Agribusiness

 TRIGO

LEILÕES DO GOVERNO GARANTEM MOVIMENTAÇÃO

Juliana Winge - [email protected]

Com o volume negociado no último leilão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o saldo remanescente dos estoques governamentais está abaixo de 300 mil toneladas.

Dado o volume escasso no mercado disponível e nos estoques do Governo, a tendência para os próximos dias é de que haja uma maior presença de compradores no mercado, mas, ainda com descompasso entre as pedidas e as ofertas pelo cereal remanescente da safra velha. Os produtores sabem da dificuldade de abastecimento das indústrias no pico da entressafra e tendem a permanecer na defensiva. Outra dificuldade é que em muitos armazéns é necessária a comercialização da safra de verão para que se tenha acesso ao cereal.

Afora isso, as atenções passam a se voltar para a safra nova, cujo ingresso no mercado iniciará em meados de agosto. "O descompasso entre as pedidas e as ofertas somado à realização de leilões de venda pela Conab faz com que os preços de referência no mercado doméstico sejam meramente nominais", explica o analista de Safras & Mercado Elcio Bento.

Com escassez de oferta da safra velha no Brasil e nos parceiros do Mercosul e com reduzido volume do cereal nos armazéns do Governo, a tendência é que os preços domésticos sigam firmes e descolados do mercado internacional até o ingresso da próxima safra.

A isenção da TEC serve como um limitador para a tendência de alta, mas, até o momento, não tem sido suficiente para derrubar as cotações pela paridade de importação.


ALGODÃO

BRASIL EXPORTA VOLUME RECORDE

Dylan Della Pasqua - [email protected]

As exportações de algodão renderam US$ 62,4 milhões em abril, com média diária de US$ 2,8 milhões. A quantidade total exportada no mês chegou a 32,8 mil toneladas, com média diária de 1,5 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 1.903. Entre março e abril, houve uma baixa de 27,2% no valor médio exportado, uma retração de 24,8% na quantidade e uma baixa de 3,2% no preço médio do algodão. Na relação entre abril de 2013 e o mesmo mês de 2012, houve baixa de 41,2% no valor total exportado, perda de 42,5% na quantidade total e valorização de 2,2% no preço médio do algodão. A média diária das importações de algodão caiu 3,3% em abril, na comparação com o mesmo período de 2012, para US$ 1,143 milhão. Em relação a março, houve baixa de 12,4% na média dos embarques. Os dados setoriais da balança comercial foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Com os números de abril já é possível fechar os dados do ano comercial 2012/13, que apontam para um novo recorde de embarques da pluma, totalizando 1,012 milhão de toneladas. Este montante representa uma elevação de 7,7% em relação a 940 mil toneladas exportadas na temporada anterior. Já o consumo doméstico é estimado em 920 mil toneladas na temporada 2012/13, ou 9,1% inferior ao volume exportado. A demanda nacional (exportação + consumo doméstico) foi de 1,932 milhão de toneladas, a maior da história, superando a do ano anterior (1,84 milhão de toneladas) em 5,02%.


SOJA

SAFRAS REDUZ A ESTIMATIVA DE PRODUÇÃO NO BRASIL

Dylan Della Pasqua - [email protected]

A produção brasileira de soja na temporada 2012/13 deverá totalizar 82,336 milhões de toneladas, aumento de 22% na comparação com a safra anterior – 67,758 milhões. A previsão faz parte de levantamento divulgado por Safras & Mercado. No relatório anterior, divulgado no dia 5 de abril, a previsão era de 82,495 milhões de toneladas. A estimativa de área plantada passou de 25,258 milhões de hectares em 2011/12 para 27,840 milhões na atual temporada, aumento de 10%. Safras trabalha com rendimento médio de 2.964 quilos por hectare, superando os 2.694 quilos do ano passado.

O Mato Grosso deverá seguir líder no ranking de produção nacional, com safra estimada em 23,9 milhões de toneladas, representando crescimento de 9% sobre 22 milhões de toneladas de 2011/12. A produção do Paraná deverá ter um crescimento de 42%, totalizando 15,8 milhões de toneladas.

Após uma temporada de quebra por conta do clima seco, o Rio Grande do Sul deverá recuperar a produção. Safras aposta em uma expansão de 89% na safra, que chegaria a 12,45 milhões de toneladas.

As exportações de soja do Brasil deverão totalizar 38,5 milhões de toneladas em 2013, avanço de 21% sobre o ano anterior, quando os embarques ficaram em 31,905 milhões de toneladas. A previsão faz parte do quadro de oferta e demanda brasileiro, divulgado por Safras & Mercado.

O esmagamento deverá subir 11%, passando de 35 milhões para 39 milhões de toneladas. Safras indica oferta total de 83,440 milhões de toneladas, avanço de 18%. A demanda total deverá aumentar 15% para 80,580 milhões de toneladas. Com isso, o estoque final subirá 171%, ficando em 2,86 milhões toneladas.

Os preços da soja apresentaram consistente valorização no mercado brasileiro ao longo de maio. Em consequência, a movimentação melhorou nas principais praças, mas ainda envolvendo pequenos volumes e praticamente restrita ao disponível. A combinação de alta em Chicago e de elevação do dólar comercial garantiu a alta nos referenciais domésticos.


MILHO

MERCADO BUSCA ABSORVER POUCOS ESTOQUES DE VERÃO

Arno Baasch - [email protected]

O mercado brasileiro de milho ingressou na segunda quinzena de maio com uma maior movimentação por parte de compradores, que têm procurado adquirir os poucos estoques ainda disponíveis da safra verão, visto que a colheita está próxima do final no Centro-Sul.

De acordo com o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari, os vendedores, por sua vez, têm procurado segurar os negócios, no aguardo de melhores preços, enquanto aguardam também uma melhor definição para o andamento do plantio na safra norte-americana, que está bem atrasado tanto em relação ao ano passado quanto em relação à média das últimas cinco temporadas.

Embora o indicativo seja de um quadro de preços mais baixos para o milho no mercado internacional, por conta da expectativa de recuperação da produção mundial e de uma safra recorde nos Estados Unidos, Molinari entende que, de agora em diante, sinalizações de alta ou de baixa nos preços internacionais dependerão do clima para o plantio e o desenvolvimento das lavouras. "Um atraso maior no cultivo poderia levar os produtores a migrar do milho para a soja, diante do risco de queda na produtividade média do cereal", afirma. No mercado interno, Molinari ressalta que o quadro de ausência de chuvas em áreas produtoras de milho segunda safra de Mato Grosso do Sul, São Paulo, Goiás e Minas Gerais, por exemplo, já ameaça o desenvolvimento das lavouras, que podem ter seu rendimento médio comprometido. "Essa situação abre a possibilidade de uma recuperação futura nos preços", sinaliza.


CAFÉ

COMERCIALIZAÇÃO NO PAÍS FECHA EM 83%

Lessandro Carvalho - [email protected]

A comercialização da safra de café do Brasil 2012/13 (julho/junho) chegou a 83% até 30 de abril. O dado faz parte de levantamento de Safras & Mercado. Os trabalhos seguem bem atrasados em relação ao ano passado, quando, em igual período, 92% da safra estava comercializada. Também há atraso em relação à média dos últimos cinco anos, quando 93% da produção normalmente já está negociada no período. Em relação a março, houve avanço de sete pontos percentuais na comercialização. Segundo o analista de Safras & Mercado Gil Barabach, o produtor aproveitou um pouco as recentes puxadas das cotações, o que deu mais ritmo aos negócios. "A chegada da safra nova também agilizou as vendas da safra passada. Assim, o mercado andou mais animado, mas ainda muito distante de épocas anteriores", comenta. Com isso, já foram comercializadas 45,45 milhões de sacas, tomando-se por base a estimativa de Safras & Mercado de uma colheita 2012/13 de 54,9 milhões de sacas. A venda de café arábica alcança 80%, contra 73% no mês anterior e 90% em abril/2012. A média de cinco anos gira em torno de 92%. É nítido o retardo no ritmo da comercialização. E isso também acontece no conilon, a despeito dos preços mais favoráveis ao longo da temporada. Até o final de abril, o produtor de conilon vendeu 90% do total da safra. Em igual época de 2012 o fluxo de vendas girava em torno de 97%. A safra brasileira 2013/14 (arábica e conilon ou robusta) deve ser de 48,59 milhões de sacas beneficiadas, que pode se tornar a maior safra de ciclo de baixa bienalidade já produzida no país. Entretanto, o número representa redução de 4,4% ou 2,23 milhões de sacas na comparação com a produção da temporada anterior, de 50,83 milhões de sacas. A queda se deve ao ciclo de baixa bienalidade na maioria das áreas do café arábica.


ARROZ

FATORES ALTISTAS ELEVAM COTAÇÃO NO MERCADO BRASILEIRO

Dylan Della Pasqua - [email protected]

O mercado rizicultor brasileiro mantém a tendência de alta para o cereal em casca no começo de maio e já apresenta valorização expressiva no principal mercado, o Rio Grande do Sul. Nas demais localidades produtoras de arroz irrigado de Santa Catarina os preços seguem firmes, bem como nas localidades produtoras de arroz de terras altas. Com este cenário, já há especulação a respeito da realização de leilões de venda no mercado, para conter possível inflação do produto, além de benefícios fiscais para a cadeia. Na segunda semana de maio a cotação média do produto gaúcho era de R$ 32,95 por saca de 50 quilos, 1% maior que o valor de uma semana antes, de R$ 32,62. Agora, se comparado com o valor de um mês antes, que era de R$ 31,03, o acréscimo alcança 6,2% e, frente a igual momento do ano passado, quando estava a R$ 28,12, a alta é de 17,2%. Esta tendência deverá se prolongar pelas próximas semanas, ainda mais que a oferta segue retraída no mercado brasileiro. Segundo o boletim semanal conjuntural da Emater, houve aumento na estimativa de área no Rio Grande do Sul efetivamente plantada, passando de 1,008 milhão de hectares para 1,077 milhão. Por consequência, houve alteração na produtividade média estadual e na produção total.

Entretanto, o Governo já teria acertado a realização de leilões de estoques públicos, com o intuito de conter a alta do grão. Além disso, o fato de as importações aumentarem em torno de 20,7% em abril sobre março, passando de 94,859 mil toneladas base casca em março para 114,481 mil em abril, ficando 19,622 mil toneladas acima do volume de março. Porém, este volume é 60,5% ou 43,169 mil toneladas, acima do adquirido em abril de 2012, que foi de 71,313 mil toneladas. As principais origens do produto adquirido pelo Brasil até o momento no ano comercial 2013/14 (março e abril) são Paraguai (102,172 mil toneladas base casca), com 48,8% do total; Uruguai (55,232 mil), com 26,4%; Argentina (49,814 mil), com 23,8%, e demais origens com 1%. Este cenário, de preços elevados, contribuiu para o aumento das aquisições do exterior, algo que deverá se fortalecer, caso a oferta interna continue retraída.