Agribusiness

 

TRIGO



BRASIL PRECISA ELEVAR AQUISIÇÕES EM ORIGENS EXTRA-MERCOSUL

Juliana Winge - [email protected]

No Brasil, o bom desempenho das lavouras gaúchas permite reajustar o número, segundo Safras & Mercado, de 4,6 milhões de toneladas para 4,8 milhões. No Paraná, o montante produzido deve ser de 1,65 milhão de toneladas. No Rio Grande do Sul, em linha com o Boletim da Emater/ RS, as condições são favoráveis e permitem trabalhar com uma projeção de 2,65 milhões de toneladas, superando em 51,4% o montante do ano anterior. Esta concentração de produção no Rio Grande do Sul e a ausência do Governo na comercialização – já que os preços permanecerão acima do mínimo de garantia – farão com que, diferente do ocorrido nos últimos anos, quando o principal destino do trigo gaúcho era o porto de Rio Grande/RS, tenha-se uma presença significativa de moinhos de Santa Catarina, Paraná e da Região Sudeste, de olho no excedente gaúcho. As dificuldades de logística e de armazenagem podem trazer momentos de pressão sazonal de queda para as cotações no Brasil e, em especial, no Rio Grande do Sul. Porém, mantida a atual situação de câmbio e preços internacionais, o ano comercial deve ser de preços firmes. Os compradores têm utilizado a paridade de importação com o trigo norte-americano (trigo hard de Kansas) para balizar suas ofertas. Interessante destacar que muitos moinhos já não têm acesso à cota (2,7 milhões de toneladas no total) liberada com a isenção da Tarifa Externa Comum (TEC).

Corroboram para este sentimento os últimos números divulgados pelo Ministério da Agricultura da Argentina, que estimou a área cultivada com trigo no país em 3,4 milhões de hectares na temporada 2013/14, o que representa uma elevação de 7,6% frente ao ano anterior. Os estoques iniciais da temporada são estimados em 0,5 milhão de toneladas. A produção deve ser de 8,8 milhões de toneladas, com 2 milhões de toneladas destinados à exportação. Os estoques finais no país estão projetados em 500 mil toneladas.


ARROZ



MERCADO GAÚCHO MOSTRA FRAQUEZA NOS PREÇOS
Rodrigo Ramos - [email protected]

A cotação do arroz em casca mostrou fraqueza na primeira quinzena de outubro no principal mercado nacional, o Rio Grande do Sul. A média era de R$ 33,64 por saca de 50 quilos no dia 15, 1,4% abaixo da média de um mês atrás, que era de R$ 34,13, e 13,6% menor que o valor pago ao produtor em outubro de 2012, quando estava a R$ 38,92. Segundo o analista de Safras & Mercado Eduardo Aquiles, o cenário atual ainda indica desvalorização do cereal no mercado interno. O principal fator influenciador é a atuação do Governo por meio de leilões de venda de arroz, que colocou em torno de 77 mil toneladas no mercado, de um total ofertado de 100 mil. Esta atitude do Governo também influenciou na retomada das vendas do cereal por parte dos produtores. "Soma-se a isto o período de financiamento de custeio para a formação de caixa para o plantio da safra 2013/14", ressalta. "Além disso, a proximidade com o período de férias também retrai a demanda por parte das indústrias", completa. De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral), do Paraná, a área de plantio de arroz irrigado na temporada 2013/14 deverá ficar estável no estado, com 19.956 hectares, queda de 1% na produção, que passaria de 150.762 toneladas para 148.738 toneladas. Sendo assim, a produtividade também recuaria em torno de 1%, ficando a 7.453 toneladas por hectare. Por sua vez, a área plantada com arroz sequeiro no estado deverá recuar 8% em 2013/14, passando de 12.887 mil hectares em 2012/13 para 11.918 mil. A produção também deverá recuar, passando de 25.219 toneladas na temporada anterior para 23.712 toneladas na atual, 6% menor. Por outro lado, a produtividade aponta leve alta de 2%, ficando a 1,99 toneladas por hectare.


SOJA



MAIOR SAFRA DA HISTÓRIA; QUASE 90 MILHÕES DE TONELADAS

Dylan Della Pasqua - [email protected]

A produção brasileira de soja na temporada 2013/14 deverá totalizar 89,453 milhões de toneladas, com aumento de 9% na comparação com a safra anterior, que ficou em 82,125 milhões de toneladas. A previsão faz parte de levantamento divulgado por Safras & Mercado. No relatório anterior, divulgado em 29 de julho, a previsão era de safra de 88,172 milhões de toneladas. A estimativa de área plantada passou de 27,905 milhões de hectares em 2012/ 13 para 29,265 milhões na atual temporada, com aumento de 5%. Safras trabalha com rendimento médio de 3.057 quilos por hectare, superando os 2.949 quilos do ano passado. Mato Grosso deverá seguir líder no ranking de produção nacional, com safra estimada em 26,208 milhões de toneladas, representando crescimento de 11% sobre 23,6 milhões de toneladas obtidas em 2012/13. A produção do Paraná deverá ter um crescimento de 1%, para 16,005 milhões de toneladas.

Os produtores gaúchos deverão colher 13,496 milhões de toneladas, aumento de 7% sobre a safra passada, que totalizou 12,6 milhões de toneladas. O levantamento indica aumentos generalizados, tanto de área como de produção, nos estados produtores da oleaginosa, com destaque para as regiões Norte e Nordeste. As exportações deverão totalizar 45 milhões de toneladas em 2014, avanço de 6% sobre o ano anterior, quando os embarques ficaram em 42,5 milhões de toneladas. A previsão faz parte do quadro de oferta e demanda brasileiro de Safras & Mercado. O esmagamento deverá subir 3%, passando de 36 milhões para 37 milhões de toneladas.

A oferta total de soja deverá subir 10% na temporada, passando para 90,525 milhões de toneladas. A demanda total está projetada por Safras em 85,050 milhões de toneladas, com incremento de 4%. Desta forma, os estoques finais deverão subir 436%, passando de 1,022 milhões para 5,475 milhões de toneladas. Safras trabalha com uma produção de farelo de soja de 28,5%, com aumento de 3%. As exportações deverão subir 4%, para 14 milhões de toneladas, enquanto o consumo interno está projetado em 14,6 milhões, elevação de 3%. Os estoques deverão recuar 14%, para 616 mil toneladas. A produção de óleo deverá crescer 3%, atingindo 7,03 milhões de toneladas. O Brasil deverá exportar 1,3 milhão de toneladas, com queda de 4%. A previsão é de 2,06 milhões de toneladas sejam disponibilizadas para a fabricação de biodiesel, aumento de 4%. O consumo interno deve crescer 5%, para 5,78 milhões, contando o uso para o biocombustível. A previsão é de queda de 23% nos estoques, para 166 mil toneladas.


ALGODÃO



PLUMA BRASILEIRA COM FIRMEZA NOS REFERENCIAIS DE PREÇOS

Rodrigo Ramos - [email protected]

O aperto no quadro de oferta e demanda na temporada 2013/14 segue garantindo preços firmes no mercado doméstico de algodão. No Cif de São Paulo, a indicação estava por volta de R$ 2,15 por libra-peso (41-4 para pagamento em oito dias) em 15 de outubro. "Também é interessante notar que, depois da alta volatilidade apresentada em agosto, durante setembro e a primeira quinzena de outubro, os preços apresentaram oscilações moderadas", destaca o analista de Safras & Mercado Élcio Bento. Durante o mês de agosto, a diferença entre a mínima (R$ 2,02/libra-peso) e a máxima (R$ 2,28/libra-peso) havia sido de 18,87%. Em setembro, a mínima foi de R$ 2,09/libra-peso e a máxima, de R$ 2,15/libra-peso, o que corresponde à diferença de 2,87%. "Na primeira quinzena do mês corrente a amplitude das cotações foi de apenas 2,3%", exemplifica Bento.

Esse comportamento deve-se à postura retraída dos agentes de ambas as pontas do mercado. "As indústrias olham para a paridade de importação e veem espaço para acomodações nos referenciais de preços", explica o analista. "Isso se justifica pela queda dos preços internacionais e do dólar em relação ao real, que, se comparados ao mesmo período do mês anterior, apresentam retração", avalia. Pela paridade de exportação, o algodão a R$ 2,07 por libra-peso no interior do Mato Grosso chegaria ao Fob de Santos/SP por volta de R$ 2,24/libra-peso. Com o câmbio do dia 15 de outubro, corresponderia a US$ 1,03/libra-peso, ou 22% superior à cotação de dezembro/13 na Ice Futures. "Há um mês, essa diferença era de 11,5%, mostrando que o produto nacional está perdendo competitividade internacional", completa Bento.


CAFÉ



COTAÇÕES MAIS BAIXAS EM QUATRO ANOS

Lessandro Carvalho - [email protected]

O mercado internacional de café seguiu demonstrando fraqueza ao longo de outubro, com as cotações fechando o pregão do dia 21 (redação desta coluna) na Bolsa de Mercadorias de Nova York (ICE Futures) nos patamares mais baixos em quatro anos e meio. A temporada de boa oferta do Brasil e de outros países, com a demanda seguindo comedida, cautelosa, mantém os preços globais sob pressão. Apesar da proximidade do inverno no Hemisfério Norte, quando grandes nações importadoras consomem mais bebidas quentes, não houve corrida às compras. Sabendo da oferta tranquila nos países produtores, os compradores continuaram com sua postura defensiva, comprando apenas o necessário para o curto prazo, com estoques enxutos. No Brasil, os preços seguiram pressionados, com os produtores preocupadíssimos com o cenário de mercado fraco, esperando ações do Governo e tentando segurar a oferta, mas sem êxito na sustentação do mercado, que pouco a pouco vai tendo cotações mais baixas. Embora haja quem acredite em recuperação nos preços, a tendência mais comentada é a de manutenção do quadro baixista. No ano que vem o Brasil deve colher mais uma boa safra, a Colômbia está crescendo novamente e a América Central vem sem maiores problemas com a produção, assim como o Vietnã no caso do robusta. As exportações brasileiras de café no acumulado dos nove primeiros meses do ano civil 2013 (janeirosetembro) totalizaram (entre café verde e industrializado) 22,381 milhões de sacas de 60 quilos, aumento de 14% no comparativo com janeiro a setembro de 2012, quando os embarques foram de 19,634 milhões de sacas. As informações partem do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). A receita nos nove primeiros meses do ano foi de US$ 3,868 bilhões, com redução de 15,1% sobre o mesmo período de 2012 (US$ 4,554 bilhões).


MILHO



FOCO DO MERCADO MIRA COLHEITA NOS EUA E PLANTIO NA AMÉRICA DO SUL

Arno Baasch - [email protected]

O mercado brasileiro de milho se aproximava de novembro atento ao avanço da colheita norte-americana e ao ritmo de plantio na América do Sul, o que mantém as negociações internas em ritmo bastante lento. Segundo o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari, com a retomada das atividades no Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, será possível conhecer, em novembro, o real tamanho da safra do maior produtor mundial, uma vez que o relatório de oferta e demanda de outubro não foi divulgado. "Embora os dados oficiais ainda sejam desconhecidos, informações indicam que a colheita norte-americana vem acontecendo de forma mais lenta que a habitual, com os produtores estadunidenses optando por colher a soja antes da chegada do frio mais intenso do outono, marcado por geadas e neve, que poderiam comprometer a qualidade da oleaginosa", explica.

Além disso, mesmo em meio à expectativa de uma safra recorde, Molinari explica que o produtor de milho norte-americano tem procurado estocar os volumes colhidos, fator este que tem ajudado a evitar uma queda ainda mais significativa dos preços no mercado internacional. "Na América do Sul, por sua vez, as perspectivas indicam uma expectativa de safra menor no Brasil e na Argentina, onde o ritmo de plantio se mostra atrasado frente a outros anos, devido à falta de chuva até a terceira semana de outubro, o que também gera uma expectativa especulativa e evita um maior recuo nos preços internacionais", sinaliza.

No Brasil os preços também têm se mantido até outubro, mesmo com uma situação de boa disponibilidade de milho nos armazéns dos principais estados produtores de safrinha. "Este cenário de retenção nas vendas indica que o produtor brasileiro está bem capitalizado, podendo escalonar as vendas e até mesmo realizar determinadas apostas em termos de comercialização", avalia. Conforme Molinari, essa decisão de reter a venda é arriscada, uma vez que pode trazer sérios problemas aos cerealistas e cooperativas mais à frente, com a entrada da safra verão de milho e, principalmente, de soja, diante da necessidade de espaços nos armazéns para estocagens dos grãos.