucesso. Vários estudos com agentes de controle biológico estão em andamento, com fungos entomopatogênicos, com ótimos resultados. Porém, o produtor, ao escolher esse método, deve ficar atento às condições de umidade na hora da aplicação. Em relação ao parasitóide de ovos do percevejo bronzeado, o Cleruchoides noackae, os estudos estão sendo iniciados, e foram realizadas liberações em SP, MG, RS, MS e MA. Os resultados foram promissores, com o estabelecimento do parasitoide em todos esses estados. A taxa média de parasitismo tem sido de aproximadamente 25%. Hoje o produtor pode ficar mais tranquilo para realizar o manejo do percevejo bronzeado. O monitoramento das florestas plantadas e as intervenções no momento correto são as medidas preventivas ao dano causado pelo inseto.