AP - Plantio

 

SEMEADURA de precisão em sistema plantio direto

A operação do plantio determina o êxito da safra e, por isso, os detalhes desta execução e dos equipamentos envolvidos precisam ser considerados como fundamentais

Engenheiro agrônomo Fernando Penteado Cardoso, fundador e patrono emérito da Fundação Agrisus (Agricultura Sustentável)

O elevado custo das sementes, muitas vezes transgênicas, obriga o agricultor a realizar um esmerado plantio para que novas cultivares, com alto potencial de produtividade, possam apresentar um desempenho à altura de suas potencialidades. As principais dificuldades que costumam ser enfrentadas nessa fase pelos produtores que fazem plantio direto são o desperdício de sementes decorrente da má germinação, o estresse das plântulas causado pelo mau contato com a terra ou pela proximidade dos fertilizantes salinos e o desgaste do equipamento usado na semeadura.

O recobrimento insuficiente da semente ou o mau contato dela com a terra por causa das "bolhas" de ar produzidas na terra por palhas não cortadas e enterradas pelo disco frontal costumam ser os responsáveis pela maior parte dos casos de germinação deficiente. Mas o problema também pode ser causado pelo excesso de compactação da terra sobre os grãos ou ainda pela formação de uma crosta superficial endurecida, que dificulta a emergência da plântula.

Para evitar o enterramento de palha, a solução é usar um manejador de resíduos (limpador de fileiras), semelhante aos ancinhos rotativos usados no preparo de feno, colocado na frente do disco de corte. Mesmo assim, ainda pode haver dificuldades causadas pelos cordões de palha, problema que pode ser eliminado durante a colheita com o uso de uma hélice colocada depois do picador. Um íntimo contato da semente com a terra pode ser conseguido com o uso da roda calcadora, que firma a semente no solo antes dela ser recoberta por terra levemente pressionada. Recurso quase obrigatório nas semeadoras da Argentina e dos Estados Unidos, a roda calcadora pode, às vezes, ser substituída por uma lâmina metálica que desliza sobre as sementes e as aperta contra a terra pouco antes do recobrimento.

A formação da crosta é minimizada mantendo-se o solo com bastante matéria orgânica, embora também existam relatos de bons resultados obtidos com o uso do gesso. É importante também evitar o impacto das pancadas de chuva que causam endurecimento do solo superficial. E isso se consegue repondo a palha sobre as linhas semeadas com o uso de correntes traseiras em semicírculo para redistribuir e uniformizar os resíduos anteriormente deslocados. O estresse das plântulas pode ser decorrente tanto do mau contato e da compactação como da salinidade, causada pela proximidade dos fertilizantes salinos, principalmente potássicos e, até certo ponto, dos nitrogenados. Já no caso dos fosfatados, o risco é certamente menor. O problema é que é muito difícil seguir à risca a recomendação clássica de localizar o adubo cinco centímetros ao lado e cinco centímetros abaixo da semente. Os discos desalinhados acabam causando empachamento e, quando se usa facão, o adubo acaba se misturando com a terra, ficando em contato com a plântula.

O dano do estresse é, às vezes, quase imperceptível, mas a plântula enfraquecida dificilmente irá alcançar a alta produtividade de seu potencial. Uma maneira de resolver o problema é aplicar o adubo, principalmente os não fosfatados, em operação separada do plantio, o que também tem a vantagem de tornar mais rápida a semeadura. A capacidade da semeadora pode até dobrar, sem falar na maior precisão decorrente do fato de que o operador irá regular apenas a quantidade e a posição da semente, sem se preocupar em regular ao mesmo tempo o adubo. Esse sistema pode ser usado mesmo quando for recomendada uma adubação de "arranque" junto à semente, porque a quantidade de adubo a aplicar é pequena, requerendo menos paradas de reabastecimento.

O levantamento de terra e torrões provocado pelo facão é considerado inconveniente pelos produtores que preferem manter o terreno nivelado com a mínima perturbação possível. O problema pode resolvido com a colocação de uma haste fina e biselada, tendo atrás o tubo de adubo ovalado tão esestreito quanto possível e duas rodas laterais que reduzem o levantamento da terra, servindo ao mesmo tempo como limitadores de profundidade. Essas rodas devem ser de material que evite a aderência de terra, como borracha flexível ou polietileno, sendo conveniente que possam regular a profundidade tanto do facão quanto do disco dianteiro de corte e do afastador de palha, quando instalado.

O sistema de facão é tido como mais flexível e, por isso, preferível, desde que admita regulagens que o ajustem às variadas condições de textura e de umidade do solo. O facão resolve o problema da compactação superficial, causada pelo pisoteio animal ou pela falta de matéria orgânica, embora não se deva esquecer que a terra dura permite um melhor corte da palha. Considerado o sistema ideal por "levantar" menos terra, o facão evita o "sulco liso selado" e, ao melhorar a drenagem, evita também o alagamento. Seus equipamentos são mais leves e, por isso mesmo, mais baratos, a exemplo dos conjuntos de tração animal, cada vez mais aperfeiçoados. Para uma ação uniforme nas desigualdades de relevo, por menores que sejam, todo o conjunto deve se apoiar em um sistema pantográfico, cabendo aos fabricantes de equipamentos participar do esforço conjunto pelo plantio direto de precisão para alcançar maiores produtividades a menores custos.