Na Hora H

 

A SAFRA AGRÍCOLA 2013/14 E O SEU PLANO

ALYSSON PAOLINELLI

Ninguém pode em sã consciência reclamar que o Plano de Safra 2013/2014 não tenha sido bem aquinhoado. O Governo Federal reconheceu a importância do setor agrícola em nossa economia e tratou de dotar o Plano de Safra de mais recursos e novos instrumentos que há muito já se faziam necessários. Mais recursos para o crédito rural e novos programas, como o de armazenagem, há tantos anos esquecidos e que acabaram sendo limitantes à própria produção.

Os novos recursos para a irrigação, que consideramos hoje estratégica para a manutenção de nossa competitividade e, o que ainda é melhor, será o prenúncio da nossa terceira safra. Se com uma segunda safra, que hoje vem se transformando em "safrona", já estamos assustando os nossos concorrentes, imaginem com uma potente terceira safra, a da irrigação. O que eles vão pensar? Com racionalidade, o Brasil poderá irrigar uns 30 milhões a 40 milhões de hectares e triplicar as nossas atuais safras. Os recursos para o seguro rural também foram bastante ampliados e, se usados em novos parâmetros ou conceitos, dariam para realmente garantir a nossa produção e o nosso produtor.

O que nos preocupa é se estes recursos vão realmente chegar a tempo, na hora e com racionais programações para que o produtor possa de fato se beneficiar e a nossa safra ter o crescimento que dela se espera em benefício do nosso consumidor e da nossa economia.

No crédito rural há muito se esperam profundas modificações, inclusive que ele volte a ser comandado pelos ministérios da produção. Perdemos praticamente o controle do crédito rural, que, ao ser transferido para o sistema financeiro, passou a ser comandado por quem não deseja riscos. E isto quando o seguro rural atinge 2,4% da área plantada, como no ano passado. E neste ano, pelo que já se projeta, mesmo com o aumento para R$ 700 milhões, não deverá ultrapassar 15% da área plantada.

Imaginar isto, quando toda a cadeia produtiva brasileira está convicta da necessidade de um eficiente sistema de seguro rural como o instrumento mais cobiçado por todos, a ponto de todos os atores se proporem a participar junto com o Governo desta importante tarefa – inclusive com recursos financeiros –, passa a ser inacreditável que não se inove nesta área. Disto eu tenho certeza. Se continuarem a cobrar de 8% a 11% do custo da lavoura para se pagar uma taxa de prêmio, difícil vai ser explicar por que se jogou fora tanto dinheiro assim.

O Programa de Agricultura de Baixo Carbono acertado pelo Governo Brasileiro na COP 15 é um clássico exemplo do que estou falando. Levaram três anos para colocá- lo em funcionamento. Se não fosse a decisão importante e firme do vicepresidente do Banco do Brasil, Dr. Osmar Dias, talvez até hoje estivéssemos esperando pelo mais valioso instrumento de crédito rural destes últimos anos. Dr. Osmar Dias, faça o mesmo com os recursos da irrigação. Eles não podem frustrar os nossos competentes irrigantes.

Vi com muito carinho os esforços de nossa presidente da CNA, senadora Kátia Abreu, e do próprio ministro da Agricultura e de toda a sua equipe para, dentro de um quadro econômico difícil, conseguir sensibilizar o Governo para obter estes benefícios, e agora perdê-los por incapacidade operacional, seria muito triste. Entre a intenção e a ação existe um fato que se chama vontade e determinação de fazer o que for necessário, mas fazer mesmo.

Engenheiro agrônomo, produtor e ex-ministro da Agricultura