Notícias da Argentina

GRÃOS: A CONTA NÃO FECHA

Como não consegue modificar as distorções de mercado geradas pelas reiteradas intervenções do Governo, ao produtor argentino não resta muito mais do que seguir acompanhando as evoluções de preços de Chicago e esperar que a balança se incline a seu favor. Hoje, o cenário internacional, descontadas as retenções (impostos que se aplicam aos produtos agrícolas exportáveis), apresenta valores insuficientes, tanto na soja quanto no milho, para a colheita 2013/2014, especialmente para aqueles que alugam terras. Resumindo: pela primeira vez em muito tempo, as contas não fecham. Este cenário atrasou o pagamento por aluguéis e a compra de insumos, e a incerteza fez com que o produtor ainda não tenha negociado em torno de 40% da soja de 2012/2013. A atividade ainda sofre com o atraso cambiário, a inflação em dólares e sérios questionamentos sobre a forma de pagamento do arrendamento de terras. Entre 2004 e 2007 a renda se repartia de forma relativamente equilibrada entre o dono da terra e aquele que aluga. A equação passou a ser de uma relação de 70-30 e, nos últimos três anos, se estabilizou próximo de 85-15. Agora, é esperada uma baixa generalizada dos preços dos aluguéis, ainda que apenas esse fator não seja suficiente para equilibrar as contas. Para isso, é preciso esperar por mudanças na macroeconomia do país (muito pouco provável) ou que o clima no Corn Belt norte-americano favoreça a alta dos preços.


OUTRA ATITUDE

Um dos participantes do congresso foi o brasileiro Dirceu Gassen, gestor de Marketing da Cooperativa dos Agricultores de Plantio Direto (Cooplantio). Ele enfatizou a importância de estabelecer um manejo integrado de pragas. "É importante gerar ambientes supressivos para as pragas e, por isso, é tão importante a rotação de culturas", indica o especialista. Gassen foi particularmente crítico ao monocultivo e à falta de rotação de herbicidas, que provocam riscos de resistência e perda de biodiversidade. "O que precisamos fazer é uma soma de pequenos detalhes: semear corretamente, utilizar sementes sadias, substituir o uso de produtos químicos por biológicos e monitorar as áreas", ressaltou.


SUSTENTABILIDADE

Mais de 3.300 produtores e técnicos participaram de uma nova edição do Congresso Nacional da Associação Argentina de Produtores de Plantio Direto (Aapresid). A mensagem da entidade foi clara: "Precisamos modificar nossa maneira de agir com a terra e nessa mudança reside o futuro. Haverá um amanhã se entendermos nossa responsabilidade vital neste tema; e uma tarefa necessária é restabelecer o equilíbrio natural tão seriamente afetado, diminuindo nossos equívocos. Ou seja, fazer com que as boas práticas se convertam em algo habitual, convencional". O presidente da Aapresid, César Belloso, disse que a "sustentabilidade é o ator principal desta história, e o ponto de partida é a agricultura feita com cobertura vegetal, aplicando as boas práticas agrícolas (rotação de cultivos, fertilização balanceada, manejo integrado de pragas e utilização responsável de defensivos com baixo impacto ambiental), com inovação tecnológica baseada na ciência (biotecnologia moderna)".


TRIGO

Em muitas partes do país o cereal vem sofrendo pela falta de água. Na zona chave – sul de Buenos Aires – se mantém em boas condições, mas, mais ao norte, a condição é regular.

SOJA

Com os números atais parece evidente que a disputa pelo plantio de verão entre soja e milho será definida a favor da primeira, que requer um investimento menor.

LEITE

Não há mudanças relevantes no valor do leite. Atualmente, as cotações estão em torno de US$ 0,40 por litro (câmbio oficial) ou US$ 0,23 (mercado paralelo).

CARNE

O novilho jovem(categoria estrela do consumo local) se mantém em torno de 10 pesos por quilo vivo. Ou seja, US$ 1,80, no câmbio oficial, ou US$ 1,05, segundo o valor no paralelo.