Agrobrasília

 

Rumo à INTERNACIONALIZAÇÃO

Feira realizada no mês passado em Brasília já teve diversas ações e negócios com comitivas de outros países e passará oficialmente ao seleto grupo de 'feiras agrícolas internacionais' em 2014

Feira promoveu o Fórum Brasileiro sobre Mosca Branca e Helicoverpa, duas pragas importantes para a região, evento que atraiu o interesse de milhares de pessoas

Leandro Mariani Mittmann
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Assim como as demais grandes feiras agrícolas do País neste ano, a Agrobrasília bateu recorde em negócios, visitantes e expositores. A sexta edição do evento, realizada no mês passado em Brasília, no Parque Tecnológico Ivaldo Cenci, movimentou R$ 590 milhões, 47% a mais que em 2012 (R$ 400 milhões), e atraiu 79 mil visitantes (+ 2 mil) e 385 empresas expositoras (15 a mais). Além disso, a internacionalização da feira foi um dos grandes destaques. O Projeto Comprador, promovido pela Apex Brasil e pelo Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Rio Grande do Sul (Simers), possibilitou exportações de maquinários por meio de rodadas de negócios (mais de US$ 3 milhões) com investidores estrangeiros. A feira é promovida pela Cooperativa Agropecuária da Região do Distrito Federal (Coopa/ DF), como apoio do governo do Distrito Federal, por meio da Emater e da Secretaria de Agricultura.

"A feira esse ano se tornou definitivamente internacional. Além do Projeto Comprador, tivemos muitas embaixadas e cerca de dez adidos agrícolas nos visitando com várias propostas para levar para a Agrobrasília 2014. E vamos explorar de forma inteligente a questão da Copa do Mundo no Brasil", destacou Leomar Cenci, presidente da Coopa- DF e da feira. A partir de 2014, a feira será oficialmente "internacional", assim como Agrishow, Expointer e outras agrícolas. Conforme Cenci, os resultados são consequência do trabalho conjunto de todos os envolvidos. "É um esforço da comunidade. O diferencial é o atendimento que o expositor tem. É uma família que trabalha aqui dentro. Não é fácil para 110 associados fazer um evento desse tamanho. É graças à comunidade do PAD-DF (Programa de Assentamento Dirigido do Distrito Federal) e entorno que abraçam a feira."

O evento reuniu as principais empresas de máquinas e equipamentos agrícolas do País, além de outras que geram produtos e serviços para a agropecuária ou para a vida cotidiana do produtor, independente do seu tamanho. O Banco de Brasília, por exemplo, financiou 50% mais que em 2012, ou R$ 176 milhões, dos quais R$ 6,3 milhões apenas à agricultura familiar. Mas o evento também promoveu um amplo debate, por meio de palestras, sobre duas pragas que têm apavorado os produtores procedentes da grande região agrícola próxima à Agrobrasília – além de DF, Minas Gerais, Goiás, Tocantins e Bahia (Oeste): a lagarta helicoverpa e a mosca branca. Por isso foi promovido o Fórum Brasileiro sobre Mosca Branca e Helicoverpa, um conjunto de palestras com grande interesse do público (como pode ser confirmado na foto).

"São duas pragas graves", resume Ronaldo Triacca, coordenador da feira. Ambas atacam uma série de cultivos que dão sustentação econômica ao agronegócio da região. Conforme ele, mais do que trazer especialistas nos dois temas para explicar aos produtores quais procedimentos técnicos devem ser levados a campo para combater as ameaças, a feira promoveu debates sobre os trâmites políticos para o enfrentamento das pragas. Mais especificamente a facilitação da liberação de princípios ativos de inseticidas. A exemplo, como tornar mais ágil este processo por parte da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Para discutir este assunto, estiveram no evento lideranças políticas, entre elas a senadora Kátia Abreu, presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Além disso, a agricultura familiar é bastante representativa no Distrito Federal e, por isso, ganhou atenção especial na Agrobrasília, sobretudo pela Emater, que reservou quase cinco hectares para o Espaço de Valorização da Agricultura Familiar. No local foram criadas 14 rotas com tecnologia de baixo custo e apropriadas aos pequenos agricultores. Entre estas, as de leite, mel, piscicultura, crédito rural e mecanização. Técnicos da instituição de assistência técnica estiveram disponíveis nestes ambientes para esclarecer aspectos sobre viabilidade econômica da atividade, a cadeia produtiva, como se dá a comercialização e muito mais. "O intuito é ajudar o produtor em todas as etapas da produção, instigar a adesão de boas práticas agrícolas em pequenas propriedades e gerar renda ao agricultor familiar", justifica Ricardo Magalhães, coordenador do espaço e assessor da Emater.