Agribusiness

 

TRIGO
TENDÊNCIA DE PREÇOS FIRMES
Juliana Winge - [email protected]

Com a previsão de ingresso de safra nova no Brasil e no Paraguai apenas na segunda quinzena de agosto e com os estoques públicos se esvaindo nos leilões da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a firmeza das cotações nas regiões produtoras deve persistir nas próximas semanas, podendo apenas ser atenuada por uma eventual manutenção das retrações apresentadas nas cotações internacionais. "O quadro de dificuldade de abastecimento para o final da atual temporada já não é mais novidade", destacou o analista de Safras & Mercado Elcio Bento. Por isso, o momento é de se analisar os números que darão o norte para a formação de preços no próximo ciclo comercial.

O único fator que pode atenuar a firmeza das cotações neste momento é a pressão vinda da queda dos preços internacionais. Até o momento, esse reflexo não tem sido sentido nas regiões produtoras, em grande parte devido às dificuldades logísticas para se internalizar o produto oriundo do Hemisfério Norte. Diante disso, até o ingresso da safra nova brasileira e paraguaia o mercado tende a trabalhar com escassez de oferta e preços firmes. De qualquer forma, produtores com lotes remanescentes devem aproveitar este momento para negociar, pois o espaço para novas recuperações é pequeno, tendo em vista que as indústrias devem encontrar dificuldades em repassar novas elevações para a farinha. Comparado ao mesmo período do mês anterior, a saca da farinha Fob moinho se elevou em cerca de 8%. A expectativa é de que a produção nacional se eleve de 4,2 milhões de toneladas na safra 2012/13 para 5,6 milhões de toneladas na 2013/14.


ARROZ
SAZONALIDADE DA OFERTA COMEÇA A SUSTENTAR CEREAL GAÚCHO
Rodrigo Ramos - [email protected]

O mercado rizicultor brasileiro começa a sentir os efeitos da intensificação do período de entressafras, principalmente no Rio Grande do Sul, o maior produtor. "A sazonalidade de menor oferta aparece como fator de suporte", explica o analista de Safras & Mercado Eduardo Aquiles. Nas demais regiões os preços apresentam certa estabilidade, devido, basicamente, ao bom volume importado durante o primeiro semestre de 2013. As importações em 2013, de janeiro a junho, alcançaram patamar de aproximadamente 635 mil toneladas de arroz base casca, o que significa um acréscimo de 29,5% sobre o volume adquirido do exterior em igual momento do ano passado. "Na época foram importadas cerca de 490 mil toneladas ou o equivalente a 114,6 mil toneladas a mais", frisa Aquiles.

Já as exportações, de janeiro a junho de 2013, foram em torno de 485,5 mil toneladas, ficando 52,9% abaixo do montante enviado ao exterior em igual período de 2012, que foi de 1,030 milhão de toneladas, uma diferença de 544,2 mil toneladas a menos. Sendo assim, a balança comercial do setor apresenta um déficit de aproximadamente 149,5 mil toneladas base casca em 2013, o que, de certa forma, pressionou os preços durante os meses de março a junho", pondera o analista. No mesmo período de 2012, a balança teve superávit de 539,3 mil toneladas. Neste cenário de entressafra, o valor médio pago ao produtor gaúcho no dia 15 de julho (R$ 33,86 por saca de 50 quilos em casca) apresentava elevação de 15,7% sobre o mesmo momento em 2012, quando estava a R$ 29,27 por saca. E apontava valorização de 13,6% sobre o primeiro dia útil de 2012, quando valia R$ 25,77 por saca.


SOJA
ESTOQUES SÃO AUMENTADOS E IMPACTO É NEGATIVO
Dylan Della Pasqua - [email protected]

O relatório de oferta & demanda mundial e norte-americano do complexo soja de julho, divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) no último dia 11, trouxe impacto negativo para a formação dos preços internacionais. Tomando como base as cotações do mercado de futuros da Bolsa de Mercadorias de Chicago, o anúncio do relatório chegou a provocar a queda inicial em mais de 10 cents/bushel no contrato spot (julho), com a mínima atingindo 1.580 cents, contra um fechamento anterior de 1.591,75 cents/bushel. A motivação maior para essa pressão ficou por conta da combinação de manutenção nos estoques finais da temporada 2012/13, enquanto o mercado esperava por ligeira queda, e para o aumento além da expectativa para os estoques da safra 2013/14. A pressão veio também com os números igualmente negativos divulgados para o milho.

Apesar disso, essa informação negativa não foi suficiente para impedir que os preços fechassem com alguma valorização na data da divulgação, embora tenha contribuído para pressionar os preços na semana. O suporte em questão veio da combinação entre a solidez mantida no mercado físico dos EUA em função da escassez de oferta, com o melhor momento do mercado financeiro, a firmeza nos preços do trigo e as preocupações com as projeções de clima mais quente e seco para os próximos dias em parte importante do cinturão de produção.

Todo esse conjunto de variáveis citadas segue mantendo o mercado muito instável e predominantemente aquecido nas últimas semanas, mas trazendo elevado grau de incertezas para a montagem do cenário futuro das cotações. Por esse motivo, o que se disse no comentário sobre o relatório de junho ainda pode ser repetido neste momento. Ou seja, a tendência é que esse perfil de volatilidade permaneça nos próximos dois meses, tendo em vista o acentuado grau de nervosismo dominante no mercado financeiro em função das incertezas políticas e econômicas envolvendo a recuperação dos países desenvolvidos, especialmente na Europa, e a diminuição no crescimento dos países em desenvolvimento, notadamente no caso da China. Tudo combinado com o também incerto comportamento do clima na evolução da nova safra norte-americana, que depois de um início tumultuado pelo excesso de chuvas, passou a especular com possível clima mais quente e seco.


MILHO
PRESSÃO INTERNA CONTINUA DIANTE DE OFERTA RECORDE DA SAFRINHA
Arno Baasch - [email protected]

O mercado brasileiro de milho ingressou na segunda metade de julho com um quadro baixista nas cotações. Este cenário, no médio prazo, tende a ser mantido. "Fatores como o indicativo de uma safra norte-americana dentro da normalidade, com produção estimada em 355,74 milhões de toneladas, e de uma safrinha recorde no Brasil, de 45,204 milhões de toneladas, devem contribuir para manter os preços depreciados no País", pontua o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari. Na tentativa de reverter o quadro de baixíssimos preços em alguns estados produtores, como o Mato Grosso, o Governo Federal voltou a intervir no mercado, com a realização de leilões de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural e/ou sua cooperativa (Pepro) voltados ao escoamento do cereal das safras 2012/13 e 2013 do estado. "Após fazer leilões de contratos de opção para o Mato Grosso, envolvendo 1,77 milhão de toneladas, o Governo Federal lançou leilões de Pepro, com o primeiro realizado no dia 16 de julho. A resposta foi positiva, com demanda de 97,3% da oferta total de 1 milhão de toneladas", comenta. "Resta saber como serão os demais."

O analista, no entanto, ressalta que os leilões de Pepro trarão efeitos negativos ao mercado interno no que tange a negócios, inclusive na exportação, pois irão retirar de outros estados a oportunidade de embarcar devido à concorrência com o milho subsidiado do Mato Grosso. "A oferta proveniente dos leilões irá pressionar as cotações em estados como Goiás, Bahia, São Paulo e a região do Triângulo Mineiro, que normalmente atendem as Regiões Norte e Nordeste, norte de Minas Gerais e Rio de Janeiro, por exemplo, pois passarão a receber uma concorrência direta deste milho mato-grossense", explica.


CAFÉ
VENDAS BRASILEIRAS 2012 E 2013 SEGUEM ATRASADAS
Lessandro Carvalho - [email protected]

Com o cenário de preços baixos para o café no mundo, a comercialização por parte dos produtores brasileiros segue lenta e bem atrasada no comparativo com o normal para o período. E isso vale tanto para o café remanescente da safra colhida no ano passado (2012/13) quanto para a safra que está agora em colheita (2013/14). Os cafeicultores aguardam medidas de apoio do Governo, que promovam alguma recuperação nas cotações. A comercialização da safra de café do Brasil 2012/13 (julho/junho) chegou a 91% até o dia 30 de junho. O dado faz parte de levantamento de Safras & Mercado. Os trabalhos seguem bem atrasados em relação ao ano passado, quando, em igual período, 97% da safra 2011/12 estava comercializada. Também há atraso em relação à média dos últimos cinco anos, quando 97% da produção normalmente já estariam negociados no período.

Em relação ao mês de maio, houve avanço de quatro pontos percentuais na comercialização. Com isso, já foram comercializadas 50 milhões de sacas de 60 quilos, tomando-se por base a estimativa de Safras & Mercado, de uma safra 2012/13 de café brasileira de 55,2 milhões de sacas. O quadro não é nada diferente com as vendas relativas à safra nova. Até 30 de junho, os produtores brasileiros haviam negociado apenas 13% da safra total 2013/14, segundo levantamento de Safras & Mercado. Como comparação, ao final de junho do ano passado, a comercialização estava em 20% da safra 2012/13. Contra a média dos últimos cinco anos o atraso agora é ainda maior, já que essa média aponta venda de 25% da safra nova até o fim de junho. Assim, foram comercializadas 6,84 milhões de sacas de 60 quilos, tomandose por base a estimativa de Safras & Mercado, de uma safra 2013/14 de café brasileira de 52,9 milhões de sacas.


ALGODÃO
MERCADO BRASILEIRO TEM POUCOS NEGÓCIOS E PREÇOS FIRMES
Rodrigo Ramos - [email protected]

O mercado brasileiro de algodão segue operando com reduzido volume de negócios e preços nos maiores patamares desde meados de abril. No Cif de São Paulo, a indicação ficava por volta de R$ 2,15 por libra-peso no dia 16 de julho, com os vendedores na defensiva e os compradores adquirindo apenas o essencial para atender necessidades imediatas. "Os vendedores têm na escassez de oferta no mercado disponível o argumento para forçar cotações mais firmes e balizadas pela paridade de importação", explica o analista de Safras & Mercado Élcio Bento. "E os compradores aguardam que a concentração do volume a ser colhido nas próximas semanas possa garantir melhores momentos para refazer seus estoques", completa. Os produtores de algodão registraram 7.145 toneladas de algodão na Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM) na segunda semana de julho. Este foi o menor volume desde a semana encerrada no dia 5 de abril, recuando 78% em relação ao montante da semana anterior (31.818 toneladas) e caindo 13,4% quando comparado à mesma semana de 2012 (8.104 toneladas).

Os registros semanais tiveram a origem distribuída em 3.305 toneladas do Mato Grosso, 1.801 toneladas da Bahia, 1.705 do Mato Grosso do Sul e 204 de outros estados. Por safra, o destaque fica para a 2012/13, com 3.294 toneladas; seguido pela 2013/14, com 2.328 toneladas; e a 2011/12, com 1.523 toneladas. O destino principal foi o mercado interno, com 4.817 toneladas; seguido pelas exportações com opção de mercado interno (flex), com 1.168 toneladas; e as exportações, com 1.160 toneladas. Com os números até 12 de julho, a safra 2012/13 tem 458.180 toneladas registradas, o que corresponde a 36,4% da produção estimada em 1,26 milhão de toneladas. No mesmo período do ano passado, a safra 2011/12 tinha 778.831 toneladas registradas, o que correspondia a 42,1% da produção de 1,85 milhão de toneladas. O maior volume terá como destino as exportações (185.764 toneladas), seguido por contratos flex (152.617 toneladas) e mercado interno (119.799 toneladas).