Notícias da Argentina

 

OPORTUNIDADE PERDIDA

"A chave do trigo é o Brasil, segundo importador mundial do cereal, nosso vizinho e parceiro do Mercosul. O país precisa de 5 milhões de toneladas, que não pode comprar em dezembro por questões operacionais e, quando sai ao mercado, entre abril e maio, nós já não temos o produto para oferecer. Por que não aproveitamos essa vantagem? Se nosso mercado fosse liberado, poderíamos vender trigo ao Brasil por US$ 380 a tonelada/FOB. Mas nós falhamos e, hoje, o Brasil busca outros provedores, e assim aparece a Rússia oferecendo acordos a longo prazo", ressaltou Enrique Erize, analista da Novitas, no evento A Todo Trigo, realizado na Argentina.


GRÃOS: INCERTEZAS NO MERCADO E NO CAMPO

Os valores dos contratos futuros para as posições da colheita 2013/2014 não entusiasmam os produtores na Argentina. No país, mais de 60% da agricultura é praticada sobre terras arrendadas. E para aqueles que alugam, com uma paridade cambial atrasada e a inflação em dólares, os preços não justificam o investimento no plantio, apesar das cotações ainda interessantes em termos históricos. A principal questão nesse momento é se haverá novas baixas nos mercados internacionais.

Em relação à colheita 2012/2013, pelas mesmas razões já descritas, os valores da soja no mercado local não atraem o interesse dos produtores, que dilatam a venda e esperam até uma data limite por algum movimento de preços que melhore a equação. O milho, por sua vez, aparece extremamente demandado, mas a grande presença de lotes de segunda qualidade faz com que a mercadoria não chegue até os portos na medida esperada. No caso do trigo, o mercado disponível está agitado. É muito difícil conseguir o grão, já que a safra foi de má qualidade, e a maior parte da colheita já foi vendida. Tudo indica que será bastante difícil que os produtores invistam fortemente no cereal nas próximas safras.


ALIANÇA

Diretores da Abramilho (Brasil), United States Grains Council (EUA), National Corn Growers Association (EUA) e Maizar (Argentina) firmaram um acordo de cooperação mútua, que dá o primeiro passo para a criação da MaizAll. A nova associação surge para coordenar ações comuns em temas como biotecnologia e para fortalecer a posição dos países como vendedores do cereal.


TRIGO

Apesar das manifestações do governo, a área com trigo na safra 2013/2014 não será maior do que 3,9 milhões de toneladas, sobre 3,4 milhões de toneladas da campanha anterior.

SOJA

A produção de soja na safra 2012/2014 está estimada entre 48,3 milhões e 48,5 milhões de toneladas, abaixo de 51,5 milhões de toneladas projetadas pelo governo.

LEITE

Os preços do leite têm ficado em torno de US$ 0,38 o litro no câmbio oficial e US$ 0,22 o litro no câmbio paralelo. O problema é que os custos não param de subir.

CARNE

Os preços do boi seguem sem grandes mudanças no país. O novilho precoce com peso entre 350 e 390 quilos vale US$ 2,08 o quilo no câmbio oficial e US$ 1,20 o quilo no câmbio paralelo.


OS MESMOS PROBLEMAS

Os últimos 18 meses foram marcados pela advertência de uma desordem nos custos em comparação com os preços da carne bovina. Dessa forma, os produtores precisam produzir cada vez mais para cobrir seus custos e ainda sustentar seus gastos familiares. As razões que afetam a pecuária são as mesmas que prejudicam a maioria das atividades agropecuárias: o acentuado atraso cambiário. A esse fator estão agregadas as restrições às exportações, que se acentuam quando, por razões sazonais, é gerada uma oferta crescente de carne bovina. Os proprietários de confinamentos já avisaram que esperam para o segundo semestre um volume de carne bovina acima da demanda, e o risco para os preços é ainda mais forte se as exportações não forem liberadas.