Glauber em Campo

 

SOJA, UMA CADEIA RELEVANTE PARA O PAÍS

Glauber Silveira

Na Câmara da Soja foi construído um ambiente no qual o Governo (por meio dos ministérios), a iniciativa privada (instituições como Abiove e Acebra) e as instituições representativas dos produtores (CNA, Aprosojas, OCB e outras) podem trabalhar de forma articulada

Em novembro assumi a presidência da Câmara Setorial da Soja. Trata-se de mais do que um mero órgão consultivo do ministério, mas o maior fórum de debate da cadeia. A criação da Câmara, em 2008, foi uma grande conquista para nós produtores, já que antes participávamos de outras câmaras setoriais, como a de Oleaginosas e Biodiesel, por exemplo, mas não tínhamos a nossa. Por isso, essa era uma demanda dos produtores de soja, criar a Câmara Setorial da Soja. Nada mais justo, já que oleaginosa é a cultura mais importante economicamente para o País, principal item da pauta de exportação brasileira e que gera 25% do PIB do agronegócio.

O trabalho da Câmara congrega todos os entes do setor. Nela foi construído um ambiente no qual o Governo (por meio dos ministérios), a iniciativa privada (instituições como Abiove e Acebra) e as instituições representativas dos produtores (CNA, Aprosojas, OCB e outras) podem trabalhar de forma articulada. Com isso, conseguimos montar uma agenda estratégica, que é focada em convergir vários assuntos do setor. E, tem sido uma experiência muito construtiva, pois, nas reuniões, para cada item na pauta podemos fazer as recomendações e acompanhamentos e traçamos as ações seguintes. Quando se trata de um assunto estruturante que demanda levantamento de informações e ações de médio e longo prazo, criamos grupos de trabalho (GTs) nos quais as entidades mais afetadas ou relacionadas ao tema ficam responsáveis.

A grande vantagem de ter uma ligação física e orgânica com o ministério é que, quando necessário, tanto os secretários quanto o próprio ministro participam da reunião, ajudando muitas vezes a tomar decisões em caráter de urgência. E, em outras ocasiões, por meio da Câmara, conseguimos agendar audiências importantes com a Casa Civil e outros ministérios, o que gera mais peso as demandas levadas, por se tratar de um pleito organizado da cadeia. Resumidamente, a Câmara consegue funcionar como um canal eficiente de discussão, tomada de decisão e de ações, por reunir todos os lados da mesa de negociação: o consumidor, o produtor e o vendedor da soja.

Além das reuniões normais de trabalho designadas pelo ministério, pretendo realizar outras reuniões nos intervalos, montar grupos específicos, para que a Câmara possa realizar atividades mensais, sem perder o timing do assunto. Hoje já existem três GTs criados: biotecnologia, classificação de grãos e defesa fitossanitária. Na última reunião, criamos mais um para discutir o seguro agrícola e outro para estudar o registro de CPR, este último após um produtor do Maranhão ter pedido a palavra e apresentar denúncia de que os cartórios estão cobrando preços abusivos para seu registro. Assim, no último encontro da Câmara já começamos a trabalhar outros temas relevantes para o setor.

E, desta forma, pretendo trabalhar sempre dando mais agilidade as deliberações, encaminhando as demandas que são importantes para a cadeia. Como é o caso da biotecnologia, tema que merece bastante atenção e discussão, pois é um assunto de interesse da cultura em nível mundial e que todos os atores estão envolvidos e têm interesse.

Outros temas também devem receber destaque, como a discussão da alteração da Lei de Proteção de Cultivares, o seguro agrícola para a soja não contingenciado e os limites de créditos setorizados. E, com tantos temas, minha meta é acelerar a dinâmica da Câmara, para que ela venha realmente contribuir para o setor e ser um local de discussões proativas e construtivas. Que possamos aproveitar este fórum para, quem sabe, com o passar do tempo ele possa vir a se transformar em um comitê arbitral do setor.

Hoje, o grande destaque da Câmara da Soja é que ela tem a participação de produtores tanto na presidência como nos assentos. Em outros fóruns que participávamos, geralmente, a indústria é que presidia e, por isso, muitas vezes, nossa atuação era limitada. Atualmente, esse cenário é diferente. Estamos trazendo para a Câmara da Soja a participação das entidades estaduais e o nosso objetivo é que em breve as demais entidades organizadas, tanto dos produtores quanto de outros elos, tragam suas demandas e participem dos nossos encontros.

Engenheiro agrônomo, produtor e presidente da Aprosoja Brasil