Na Hora H

 

AS CHUVAS CHEGAM E COM ELAS NOVAS ESPERANÇAS PARA -O BRASIL

ALYSSON PAOLINELLI

O mês de outubro, especialmente para o Brasil Central, significa o início das chuvas do ano agrícola 2013/14. Os produtores brasileiros, ao verem os primeiros pingos caindo no solo que eles permanentemente laboram, se esquecem de todos os pecados que pagaram, os sofrimentos da safra anterior, os custos abusivos que caíram sobre seus ombros, as dificuldades da comercialização dos seus produtos e, num lance e heroísmo, voltam à sua terra para plantar nova safra e com ela renovar as nossas esperanças.

Todos têm a esperança de que a nova safra vai passar de 190 milhões de toneladas e que o nosso País, além de poder se alimentar bem, ainda vai contribuir para mitigar a fome de tantos outros povos que não têm condições de se autoalimentar. É um novo Brasil efervescente onde os caminhões, desta vez, voltam ao interior levando os corretivos, os adubos, os defensivos, as sementes, as novas máquinas agrícolas, tratores, pulverizadores tudo numa sinfonia inigualável a qualquer outro país. Devemos lembrar que este ano, ao que tudo indica, vamos bater o recorde de 1975, vendendo mais de 68 mil tratores de rodas aos nossos produtores. Parabéns. Esta é uma marca indelével e muito significante para nós que queremos ver o Brasil crescendo em produção e em riquezas.

Vamos confiar que o crédito rural prometido saia a tempo e na hora.

Que os R$ 700 milhões do seguro rural não faltem e que, se bem administrados, possam atender a uma significativa parcela dos nossos produtores e de suas áreas plantadas. Seguro rural mesmo e não só seguro de crédito para os bancos. Nesta hora todos sonhamos que a comercialização da próxima safra vai funcionar bem e que necessitará o mínimo de intervenção governamental.

Por falar nisto, esta safra é a safra agrícola que tem maior participação do setor privado. O produtor, a indústria, os prestadores de serviços, todos estão contribuindo de maneira exemplar para que ninguém se frustre. Este é o grande exemplo que estamos dando. É bom sonhar que os gargalos da logística tenham sido removidos em sua maioria e que o escoamento da safra seja o mais normal possível. Nesta hora de plantio, é um momento de fé, e fé não comporta pessimismos nem derrotismos.

Estou acompanhando de perto o esforço do nosso ministro da Agricultura para que tudo funcione bem, a tempo e à hora para que o nosso produtor não se decepcione. Se depender dele, posso garantir que as coisas vão melhorar e as esperanças se realizarão em bons frutos.

Vamos sonhar que a soja, o algodão, o leite, as carnes, os óleos e tantos outros produtos continuem a puxar os preços no mercado internacional. Que o milho, o arroz, a laranja mantenham os seus preços remunerativos, mas especialmente o café, que hoje nos afoga, dê a virada nos mercados internacionais, como tantas vezes já fez e nos tire desta angústia desesperadora. Afinal, fé e esperança se confundem e são sinônimas. Sonhos bem vividos e trabalhados com fé e esperança podem se transformar em realidade. Vamos Brasil, esta é a sua vez. Não vamos perder.

Engenheiro agrônomo, produtor e ex-ministro da Agricultura