Primeira Mão

 

Crescimento chinês

Enquanto a presidente Dilma e o ministro do Planejamento, Guido Mantega, se esmeram em explicar (na verdade, explicarem-se) o 'pibinho' da economia brasileira como um todo, a agropecuária deverá conquistar um PIB(ão) de 9% em 2013. O cálculo é da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). No primeiro trimestre, o PIB do agro se expandiu 17%, segundo o IBGE.

Parte dos excelentes números do nosso agro chega, ano após ano, pelos portos. Em 2012 as exportações do setor atingiram US$ 95,814 bilhões, variação positiva de 0,89% em relação a 2011. O agronegócio ampliou sua participação nas exportações totais do País de 37,1% para 39,5%. E 70% das vendas externas do setor tiveram origem nos complexos soja, carnes e sucroalcooleiro e produtos florestais. No primeiro quadrimestre de 2013, as exportações cresceram 14,3% em valor (US$ 30,217 bilhões) e os volumes embarcados aumentaram 28%, com retração de 10,4% nos preços médios.


OK MUITO AGUARDADO

O governo chinês aprovou no mês passado três sojas geneticamente modificadas produzidas no Brasil: Intacta RR2 PRO, anti-lagartas, Cultivance e Liberty Link, as duas tolerantes a herbicidas. A decisão foi comunicada em Pequim ao ministro da Agricultura, Antônio Andrade, pelo colega ministro chinês, Han Changfu. As novas sementes já tinham seu uso autorizado no Brasil e em outros mercados. "Essa decisão era ansiosamente aguardada pelos sojicultores brasileiros, visto que as empresas têm poucas semanas para embalar e distribuir o produto, a tempo do plantio da nova safra", comemorou o ministro.


Novo presidente do Sindag

O presidente da Nufarm, Valdemar Fischer, assumiu a Presidência do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (Sindag). "Trabalharemos para manter intocada a união entre as empresas associadas e dar continuidade aos esforços pela valorização do setor de agroquímicos, que é vital para o agronegócio e a economia brasileira", ressaltou. À frente de uma chapa formada por 20 integrantes, eleita por unanimidade para o biênio 2013-2016, ele sucede no cargo a Laércio Giampani, presidente da Syngenta. A entidade congrega em torno de 50 empresas fabricantes.


Ela é terrível!

A lagarta Helicoverpa armigera, que já causou R$ 1 bilhão em prejuízos apenas na Bahia e se espalhou pelo País, é tão voraz que come, acredite, até plástico! Foi o que apuraram acidentalmente pesquisas realizadas pela Cooperativa Agrícola dos Produtores Rurais da Região Sul de Mato Grosso (Cooaleste), de Primavera do Leste/MT. A descoberta do poder de destruição do bicho se deu quando os pesquisadores guardaram uma lagarta em um copo de plástico no laboratório. No dia seguinte ela tinha desaparecido. Só restou um buraco no copo...


507%

Foi o percentual de aumento das contratações do Programa ABC (Agricultura de Baixo Carbono) desde a sua criação, em 2010/11. Já foram realizados mais de 14 mil contratos, ou R$ 4,46 bilhões dos financiamentos para empréstimos pelos produtores de tecnologias de recuperação de pastagens degradadas, integração lavoura-pecuária- floresta, plantio direto, florestas plantadas e mais. Na primeira temporada, foram R$ 418 milhões, enquanto até abril deste ano se atingiu R$ 2,54 bilhões. "Esse é um indicativo de que as tecnologias utilizadas para redução da emissão de gases do efeito estufa estão sendo cada vez mais empregadas no campo", argumenta Caio Rocha, secretário de Desenvolvimento e Cooperativismo do Ministério da Agricultura.


LAMENTO NO MATO GROSSO...

Apesar da grande produção e dos preços históricos, os produtores de soja do Mato Grosso obtiveram uma rentabilidade inferior no ciclo 2012/13 em relação ao anterior. Em média, no médio-norte mato-grossense se embolsou R$ 900/hectare (após pagar todas as despesas operacionais), queda de 10%. E por quê? A performance das lavouras foi prejudicada pelo excesso de chuvas em janeiro e fevereiro. A produtividade média foi de 50 sacas/ hectare, 4 a menos que em 2011/12. Em outros números, R$ 200/hectare foram por água abaixo. O levantamento é da Agroconsult.


... Comemoração no Paraná

Já a receita bruta dos produtores no Paraná cresceu 74%, para R$ 1.500 por hectare, retorno de 115% sobre os custos diretos de produção, estimados pela consultoria em R$ 1.300/hectare. Na região de Londrina, o rendimento sobre o custo operacional chegou a 39%, o maior do País, segundo o Cepea/USP. Mesmo considerando-se o custo total – que leva em conta itens como depreciação e o custo de oportunidade da terra –, o lucro chegou a 64% do capital investido. Em 2012, o produtor paranaense colheu 41 sacas/ hectare por causa de uma severa estiagem, enquanto neste ano obteve 56 sacas – receita adicional nada desprezível de R$ 750/hectare.


Chá da tarde... Transgênico?

Há indícios de que a Inglaterra, onde a polêmica contra os transgênicos era bastante forte na década de 90 (inclusive na voz do príncipe Charles, adepto dos orgânicos), está mudando de consciência. É a sinalização de importantes autoridades. A reportagem "É hora de rever os alimentos transgênicos", do jornal The Telegraph, destaca a postura do primeiro-ministro David Cameron sobre o assunto e informa que empresários querem promover uma "cultura pró-ciência" no país. "Acho que é hora de olharmos novamente para a questão de alimentos transgênicos. Precisamos estar abertos aos argumentos da ciência", teria afirmado Cameron, segundo o jornal.


Certificação nos ares

Uma parceria entre pesquisadores da Unesp/SP, da Universidade Federal de Lavras/MG e da Universidade Federal de Uberlândia/MG desenvolveu um programa de certificação para empresas de aviação agrícola e de operadores aeroagrícolas privados. O objetivo é incentivar a capacitação e a qualificação dos responsáveis pela aplicação aérea de defensivos. O programa se baseia no aprofundamento dos conceitos de responsabilidade e sustentabilidade das operações, buscando melhorar a qualidade das pulverizações e reduzir os riscos de impacto ambiental. A gestão do programa é da Fundação de Estudos e Pesquisas Agrícolas e Florestais, ligada à Unesp, e a iniciativa tem o apoio do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) e da Associação Nacional de Defesa do Vegetal (Andef).


Boom de produtividade

A produtividade das lavouras brasileiras foi multiplicada em 3,7 vezes de 1975 a 2010, o dobro do aumento da produtividade americana. Corresponde a um crescimento médio anual de 3,6%. No período, o País diminuiu a grande lacuna de eficiência entre a agricultura praticada em estruturas mais modernas e as nem tanto. No entanto, ainda 10% dos estabelecimentos respondem por 85% do valor bruto produzido. Estas e outras conclusões estão no trabalho "Heterogeneidade estrutural na produção agropecuária: uma comparação da produtividade total dos fatores no Brasil e nos Estados Unidos", elaborado por especialistas da Unicamp e do Ipea.


Indignação...

As invasões de terras produtivas por grupos indígenas em todo o País são ações de um movimento organizado de uma minoria radical contra os produtores, levando instabilidade social ao campo. A afirmação foi dada no Senado, em discurso, pela senadora Kátia Abreu, também presidente da Confederação da Agricultura e da Pecuária do Brasil (CNA). O agronegócio, argumentou ela, representa 40% das exportações totais do País e 25% de todo o PIB e exige apenas segurança jurídica e tranquilidade para poder produzir e gerar riqueza para todos os brasileiros.

... e reação!

Dez estados, ao mesmo tempo, promoveram manifestações contra as invasões indígenas. Produtores realizaram manifestações contra o processo de demarcações de terras indígenas. O movimento, que tinha como bandeiras segurança jurídica e paz no campo, foi liderado pela Frente Parlamentar da Agropecuária e ainda contou com o apoio de importantes lideranças e entidades do agronegócio brasileiro, como as federações de agricultura e sindicatos rurais. Uma das reivindicações é a instalação da PEC 215, a qual tira da Funai o poder de decidir sozinha sobre as demarcações de terras.