Fórum do Agronegócio

 

Agronegócio brasileiro em ANÁLISE

Ideias equivocadas sobre sustentabilidade e a demora para regulamentações, entre outros problemas (e propostas de soluções) do setor, estiveram em pauta no 2º Fórum de Agronegócios, realizado no mês passado em Campinas/SP

Uma série de problemas e suas devidas ideias de resolução da agropecuária brasileira estiveram na pauta de discussões de algumas das principais lideranças na segunda edição do Fórum Nacional de Agronegócios, realizado no mês passado em Campinas/ SP. O evento é promovido pelo Lide – Grupo de Líderes Empresariais, presidido por João Doria Jr., e pelo Lide Agronegócios, liderado por Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura e coordenador do Centro de Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas, e contou com a presença do governador paulista, Geraldo Alckmin, e da presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Kátia Abreu, entre outras lideranças.

Um dos painéis foi comandado pelo presidente da Embrapa, Maurício Antônio Lopes, que avaliou a relação agro- Fotos: Juan Guerra pecuária e produção sustentável. "O maior problema é que ninguém sabe o que é sustentabilidade", afirmou. O debate foi dividido com lideranças como Luiz Barretto, diretor-presidente do Sebrae, Márcio Portocarrero, diretor-executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), e Fernando Sampaio, diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne Bovina (Abiec). "O Brasil cria barreiras para ele mesmo. Devemos ser mais arrojados, caso contrário, ficaremos para trás", afirmou Portocarrero sobre a demora na regularização de produtos.

Já o painel sobre a demora na aprovação de novidades para o setor buscou solucionar os "nós dos insumos". A exposição foi de Alexandre Mendonça de Barros, sócio-diretor da MB Agro, e o debate teve a participação de Eduardo Daher, diretor executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), David Roquetti, diretor executivo da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), e Adriana Bondrani, diretora do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB).

Mendonça de Barros levantou a discussão sobre a dificuldade em três pontos fortes para o agronegócio no Brasil: agroquímica, biotecnologia e fertilizantes. "Hoje, somos a quarta maior agricultura do mundo e a única tropical. A demora dos órgãos responsáveis para aprovação de novas moléculas atrasa o Brasil na descoberta de tecnologias mais avançadas para a produção nas lavouras", explicou. A espera média para a liberação de novos registros pelos órgãos responsáveis é de sete anos. Segundo Eduardo Daher, há uma confusão também na nomenclatura dos produtos. "As pessoas criam nomes para as produções. Para alguns, são inseticidas e, para outros, veneno. Isso é um problema e uma injustiça para o produtor", disse.

Outra discussão unânime foi o uso da área de refúgio nas produções. "Hoje, ainda mais importante, é checar se há resistência de produtos nas ervas e viceversa, atacando a proliferação de pragas nas plantações. O refúgio deve ajudar o produtor e ser obrigatório", completou Adriana Bondrani, do CIB. "Hoje, por exemplo, há um preconceito enorme com os alimentos transgênicos, o que não deveria existir, pois é o alimento que mais é testado nas normas de biossegurança. O problema ainda é ideologia", avaliou.

Diálogo com o Congresso — E com o intuito de solucionar o "o nó da agenda legislativa", Roberto Rodrigues e João Doria Jr. se comprometeram a levar líderes empresariais a se aproximarem mais do Congresso Nacional. Após levantar questões políticas e estratégicas sobre o cenário em que se encontram os projetos de agronegócios, Rodrigues antecipou que buscará estimular uma agenda de encontros, ainda que informais, para o desenvolvimento de uma conversa mais próxima entre as principais lideranças agrícolas brasileiras e parlamentares, visando discutir questões que não podem mais ser adiadas. "Desejamos conversar com as pessoas certas para cada assunto específico, para estabelecer uma linha estratégica e atendermos os projetos necessários", relatou o ex-ministro.

Quem também reforçou a necessidade de mais diálogo e proximidade foi o presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Cesário Ramalho, para quem os problemas rurais brasileiros passam pelo Planalto com frequência menor do que a necessária para o desenvolvimento do setor. As considerações foram feitas durante debate que envolveu ainda Odacir Klein, presidente da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), João de Almeida Sampaio Filho, presidente do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag), Maurício Mendes, presidente da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio (ABMR&A), e Rodrigo Lara Mesquita, jornalista diretor geral da Sagres.

Para José Luiz Tejon Medigo, membro do conselho da ABMR&A, "o povo brasileiro não associa o agronegócio a Governo". "Existe hoje na sociedade uma grande preocupação com água, árvore e qualidade. E com a origem dos produtos que consomem", completou Tejon. "O grande nó da agricultura é a comunicação", salientou Alysson Paolinelli, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), ex-ministro da Agricultura e colunista d'A Granja. "É o Brasil não conhecer o outro Brasil, o Brasil que sustenta, desenvolve e tira-o da crise. Precisamos da compreensão dos que estão no comando, não político, mas sim à frente da produção nacional", destacou.


Além dos debates, o evento concedeu o Prêmio Lide de Agronegócios para empresas, instituições e personalidades comprometidas com o desenvolvimento da atividade no País. "O objetivo do Prêmio Lide de Agronegócios é prestigiar aqueles que contribuem para que esse setor seja o mais importante da economia nacional, o que mais cresce e, consequentemente, ajuda o Brasil a evoluir", justificou João Doria Jr. Foram três premiados em 15 categorias, além de uma homenagem especial a um grande nome do setor agronegócio, o ex-ministro da Agricultura Alysson Paolinelli, colunista d'A Granja.