Agribusiness

 

TRIGO

LEILÕES DOMINAM MERCADO BRASILEIRO

Juliana Winge - [email protected]

Novamente o mercado de trigo ficou de olho nos leilões da Conab. Como o Governo venderia seus estoques, as movimentações ficaram lentas ao longo de abril. No dia 18 de abril a procura nos leilões de venda de trigo realizados pela Conab foi elevada. O produto localizado principalmente nos estados do Paraná e do Rio Grande do Sul foi bem aceito pelo mercado. No leilão de aviso número 71, praticamente todo produto disponibilizado foi vendido, com apenas a sobra de 9,5 toneladas em Dourados/ MS. Nesse leilão, portanto, foram comercializadas 11,8 mil toneladas ao preço médio de R$ 702,10/tonelada, um pouco acima do preço inicial de R$ 700 da Conab. Já no leilão de aviso número 72, o total comercializado foi de 65,92% do ofertado, restando 21,49 mil toneladas para vendas futuras. Os preços desse leilão ficaram em R$ 702,21/tonelada, acima do indicado pela Conab, que tinha preços iniciais entre R$ 670 e R$ 700. Assim, a demanda elevada pelo trigo governamental ficou dentro das expectativas do mercado.

Como o produto estocado pela Conab vinha apresentando boa qualidade e preços atraentes, era muito provável um volume maior de compras por parte dos moinhos. “Já que uma parcela dos moinhos está trabalhando curta no mercado, isto é, sem ter formado grandes estoques e comprando apenas o necessário para manter as suas operações dentro da normalidade, as vendas da Conab são importantes para a manutenção da oferta de trigo no mercado doméstico brasileiro”, explicou o analista de Safras & Mercado Renan Magro. Ainda durante o mês de abril, mais mercadoria importada deve ingressar no país isenta da TEC e com preços atraentes se comparados com os valores praticados atualmente.


ARROZ

PREÇOS ESTÁVEIS NO PERÍODO DA COLHEITA

Rodrigo Ramos - [email protected]

A cotação do arroz em casca paga ao produtor apresentou estabilidade durante o final da primeira quinzena de abril e o início da segunda nas principais regiões produtoras do País. “Além disso, os preços atuais seguem acima dos praticados há um ano, dando a entender que o cenário atual é de oferta mais apertada e de demanda interna constante”, comenta o analista de Safras & Mercado Eduardo Aquiles. “E a balança comercial do setor voltou a apresentar superávit em março, o que poderá favorecer ainda mais os preços elevados”, aposta. No Rio Grande do Sul, o maior produtor e principal referencial de preços do país, o valor médio era de R$ 31,03 por saca de 50 quilos em casca no dia 15 de abril, apontando alta de 1,1% no decorrer de uma semana, quando estava a R$ 30,68. Agora, se comparado com o preço há um mês, que era de R$ 31,51, existe queda de 1,5% e, frente a igual período do ano passado, quando estava a R$ 26,77 por saca, a valorização é de 15,9%. Em relação à balança comercial, foi observado um superávit de cerca de 17.164 toneladas de arroz base casca no mês de março, sendo que as exportações foram de 112.023 toneladas, contra 94.859 toneladas importadas. “A tendência de aumento das exportações já era observada desde dezembro, quando a diferença entre exportações e importações começou a diminuir, sendo que há um semestre o mercado apresentava déficit na balança do setor”, lembra. A tendência atual, de aumento das vendas e queda nas compras, poderá favorecer o aumento dos preços ao longo do ano. “Entretanto, as exportações ainda seguem significativamente abaixo do volume de um ano atrás, em março de 2012, que foi de 186.721 toneladas, 74.698 toneladas acima do volume vendido ao exterior em março deste ano”.


SOJA

USDA MANTÉM ESTIMATIVA DE ESTOQUES FINAIS DOS EUA

Dylan Della Pasqua - [email protected]

O relatório de abril, divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), não indicou alterações na estimativa para os estoques finais norte-americanos de soja em 2012/13, contrariando a expectativa do mercado. A estimativa de safra foi mantida.

As projeções de esmagamento e exportação foram elevadas. A produtividade segue estimada em 39,6 bushels por acre. Com isso, a projeção para a produção americana foi mantida em 3,015 bilhões de bushels (82,06 milhões de toneladas). O USDA manteve a projeção para os estoques finais em 125 milhões de bushels. A estimativa de esmagamento subiu de 1,615 bilhão para 1,635 bilhão de bushels. A projeção de exportação passou de 1,345 bilhão para 1,350 bilhão de bushels. O mercado apostava em elevação nos estoques finais, para níveis próximos a 135 milhões de bushels.

A produção mundial de soja está agora estimada em 269,63 milhões de toneladas, contra 268 milhões no relatório anterior. Os estoques mundiais subiram de 60,21 milhões para 62,63 milhões de toneladas. O USDA estima produção brasileira de 83,5 milhões de toneladas e argentina de 51,5 milhões de toneladas. A safra americana teve estimativa mantida em 82,06 milhões de toneladas. A previsão faz parte de levantamento divulgado por Safras & Mercado.

A estimativa de área plantada passou de 25,155 milhões de hectares em 2011/12 para 27,645 milhões na atual temporada, com aumento de 10%. Safras trabalha com rendimento médio de 2.984 quilos por hectare, superando os 2.694 quilos obtidos no ano passado. “Sem grandes novidades em termos de problemas climáticos no último mês, esse movimento nos números esteve ligado essencialmente ao ajuste fino que vai sendo possível realizar com o avanço rápido da colheita”, explica o analista do Instituto de Pesquisas Agroeconômicas Safras & Mercado, Flávio França Júnior. Em caso de confirmação, a produção vai superar com folgas o recorde anterior de 75,5 milhões de toneladas, alcançado em 2011. “Mesmo assim, em função de uma série espalhada de problemas menores de clima, o desempenho vai ficando um pouco aquém do potencial inicial de produção de 85 milhões toneladas”, completa França Júnior.


MILHO

PREÇO EM QUEDA NO MERCADO INTERNO COM AVANÇO DA COLHEITA

Arno Baasch - [email protected]

O mercado brasileiro de milho ingressou na segunda metade de abril com um quadro de pressão nas cotações, reflexo direto do avanço da colheita da safra verão no Centro-Sul. Segundo o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari, tal cenário poderia ser em parte atenuado se as exportações estivessem ocorrendo no momento de forma efetiva e se houvesse algum indicativo de problemas na safra norte-americana, a exemplo do que ocorreu no ano passado. Conforme Molinari, sem grandes indicações de embarques de milho nos portos para abril, maio e junho, que estão concentrados na soja, a comercialização interna do cereal vai obedecendo as regras de liquidez. “A primeira quinzena de abril foi marcada por chuvas em boa parte do País, o que acabou atrasando as atividades de colheita e contribuindo para evitar uma maior queda nos preços. Com a tendência de um clima mais seco daqui para frente, contudo, a expectativa é de que as cotações venham a ser ainda mais pressionadas”, explica.

No que tange à safrinha, Molinari sinaliza que as precipitações registradas até a primeira metade de abril foram benéficas às lavouras e, pelo menos durante os próximos 20 a 30 dias, as condições de desenvolvimento do milho devem continuar dentro da normalidade. “Tal cenário nos remete a uma expectativa de safra recorde de milho no Brasil este ano, da ordem de 77,341 milhões de toneladas, segundo o último levantamento de Safras & Mercado. Diante de um quadro de oferta mundial mais próximo da normalidade, a maior disponibilidade de oferta interna certamente trará dificuldades na comercialização do cereal em termos de preços”, pontua.


CAFÉ

VENDAS DA PRODUÇÃO DA SAFRA ANTERIOR E DA NOVA SEGUEM ARRASTADAS

Lessandro Carvalho - [email protected]

A comercialização da safra de café 2012/13 (julho/junho) chegou a 75% até 31 de março. O dado faz parte de levantamento de Safras. Os trabalhos seguem bem atrasados em relação ao ano passado, quando, em igual período, 86% da safra 2011/ 12 estava comercializada. Também há atraso em relação à média dos últimos cinco anos, pois 89% da produção normalmente já estaria negociada. O avanço em relação ao mês anterior foi de apenas quatro pontos percentuais. Com isso, já foram comercializadas 41,40 milhões de sacas de 60 quilos, tomando-se por base a estimativa de Safras & Mercado, de uma safra 2012/13 de 54,9 milhões de sacas.

Segundo o analista de Safras Gil Barabach, a negociação segue arrastada, com pontas compradora e vendedora distantes, e o produtor muito descontente com os rumos do mercado. “Quando o preço sobe, aparece um pouco mais de interesse de venda. No entanto, as movimentações carecem de maior fluidez, uma vez que os negócios se limitam a pequenos lotes isolados. No outro lado, o comprador segue seletivo e pagando mais por qualidade, o que eleva o ágio a favor das bebidas mais finas”, aponta. O fato é que há pouco espaço para alta das cotações. A demanda mundial continua tranquila e se posicionando da “mão-para-boca”. E, sem agressividade, aguarda a chegada de café novo nacional, destaca. Em meio a este fluxo travado nos negócios, os dados demonstram que o produtor está chegando às vésperas da colheita da safra nova carregando um grande estoque em relação ao normal. O Governo prorrogou o vencimento de financiamentos, dando fôlego ao produtor para segurar a oferta. Além disso, ainda existe a expectativa de mudança no preço mínimo arábica de bebida dura para R$ 340/saca. “Enfim, o produtor ainda deposita todas as suas esperanças na atuação do Governo.”


ALGODÃO

COTAÇÕES SOFREM ACOMODAÇÕES NO MERCADO DOMÉSTICO

Rodrigo Ramos - [email protected]

A decisão de isenção da Tarifa Externa Comum (TEC) de 10% para 80 mil toneladas de algodão entre maio e julho de 2013 fez com que os compradores passassem a adquirir apenas o essencial para atender necessidades imediatas. “Com isso, as pontas de oferta e demanda passaram a trabalhar de forma mais equilibrada no mercado disponível”, explica o analista de Safras& Mercado Élcio Bento. No Cif de São Paulo, depois de ter alcançado a máxima em R$ 2,16 por libra-peso no dia 5 de abril, a indicação estava por volta de R$ 2,10 por libra- peso no início da segunda quinzena do mês. “Vale ressaltar, contudo, que, mesmo após a recente acomodação, os preços, ainda são 5% superiores aos praticados em igual período do mês passado e acumulam valorização de 32% em 2013”, frisa o analista.

Com escassez de oferta no mercado doméstico, as cotações têm sido balizadas pela paridade de importação. No fechamento do dia 15 de abril, a fibra norte- americana, cotada a US$ 0,84 por libra- peso na Bolsa de Nova York (maio/ 13 na ICE), com o câmbio de R$ 1,9970 por dólar, chegaria ao Cif de São Paulo a R$ 2,37/libra-peso (com ICMS). O produto nacional é disponibilizado no mesmo mercado a R$ 2,35 por libra-peso. Ou seja, a fibra brasileira seria 0,6% mais acessível que a importada. “Esta proximidade entre as duas possibilidades de abastecimento corroboram a afirmação de que os agentes têm na paridade de importação a principal referência para a formação de preços”, ressalta Bento.

A partir do mês de maio, quando passa a vigorar a isenção da TEC, os preços devem se ajustar à nova realidade. “Se a isenção do imposto de importação estivesse vigorando no fechamento do dia 15 de abril, a fibra norte-americana chegaria ao Cif da indústria paulistana a R$ 2,19 por libra-peso”, comenta o analista. Neste caso, para retornar à paridade com o estrangeiro, o algodão nacional teria que recuar 6,8% no Fob. “Este é o movimento que se espera. Porém, o fato de existir escassez do produto no mercado disponível pode fazer com que seja menos que proporcional em relação à redução do custo de importação”, salienta. “E esta escassez deve basicamente ao excepcional desempenho das vendas externas nesta temporada.”