Aqui Está a Solução

 

NEMATOIDE NA GOIABEIRA

Quais são as medidas recomendadas para prevenir o nematoide que ataca a goiabeira? Desde já, agradeço as informações.

Arnoldo Vieira Cigana
Vitória da Conquista/BA

R- Conhecido como nematoide-das-galhas (Meloidogyne enterolobii), o inimigo pode provocar desde a perda de produtividade até a morte das plantas. O nematoide, no entanto, não age sozinho. Quando infecta as goiabeiras, ele deixa "portas abertas" para um fungo de solo, chamado de Fusarium solani, que se aproveita da oportunidade e acelera o processo de definhamento e morte das plantas. Apesar de ser um problema bastante conhecido pelos produtores, o controle ainda é um grande desafio. O pesquisador José Mauro da Cunha e Castro, da Embrapa Semiárido, alerta que é de fundamental importância que os produtores adotem medidas para prevenir a ocorrência do nematoide. O mais importante diz respeito ao planejamento da implantação de um pomar de goiabeiras. É recomendado que se faça uma coleta de amostras de solo e, se possível, de raízes de plantas, de forma a representar a área a ser cultivada. Se necessário, o produtor pode recorrer a um profissional da assistência técnica para obter informações sobre o procedimento adequado de coleta das amostras. Após a análise, é emitido um laudo técnico. Caso a área esteja adequada para o cultivo, o segundo aspecto a ser observado pelo produtor se refere à qualidade e à sanidade das mudas. Atendidas essas duas exigências principais, é importante atentar para aspectos relacionados à nutrição do solo. Assim, recomenda-se que amostras de solo sejam encaminhadas a um laboratório para análise química, visando fazer as correções necessárias ao início do cultivo. Durante a condução do pomar, análises periódicas do solo e das folhas devem ser realizadas para subsidiar o manejo nutricional das plantas.

MEDIDA CONTRA A GIBERELA

De que forma o ciclo das cultivares pode interferir sobre a ocorrência de giberela nas lavouras de trigo? Obrigado pela atenção.

Ilvo Motta Miranda
Francisco Beltrão/PR

R- A semeadura de cultivares de ciclo longo no início da safra reduz o risco causado por adversidades climáticas, segundo o pesquisador do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas/SP, João Carlos Felício. A incidência das doenças das espigas, como a giberela e a brusone, ocorrem com mais intensidade nas cultivares precoces, quando semeadas no início da safra. Isso porque quando as chuvas chegam, em junho e julho, as espigas do trigo não estão mais protegidas pelas bainhas das folhas, necessitando de proteção química, que, de acordo com o pesquisador, geralmente não é muito eficaz para o controle quando o período de chuva excede 72 horas. Além de diminuir o rendimento do cereal, a giberela causa outro grande problema: os grãos infectados ficam tóxicos devido à presença de micotoxinas, que podem causar vários tipos de doenças. Os materiais considerados de ciclo longo são colhidos com 135 dias, da germinação à colheita, e os de ciclo precoce, em 110. "Pode parecer pouca diferença, mas no campo esses 25 dias são de extrema importância para evitarmos a giberela. Não atrapalha a semeadura da soja ou do milho, que começa em outubro, se semearmos variedades de ciclo longo", afirma Felício. O pesquisador do IAC lembra que essa prática é recomendada, mas que os produtores deixaram de se atentar a esse detalhe de diversificação de ciclo. A giberela é de difícil controle químico, pois, de acordo com Felício, a aplicação do fungicida nem sempre é bem sucedida, não produzindo o controle esperado nos períodos de chuva intensa. Existem materiais resistentes a essa doença, porém apresentam baixa qualidade de farinha. Daí a importância de fazer a semeadura, em abril, de materiais de ciclo mais longo. Uma técnica adotada no programa de melhoramento genético do IAC para evitar a doença é a seleção de cultivares com espigas laxas, isto é, com maior espaçamento entre as inflorescências. "Com esse espaçamento maior, o vento tende a secar mais rapidamente as espigas, como consequência, a ocorrência da giberela tende a ser menor", explica o pesquisador.