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SOJA: DEFINIÇÕES À VISTA

Enquanto os produtores argentinos seguem com o pé no freio na hora de definir a venda da soja, no Hemisfério Norte a sorte dos cultivos é definida e indica os preços para boa parte do planeta. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) estima a colheita 2013/2014 no país em torno de 92 milhões de toneladas, com uma produtividade média de 2.992 quilos por hectare. "Se repetisse o rendimento da safra passada, que foi de 2.817 quilos por hectare, o país teria um sério problema na soja", avisa Enrique Erize, analista da Novitas. "Seria uma situação de pânico, e estamos falando de apenas 100 quilos de diferença. Para que o cenário se descomplique, os produtores teriam que colher 3 mil quilos por hectare, o que é possível, mas dificilmente acontecerá", observa. No mundo, há soja suficiente, mas o problema são os Estados Unidos. "Se nos próximos 40 dias os norte-americanos anunciarem que estão com problemas no abastecimento, o Brasil informar que já vendeu sua produção e que continua com problemas nos portos e a Argentina reconhecer que tem produção, mas seus agricultores não pensam em vender, por algum tempo a soja que ainda estará disponível vai alcançar preços altos no mercado", especula o analista.


LIQUIDAÇÃO

Para a Câmara da Indústria e Comércio de Carne da República Argentina (CICCRA), a liquidação de ventres pode retornar a partir da segunda metade do ano. De fato, no mês de maio, a participação das fêmeas no abate chegou a 42,8%. As conclusões da entidade são as mesmas de todo o setor. "A política de carne definida pelo Executivo Nacional no último um ano e meio, concentrada em sustentar um tipo de câmbio não competitivo com o objetivo de diminuir as exportações e assim voltar ao consumo interno a quase totalidade da carne produzida, leva ao caminho que causou os mesmos problemas já enfrentados pela cadeia produtiva do trigo. Se tudo se mantiver como está, teremos uma nova liquidação de estoques, desabastecimento interno e forte queda no consumo, como ocorreu em 2010", anuncia um informe da CICCRA.


INSUFICIENTE

Depois de anos acompanhando as censuras políticas oficiais diante do cultivo de trigo, os industriais do segmento panificador se queixam agora do valor do cereal – US$ 450 por tonelada – em meio a rumores que indicam que o trigo disponível não será suficiente até a próxima colheita. Os empresários admitem que pode haver falta de mercadoria, mas tudo dependerá do estoque que esteja disponível no comércio. Como era de se esperar, o valor da farinha subiu.


TRIGO

As instituições privadas mantêm as estimativas de que o cereal não terá mais do que 3,9 milhões de hectares semeados, abaixo do que prevê o Governo.


SOJA

A colheita da oleaginosa foi finalizada com uma produção final de 48,5 milhões de toneladas, número também inferior às estimativas oficiais.


LEITE

Os preços vêm melhorando, ainda que estejam distantes dos custos. O produtor vem recebendo pelo litro US$ 0,41 (dólar oficial) ou US$ 0,28 (dólar paralelo).


CARNE

Depois da paralisação dos produtores, foi retomada a comercialização de gado. O quilo da categoria estrela – o novilho precoce – tem valores em torno de US$ 2,07 (dólar oficial) ou US$ 1,26 (dólar paralelo).


PARALISAÇÃO

A paralisação de uma semana proposta pela Mesa de Enlace de entidades agropecuárias do país teve grande adesão. Currais vazios no Mercado de Liniers e nenhum movimento de grãos pelas estradas nacionais foram reflexos do desagrado do setor diante das políticas específicas para o campo e para a macroeconomia, de forma geral.