Notícias da Argentina

 

GRÃOS: CENÁRIO COMPLICADO

Há um ano já existiam advertências sobre a grave crise do modelo que levou a aumentar o arrendamento durante os anos 90 e parte da década de 2000. A crítica situação macroeconômica e o valor dos aluguéis foram os principais responsáveis pelos problemas na área. A forte seca nos Estados Unidos em 2012 trouxe um pouco de oxigênio ao sistema, mas tudo indica que o efeito do clima sobre os preços já passou. Dessa forma, o cenário está de volta, e não será surpresa se grandes grupos produtores mudarem de ideia e passarem a dar preferência a países com economias muito mais razoáveis e previsíveis que a encontrada na Argentina. Os preços da soja e do milho indicam valores em queda para a campanha 2013/2014. Historicamente, as cotações ainda são positivas, mas representam margens estreitas para um produtor como o argentino, que sofre as consequências de políticas desfavoráveis e de um modelo que gera inflação em dólares e atraso cambiário, além das retenções às exportações. É preciso lembrar que os mercados futuros copiam a tendência que vem dos EUA. Agora, com os sinais de preços decrescentes, os argentinos podem pensar em duas situações opostas: que algum inconveniente climático no meio oeste americano provoque outra vez uma corrida altista nos preços, ou que os EUA obtenham uma colheita recorde ou suficientemente boa. Se o segundo cenário for confirmado, o que se vê agora não chega nem perto do que vai se desencadear a partir do mês de setembro. Diego de La Puente, analista da consultoria Novitas, considera que, com a soja a US$ 300 a tonelada, os produtores que arrendam terras perdem dinheiro. E o mesmo ocorre com o milho e o trigo.


POUCAS CHANCES

A razão fundamental que gera perspectivas negativas para os preços do gado é que foi recuperada quase a metade do estoque bovino que havia sido perdido durante 2008 e 2009. Esta oferta aumentada, no entanto, encontra uma demanda interna debilitada e uma política exportadora pulverizada. Para o analista de mercados Belisario Castillo, o consumo doméstico é vítima da inflação, impossibilitando a venda de mais de 2,5 milhões de toneladas anuais (62 a 65 quilos por pessoa).


EXTREMAMENTE LENTO

A lenta e consistente reação nos preços do leite ainda precisa de consolidação e o acompanhamento das posições das indústrias e do Governo. Ao mesmo tempo, os números da atividade continuam desiguais. A Mesa Nacional dos Produtores de Leite calculou que o valor pago ao produtor subiu 95% desde 2008, enquanto os custos cresceram 176% no mesmo período, ficando em 2,17 pesos por litro atualmente.


TRIGO

A Argentina tem hoje as mais baixas exportações dos últimos 35 anos. Para a campanha 2013/ 2014 alguns vislumbram o crescimento da área plantada, mas ainda impera a incerteza.


SOJA

Enquanto o Governo fala em 51,5 milhões de toneladas para a safra 2012/2013, os analistas privados mantêm a projeção de 48,5 milhões de toneladas, que parece ser o número mais acertado.


LEITE

Os preços ao produtor estão em torno de US$ 0,35 (dólar oficial) ou US$ 0,21 (dólar paralelo) por litro de leite. Os progressos são lentos na atividade.


CARNE

O preço do novilho está em torno de US$ 1,63 o quilo vivo (dólar oficial) ou US$ 1 (dólar paralelo). O valor do quilo do novilho precoce, a categoria estrela, é de US$ 1,95 (dólar oficial) ou US$ 1,22 (dólar paralelo).