Agricultura Familiar

 

O RIO DE JANEIRO das helicônias, alpínias e antúrios

Nazaré Dias, coordenadora do Programa Florescer, da Secretaria de Agricultura e Pecuária do Rio de Janeiro

A produção de flores e plantas ornamentais é uma das vocações da agricultura no estado do Rio de Janeiro. Incentivada por política pública estadual, que oferece crédito, assistência técnica, capacitação e abertura de canais de comercialização, a atividade vem ganhando vigor nos últimos anos. Hoje, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), o Rio de Janeiro já desponta como o segundo polo de produção e consumo de flores no País. Há sete anos, os produtos da floricultura fluminense participavam com apenas 18% na oferta do mercado local. As flores de clima temperado, vindas anteriormente de Minas Gerais e São Paulo, assim como as orquídeas, trazidas até mesmo da Região Amazônica, foram sendo gradativamente substituídas pelas das zonas de produção no estado, com destaque para a Região Serrana.

Com clima e altitude favoráveis ao cultivo dessas espécies, os municípios de Nova Friburgo, Bom Jardim, Petrópolis, Teresópolis e Sumidouro vêm imprimindo sua marca com a produção de flores de qualidade. Cores vibrantes, formas e texturas variadas e alta durabilidade dos produtos são requisitos fundamentais para atender um mercado cada vez mais exigente, inovador. A condição de segundo maior mercado consumidor e a proximidade das áreas de produção dão à floricultura fluminense vantagens em relação a outras unidades produtoras no País, como, por exemplo, as do Norte e do Nordeste, que dependem de mercados exportadores para escoar suas flores.

O Programa Florescer, da secretaria estadual de Agricultura, colhe hoje os resultados positivos das ações de fomento para o desenvolvimento e a profissionalização da cadeia produtiva de flores no estado implementadas nos últimos anos. Atualmente, 683 produtores produzem flores e plantas ornamentais em 950 hectares, com a geração de 17,6 mil empregos em todos os elos do segmento. O setor foi responsável pela movimentação de R$ 470 milhões em 2012, valor 63% superior ao dado do ano anterior. A linha de crédito com juros baixos e recursos do governo estadual para investimento e custeio concedida pelo Florescer permitiu a modernização da estrutura de produção, a aquisição de novas variedades de cultivo e a padronização de embalagens. Além disso, a capacitação constante e o intercâmbio de produtores com visitas técnicas a unidades de produção em outros estados também contribuíram para essa evolução. Todo esse investimento está resultando na expansão das áreas produtivas e na interiorização da atividade.

O bom momento da floricultura fluminense pode ser constatado em casos de sucesso como o do produtor de crisântemos Eduardo Ferreira Laje, em Nova Friburgo. O financiamento do Programa Florescer e a assistência da Emater/Rio alavancaram não só sua produção como a estrutura de comercialização. Da propriedade de um hectare, com 50 estufas, no distrito de Vargem Alta, onde também trabalham seus pais e a esposa, saem semanalmente cerca de 400 mocas da flor para o mercado do Centro de Abastecimento do Estado da Guanabara (Cadeg), no Rio de Janeiro. Segundo ele, há dez anos na atividade, esta é a melhor fase de sua produção.

Oportunidades dos megaeventos — Nesse novo cenário, ganham destaques também os cultivos de flores tropicais e plantas ornamentais. O crescente apelo comercial para espécies como helicônias, bastões do imperador, alpínias e antúrios, entre outras, provocou o aumento de suas áreas de produção. Hoje, o Rio de Janeiro é autossuficiente no cultivo dessas espécies, usadas tanto como flores de corte quanto para composição paisagística. O sentimento de expansão do setor também é compartilhado por Manoel Roberto Campos, produtor familiar de plantas ornamentais, em Magé, na Região Metropolitana do estado. Apoiado pelo Florescer, ampliou suas estruturas de produção, serviço e comercialização. Atualmente, 80% do que produz, ao lado da esposa e do filho, vão para hortos do Rio de Janeiro, e o restante é vendido na propriedade. Na sua avaliação o mercado não para de crescer e os grandes eventos que serão realizados no estado (Copa do Mundo e Olimpíadas) estão demandando muitas plantas para paisagismo.

Em Nova Friburgo, Eduardo Laje e a família produzem crisântemos em um hectare e 50 estufas: seu melhor momento em dez anos na atividade

Depois de incentivar a floricultura, com expansão da produção e da área cultivada, dando visibilidade ao segmento, o governo do estado do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria de Agricultura, vem desenvolvendo ações para a classificação de seus produtos. O objetivo é que cada região produtora tenha uma marca registrada para suas flores e plantas. Isso já ocorre com os floricultores de Vargem Alta, em Nova Friburgo, que adotaram em suas embalagens o nome Afloralta, que remete à sua associação de produtores. Identificada com as características da produção rural do Rio de Janeiro, ocupando pequenas áreas, que variam de meio a 3 hectares, e utilizando mão de obra familiar, a floricultura é uma atividade com elevada agregação de valor que tem fortalecido os arranjos produtivos locais e o desenvolvimento regional.