Notícias da Argentina

DIFÍCIL EQUAÇÃO NA PECUÁRIA

Os preços do gado também são afetados pela inflação, e a questão é como encontrar o melhor momento para vender o animal gordo depois que a pecuária de confinamento substituiu boa parte dos esquemas mais extensivos. A estimativa é de que entre 60% e 70% do consumo na capital federal e na Grande Buenos Aires têm origem nos confinamentos, uma atividade com grande sazonalidade. Normalmente, a produção chega ao mercado no segundo semestre e deprime os preços. Os animais superjovens, que formam a categoria mais valorizada no país, têm a maior variação de preços diante de outras categorias. Os confinamentos absorvem entre 65% e 70% dos machos que nascem e, quando estes atingem os 300 quilos, estes são vendidos. Os confinadores sabem que se todos fizeram as compras no outono e comercializarem entre agosto e novembro, acabam prejudicando o mercado. No entanto, eles não conseguem evitar essa sazonalidade porque no segundo semestre é muito difícil comprar terneiros, devido à oferta escassa, pouca qualidade e preços altos. Para o analista Ignacio Iriarte, uma possibilidade é a compra antecipada de terneiros e a venda em maio ou junho. Outra opção é recorrer a uma recria longa, com silagem, com o intuito de obter animais de 400 quilos, e a vantagem de chegar até fevereiro ou março, com chance de melhores preços. A questão é que esse seria um ciclo mais longo, e nem todos conseguem lidar com esse prazo maior.


GRÃOS: DÚVIDAS

De uma forma geral, analistas e produtores não concordam com as hipóteses apresentadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) para a safra 2013/2014. Segundo o Usda, o país vai colher 270 milhões de toneladas de milho e 93 milhões de toneladas de soja, o que poderá provocar retração nos preços. Mais especificamente, são esperados valores em torno de US$ 386 para a tonelada da oleaginosa e US$ 189 para a tonelada do cereal. No caso da Argentina, ao descontar o valor do frete e das retenções a essas cotações, o pagamento ao produtor ficaria ao redor de US$ 250 a tonelada para a soja e US$ 130 a tonelada para o milho. Considerando que 65% da agricultura no país ocupa campos arrendados, o resultado seria de perdas para as duas culturas. Os argentinos já enfrentaram preços inclusive menores que estes em tempos não tão distantes, mas o problema é que o país enfrenta um processo marcado pelo atraso cambiário e pela elevada inflação, que deixa de lado as atividades vinculadas com a exportação. De qualquer forma, os preços projetados pelo Usda partem de uma situação em que o clima precisa ser perfeito e o manejo do produtor, impecável, e isso geralmente não acontece. Ao mesmo tempo, a campanha 2013/2014 gera preocupações entre os produtores. Os valores não serão os estimados pelo Usda, mas a Bolsa de Chicago dá indícios de que devem ficar abaixo dos que são praticados hoje.


TRIGO

A colheita 2012/2013 encerrou com uma produção de 10 milhões de toneladas e um saldo exportável abaixo de 5 milhões de toneladas. Diante da intervenção que sofre esse mercado, a estimativa é que o trigo continue sendo substituído pela cevada no ciclo 2013/2014.


SOJA

A Bolsa de Cereais mantém a estimativa de colheita em torno de 48,5 milhões de toneladas, mas são muitos os lotes em condições incertas devido ao plantio realizado tardiamente. Algumas consultorias privadas afirmam que o número deve ficar próximo de 46,5 milhões de toneladas.


LEITE

Os produtores argentinos recebem US$ 0,35 pelo litro (dólar oficial) ou US$ 0,21 (dólar paralelo). O valor é um dos mais modestos entre os produtores de leite da América do Sul.


CARNE

O novilho jovem é comercializado em torno de US$ 2 (dólar oficial) o quilo vivo, ou US$ 1,23 (dólar paralelo). Expressados em pesos – 10,50 o quilo vivo –, estes preços estão 25% abaixo dos praticados em 2010 em termos reais, considerando o efeito da inflação.