Diesel

Insumo que PESA muito

preço do diesel para o consumidor do Mato Grosso é um dos maiores do País e sua relevância no custo de produção do agronegócio local é ainda maior visto a distância do estado de grandes centros e portos

Rui Prado, produtor e presidente do Sistema Famato, [email protected]

O diesel é um dos principais componentes do custo de produção do agronegócio. Este derivado de petróleo ocupa uma posição elevada na composição dos custos das lavouras, pois está presente nas operações antes da porteira (distribuição de insumos), dentro da porteira (máquinas usadas na lavoura) e após a porteira (distribuição Fotos: Leandro Mariani Mittmann dos produtos). As deficiências logísticas do Mato Grosso contribuem para que este insumo seja, historicamente, mais caro quando comparado a outras regiões do País, pois o preço médio para o distribuidor do estado é o segundo maior do País.

Conforme informações do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Mato Grosso (Sindipetróleo), o diesel corresponde a mais de 50% do consumo total de combustíveis no estado. Em 2012, por exemplo, o óleo diesel respondeu por 2,4 bilhões de litros do consumo estadual. Enquanto o consumo de etanol e gasolina foi de 371,8 milhões de litros e 593 milhões de litros, respectivamente. Em relação aos preços da semana de 20 a 24 de maio, Mato Grosso ocupa a terceira posição com os maiores preços praticados ao consumidor (média de R$ 2,579), enquanto que os estados do Acre e Roraima possuem os maiores valores do País. Historicamente, a região Centro- Oeste tem os maiores preços em relação às demais regiões.

Ao ser acompanhada a evolução das cotações do produto ao consumidor em oito municípios mato-grossenses, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), observa-se que os valores permanecem estáveis por um longo período, entre meados de outubro de 2010 até junho de 2012. Do segundo semestre de 2012 para cá, os preços do diesel no estado oscilaram em todas as praças de forma semelhante. Os municípios de Alta Floresta e Sorriso sempre possuem as maiores cotações. Várzea Grande e Rondonópolis se destacam pelos menores preços, com diferença média de R$ 0,34/litro em 2013, enquanto a diferença média no ano passado foi de R$ 0,26/litro.

Custo na soja e no milho — Quem mais sofre com essas diferenças é o produtor. Como o diesel compõe o custo das operações dentro da porteira, onde ele consegue ter maior controle das operações, é necessário planejar para que os custos com este insumo não impliquem em maiores despesas. Afinal, para a soja 8% do custo operacional corresponde ao gasto com diesel (cerca de R$ 111,07/hectare), enquanto para o algodão este investimento é maior (aproximadamente R$ 221,33/hectare), o que corresponde a 7% do custo operacional da cultura.

Apesar dos preços, o Governo Federal vem regulamentando o padrão do diesel. Existem diversas variedades sendo comercializadas no Brasil (S-50, S10, S500 e S1800). O que diferencia todos esses tipos de diesel é a composição de enxofre: quanto menor o número, menor é a quantidade de enxofre no diesel e menos poluente para o meio ambiente. A tendência é que o S-50 seja substituído pelo S-10, cada vez mais disponível no mercado, podendo ser utilizado em caminhões, ônibus, caminhonetes, veículos tipo SUV com fabricação posterior a 2012.

No Mato Grosso, segundo a ANP, existem 189 postos varejistas obrigados a comercializar o diesel S-10 desde janeiro. Os municípios que mais possuem postos são Rondonópolis (13) e Várzea Grande (11). O estado demanda muito este produto e ocupa, atualmente, a 9ª posição no ranking do número de postos varejistas com S-10 disponível. Ainda está atrás de estados como o Ceará, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia e Pará.

Além de produtos com menos enxofre, como o S-10, existe o diesel com biodiesel em sua mistura, devendo aumentar ainda mais estes benefícios ao consumidor, já que deve ocorrer elevação do biodiesel na composição do diesel, que, atualmente, é de 5% (B5), para 7% (B7) ainda neste ano. Isso certamente contribuirá para reduzir mais os preços e a emissão de poluentes. Até 2016, o aumento do biodiesel no diesel deve ser de 10%. O B20 já tem sido testado em veículos, com resultados preliminares positivos. Certamente, uma política de incentivo para o uso do B100 seria interessante para os produtores, pois eles aproveitariam a soja, que é uma das principais matérias-primas da produção de biodiesel, e contribuiriam significativamente para diminuir os impactos no meio ambiente.

Antes e depois da porteira: no Mato Grosso, o diesel corresponde a mais de 50% do consumo total de combustíveis e respondeu por 2,4 bilhões de litros no ano passado

Apesar dos avanços na mudança da matéria-prima que compõe o diesel, a melhor solução para o País seria reduzir o volume de diesel gasto para transportar as mercadorias. E isso é possível com a diversificação dos modais de transporte. As filas de caminhões parados nas principais rotas de escoamento da produção, como visto em vários meios de comunicação em meados de março, trouxeram diversos prejuízos para a sociedade. Este fato no Mato Grosso é mais grave por conta da distância dos principais portos do País. Infelizmente, todos os anos se vivencia este problema que compromete a qualidade das mercadorias, diminui a receita do setor produtivo, eleva o frete, encarece os produtos para o consumidor final, desperdiça o tempo das pessoas e provoca acidentes graves.

Na terceira semana de maio, o preço do diesel no Mato Grosso foi o terceiro maior para o consumidor no País, média de R$ 2,579/litro. O Centro- Oeste tem os maiores preços em relação às demais regiões

Novos modais — Uma das soluções são as parcerias público-privadas. Elas podem resolver os problemas da malha viária no Mato Grosso, trazendo os investimentos necessários e aplicando-os adequadamente. Outra estratégia interessantíssima é a integração entre os modais de transporte (rodovias, ferrovias e hidrovias), com a finalidade de baratear os custos de produção, do frete e reduzir os impactos ambientais do nosso principal modal, o rodoviário. Um caminhão abastecido com um litro de diesel, por exemplo, percorre 67 quilômetros para transportar uma tonelada de grãos. Enquanto isso, o trem alcança 178 quilômetros e os navios percorrem 249 quilômetros carregando a mesma quantidade de grãos no mesmo percurso.

Investir em outros modais também contribui para reduzir a emissão de gases poluentes na atmosfera. Um caminhão emite 44,7 toneladas de gás carbônico ao percorrer 1 milhão de quilômetros transportando uma tonelada de carga. Com o mesmo trajeto e o mesmo volume de carga em um trem e um navio, as emissões reduzem respectivamente para 16,8 toneladas e 12 toneladas de gás carbônico. Os investimentos em logística e infraestrutura para o escoamento da produção, aliados à mudança da matriz energética, com a utilização de combustíveis com menos enxofre e mais biodiesel, contribuirão para a redução dos custos nas lavouras e tornarão a produção ainda mais Na terceira semana de maio, o sustentável.