Armazenagem

 

PRONTO para receber a colheita

Agora é a hora de promover uma série de ações – e precauções – para deixar toda a estrutura de armazenagem ajustada para acolher a produção de grãos. E o mais importante: sem perdas e prejuízos. A seguir, um guia de como preparar o silo

Eng. Adriano Mallet, diretor técnico da Agrocult, [email protected]

Neste período de entressafra é de extrema importância reforçar algumas instruções referentes ao funcionamento e à manutenção dos equipamentos de armazenagem e também para a conservação e a armazenagem corretas. A base inicial é ter um plano de trabalho de prevenção dos equipamentos no período de entressafra, quando se deve preparar a unidade para receber as atividades e ações de manutenção preventiva e, consequentemente, corretiva. Um plano bem elaborado proporciona ao armazenador reduções de custos quando da necessidade de aquisição de peças de reposição e contratações de serviços, pois terá a condição de tempo para a troca e disponibilidade de mão de obra, sem paralisar o funcionamento no período de safra, evitando filas de caminhões na recepção e atrasos na colheita.

A etapa inicial é executar uma limpeza (higienização e lavagem), removendo os resíduos de grãos existentes e depositados sobre pisos, moegas, poços e túneis, pois a decomposição forma gases que são mortais e de ação rápida. Retirar o pó acumulado, o qual é um dos maiores agentes de contaminação e proliferação de pragas. Na sequência realizar ações mecânicas como revisão de rolamentos, correias, motores, reapertos, lubrificações e troca de peças desgastadas.

Para uma ótima e segura armazenagem, a limpeza dos grãos é muito importante. Esta etapa pode ser considerada como o filtro da unidade armazenadora. Este processo funcionando adequadamente facilita a aeração, expurgo com maior eficácia, reduz a emissão de pó, acúmulo de palha no interior do secador, obstruções na canalização e concentração no interior da massa de grãos, gerando pontos de aquecimento. Inicia-se com uma limpeza periódica no interior da máquina com ar comprimido, especificamente na câmara gravitacional – local onde ocorre a captação do pó e das impurezas leves.

No quadro das peneiras estão as esferas de borracha que têm por função retirar as impurezas e grãos retidos nos furos das próprias peneiras. A verificação do estado das esferas de borracha otimiza a limpeza dessas áreas, evitando a redução da capacidade de produção pela diminuição da área de processo (esfera de boa qualidade, ao deixar cair no piso, de forma vertical, deverá retornar aproximadamente a 70% da altura). Importante, também, é a distribuição uniforme dos grãos sobre área de peneiras, regular a entrada para que ocorra a distribuição.

Para uma ótima e segura armazenagem, a limpeza dos grãos é muito importante, etapa que pode ser considerada como o filtro da unidade armazenadora

Em caso de substituição de bielas ou tensores das caixas de peneiras, devemos trocar sempre o conjunto (direito/ esquerdo), independentemente de ser metálica ou de madeira. Isso manterá a equilíbrio do conjunto e, consequentemente, o balanço dinâmico, evitando fissura na estrutura da máquina. Regular os registros de ar que atravessam a massa de grãos, arrastando o pó e as impurezas leves para o ciclone – observar o sistema de captação de pó, não deixando pó/cascas precipitar na canalização de ligação (máquina-ciclone) e manter regulado o saco de coleta de pó sempre estufado é fundamental para aumentar a eficiência da captação. Para máquinas de grandes capacidades, recomendamos automatizar o recolhimento das impurezas, devido ao grande volume que é gerado durante o funcionamento.

O principal objetivo da secagem é reduzir a umidade do grão a níveis processáveis e armazenáveis. No secador, verificar o sistema de descarga, observando o nivelamento da mesa de descarga e, caso for do modelo pneumática, cuidar das pressões necessárias de trabalho, do sistema de lubrificação do cilindro pneumático e do funcionamento do compressor de ar, seguindo instruções do fabricante. Caso o sistema for por eclusas, observar existência de pás quebradas. Esta situação gera secagem desuniforme. A limpeza deve ser periódica no interior (torre). A realização é conforme características dos grãos recebidos (percentual de impurezas). A limpeza deve ser definida como tarefa padrão, com base em horas de trabalho. O não cumprimento desta instrução poderá provocar incêndios e danos na estrutura do secador, gerando custos para reposição das peças danificados devido à temperatura elevada.

Mallet: "A base inicial é ter um plano de trabalho de prevenção dos equipamentos no período de entressafra, quando se deve preparar a unidade para receber as atividades e ações de manutenção preventiva"

Cuidar para que a entrada do produto seja sempre de forma vertical, por meio do uso de amortecedores que têm como objetivo amenizar a queda do produto, reduzindo danos físicos, e direcionar verticalmente para o interior, de forma que a distribuição seja homogênea na torre de secagem. A utilização de amortecedor deve ocorrer na entrada de todos os equipamentos. Operar o secador sempre nas temperaturas especificadas pelo fabricante. Secagens a altas temperaturas provocam danos aos grãos, como redução do valor nutritivo (queima de proteínas, carboidratos, vitaminas, etc.), fissuras na parte externa (casca), que facilitam a penetração de pragas.

Após a operação, deixar o secador trabalhar por 20 minutos, para que ocorra a secagem da umidade no interior do mesmo, eliminando a saturação e possíveis focos de oxidação nas chapas. Com a torre de secagem carregada, regular as pressões de trabalho do secador por meio de manômetro. E verificar funcionamento do controle de nível, termômetros e do quadro de comando geral.

A etapa da armazenagem de grãos, para o produtor, é a hora da verdade e todas as fases anteriores irão terminar neste ambiente onde será guardado o produto

Na fornalha, verificar as condições das grelhas da câmara de combustão, das paredes internas, do quebra chamas e a limpeza do redemoinhador. Para uma operação adequada, os cinzeiros deverão ser limpos e abertos, a lenha (seca) distribuída sobre toda a grelha e a porta da fornalha deve permanecer fechada, forçando o ar a passar pela câmara de combustão. As pressões de trabalho da fornalha e do secador devem ser monitoradas pelo manômetro durante todo o funcionamento, instalado junto ao secador em locais indicados e visíveis. Ele deve ser observado, em caso de alteração das pressões.

O operador deverá regular novamente o sistema para manter os índices especificados e observar o que gerou a desregulagem. Geralmente é por excesso de alimentação de lenha, aumentando a temperatura e obrigando abertura da entrada do ar natural. A economia de lenha está relacionado diretamente com uma alimentação contínua da câmera de combustão e distribuição da lenha na mesma. As oscilações de temperatura provocam secagem não uniforme e, quando a temperatura se eleva acima do limite, surgem riscos de incêndio. Por isso, é ideal manter a alimentação contínua de lenha, deixando a temperatura de secagem dentro dos parâmetros determinados.

Hora da verdade — A etapa da armazenagem de grãos para o produtor é a hora da verdade. Todas as fases anteriores irão terminar neste ambiente onde será guardado o produto. Desta forma, qualquer processo realizado de forma inadequada, suas consequências, como perdas qualitativas e quantitativas, surgirão na etapa final. Devese ter o conceito de que guardar com qualidade exige recipientes higienizados. Silos ou armazéns devem ser preparados criteriosamente para receber a safra, que ficará depositada por tempo indeterminado. Logo, existe a necessidade de realizar uma limpeza, retirando todos os resíduos de grãos, impurezas e focos de contaminação. Nos silos devemos limpar as paredes internas, canaletas e as chapas perfuradas de aeração (desobstrução dos furos) e verificar a existência de infiltração de umidade. Lubrificar o espalhador de grãos, os registros de descarga, o ventilador e a rosca varredoura, quando houver e o fechamento da porta de inspeção pela parte interna do silo.

Deve-se verificar a fixação dos cabos de termometria e o seu funcionamento (calibragem anual), testando os sensores de temperatura e suas conexões. Quando iniciar a carga, observar o funcionamento do espalhador de grãos (giro), em momento de paradas, nivelar o talude interno para termos uma aeração uniforme, iniciar o processo de aeração por insuflação e monitorar as temperaturas da massa. A aeração deverá ser acionada com base nas informações recebidas da estação meteorológica e com análise das tabelas de equilíbrio higroscópico. Na descarga dos grãos, iniciar sempre pelo registro central (para silos verticais). Na sequência, acionar os demais, observando o comportamento do talude interno, concluindo o processo por intermédio da rosca varredora. Para os armazéns, as instruções são similares. Jamais caminhar sobre a massa de grãos. Caso necessário, fazer somente com utilização de sistema de segurança e acompanhado.

Os transportadores são fundamentais para manter a capacidade de processamento (fluxo). Nos elevadores de caçambas, devemos seguir as instruções de manutenção, como fixação das caçambas e seu desgaste, alinhamento das calhas e correias das caçambas e a tensão desta última e regulagem do freio contra recuo, dispositivo que evita embuchamento do elevador no caso de falta de energia. Retirar as impurezas que ficam acumuladas no funil de saída para evitar obstrução de passagem dos grãos, reduzindo a capacidade de transporte. A alimentação deve ser feita somente com as caçambas em movimento, não ultrapassando a capacidade máxima especificada, caso contrário ocorrerá embuchamento no pé. Evitar parada com as caçambas cheias de grãos, que provoca sobrecarga quando da nova partida, causando danos no motor/motoredutor e transmissões. Estas instruções de operação são válidas e se aplicam aos demais transportadores.

Nas correias transportadoras devese verificar o alinhamento e se os roletes estão girando livremente. Cuidar da tensão da correia por meio dos esticadores (manual ou por contrapeso). Se estiver operando acima da tensão, haverá redução na capacidade de transporte, por não poder formar a superfície adequada para transportar o volume. Com tensão abaixo do especificado, provoca desalinhamento e possíveis danos na borracha. Na questão segurança, não deslocar o carro de despejo lateral com a correia em movimento e observar que roletes trancados, quando a correia está em funcionamento, geram aquecimento na mesma (borracha), provocando risco de incêndio e explosão em ambientes confinados com pó.

Nos transportadores helicoidais, é importante manter os mancais lubrificados e observar a regulagem do caracol (helicoide), mantendo-o nivelado e alinhado, não permitindo o contato deste com a calha. Cuidar que o afastamento entre o helicoide e a calha seja entre 5 a 8 milímetros, ou maior que o grão, evitando danos mecânicos no mesmo. O grande item de desgaste é a bucha interna dos mancais intermediários, que deve ser substituída quando o caracol iniciar o contato direto com a calha e danificar o grão (quebrar). São algumas instruções técnicas para iniciar o recebimento da sua colheita.