Tecnologia

 

Um BRAÇO que vale por uma equipe

Tropical Melhoramento & Genética se utiliza de um robô para agilizar e tornar mais precisos os trabalhos de laboratório

Leandro Mariani Mittmann
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O braço direito dos pesquisadores que desenvolvem novas cultivares de soja da Tropical Melhoramento & Genética (TM&G) é de um robô. A empresa sediada em Cambé/PR e com campos de pesquisa em regiões do Cerrado utiliza uma "estação automatizada" – a definição utilizada pelo pesquisador Alexandre Garcia, biólogo com mestrado em Genética e doutorado em Agronomia – para tornar mais ágeis e mais precisas muitas das rotineiras execuções de laboratório. Como a máquina tem um braço para as operações, passou a ser chamada de robô. Manipulações com pipetas, tubos, placas e, assim por diante, podem ser feitas pela máquina de nome BioCel 1800, fabricada nos Estados Unidos pela Agilent Technologies, que custou mais de R$ 2 milhões. "Ele faz tudo. Pode ser usado para tudo. Você monta o processo (um protocolo) que quer e larga para ele fazer", sintetiza Garcia.

A primeira das vantagens é a velocidade que o trabalho é desenvolvido se comparado à ação humana. No caso da extração de DNA da semente, por exemplo, utilizando-se de uma pipeta, uma pessoa pode trabalhar oito placas (de 96 amostras cada) por dia. Para a mesma tarefa, o robô opera 60 placas no mesmo período. Em outra conta, um profissional necessita fazer uma execução por vez, enquanto o robô executa 96 operações ao mesmo tempo. "Mas tem processo que ele faz muito mais rápido", ressalta o pesquisador. E as amostras das placas podem ser de características diferentes, o que poderia provocar o erro humano na transferência de material, o que não ocorre no caso da máquina. "O robô não erra. A chance de uma pessoa errar é imensa", menciona. E o robô pode trabalhar 24 horas por dia e, ainda, ser operado de outro ambiente, por meio da internet.

mencionada comparação é apenas uma das muitas em que o robô leva vantagem em relação ao processo realizado por um humano. "Você sabe que ele faz certinho", descreve Garcia. O trabalho do pesquisador é detalhar um protocolo para as funções a serem operacionalizadas. O protocolo é inserido no micro que integra a máquina, que então passa a executar as determinações. Garcia revela que precisou fazer um curso de duas semanas na empresa, sediada no Vale do Silício (região em que estão as empresas de alta tec- Leandro Mariani Mittmann nologia, como a Apple), além de outro aprendizado, também duas semanas, ministrado pela empresa na sede da TM&G. O robô é fundamental para apressar os procedimentos para o desenvolvimento de uma nova cultivar. Para pesquisar, por exemplo, uma variedade resistente a nematoides, é possível avaliar no campo as plantas resistentes e as susceptíveis, mas só no laboratório se consegue combinar cinco genes resistentes. Nesta missão, o robô é um braço na roda.

"Você sabe que o robô faz certinho. Ele não erra. A chance de uma pessoa errar é imensa", compara o pesquisador Alexandre Garcia, em relação às ações do BioCel 1800

O jornalista esteve em Cambé/PR a convite da TM&G