Na Hora H

 

O PLANO SAFRA 2013/14 VEIO E ATENDEU ÀS REIVINDICAÇÕES. VAI FUNCIONAR?

ALYSSON PAOLINELLI

Nenhum produtor ou mesmo nenhum líder de classe poderá dizer que o Plano Safra 2013/14 não tenha atendido as reivindicações que esses fizeram. O plano atendeu em número e grau, a tempo e à hora as principais reivindicações que o setor tem feito ao Governo. A presidenta Dilma Rousseff tem reconhecido a importância do setor agrícola na economia e na própria vida nacional. Ela própria se lembrou que a nossa produção no campo há 40 anos não era suficiente nem para o nosso abastecimento interno e que a família média brasileira àquela época gastava quase a metade de toda a sua renda só no item alimentação.

Sabe ela, hoje, que esta mesma família não chega a gastar nem 20% de sua atual renda com alimentação. E é por isto mesmo que ela está podendo gastar mais e se vestir melhor, ter melhor moradia, seu carro para transporte, seu plano de saúde e até mesmo mandar seus filhos para a universidade. Este é o principal produto que o setor agrícola dá ao seu país. É evidente que os quase US$ 100 bilhões anuais, frufruto da atuação no nosso agronegócio no comércio exterior, são para a nossa economia a principal âncora e a base para que o País não sinta os efeitos das crises que assolam hoje a humanidade. Portou-se bem o Governo no atendimento das principais reivindicações.

Agora nos interessa saber se o crédito colocado à disposição do setor vai chegar para atender ao interesse dos nossos produtores ou irá atender mais ao interesse das instituições bancárias que os aplicam? Crédito rural tem riscos de toda a natureza e não se justifica a sua sonegação pela não aplicação por riscos financeiros. Para isto é que foram colocados bem mais recursos para o seguro rural. R$ 750 milhões foi um ótimo reforço para a ampliação do seguro rural.

Sabemos que no atual modelo aqui adotado talvez não atinja nem a 20% da nossa área plantada, o que não resolve o problema. Mas, por outro lado, sabemos que o seguro rural foi eleito como o principal entrave no desenvolvimento de nossa agropecuária por todos os segmentos das mais variadas cadeias produtivas do País. Se o Governo quer de fato implantar de forma correta um novo seguro rural no Brasil, é só ouvir todos os atores desta grande batalha que é a nossa produção rural e terá a maior surpresa de ver que todos, sem exceção, estão dispostos a participar, inclusive financeiramente, para implantar aqui o que o mundo ainda não tem em matéria de seguro rural. Até mesmo em um Fundo de Catástrofe, que até agora só o temos em lei. Se quiserem ver, experimentem.

Engenheiro agrônomo, produtor e ex-ministro da Agricultura